Profissões do mundo

Posted on 21 agosto 2008

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De todas as profissões do mundo, a que mais detesto, a que merece menos respeito e que para mim é a pior de todas é o maldito atendente de telefone de empresas. Serzinhos menosprezíveis, pouco merecedores do que quer que seja. Eles têm a incrível capacidade de me tirar do sério em poucos minutos. Às vezes, em pouquíssimos segundos.

Ontem foi um exemplo disso. Depois de passar uns quatro meses sem internet em casa (à exceção de duas semanas), finalmente tomei coragem e consegui dinheiro para poder ter. Pesquiso os sites, vejo as opções e chego a uma conclusão: Grande e Vã Tolice. Muitos falaram bem. Outros não falaram nada. Outros falaram mal do concorrente. Convencido, ligo, sou rapidamente atendido e depois de quase uma hora para fazer cadastro, a mulezinha me explicar tudo, sou o feliz possuidor do serviço da internet, sem, é óbvio, a internet estar funcionando na minha casa.

Dizem que em no máximo 48 horas vão me ligar para agendar a instalação. Na 40ª hora, quase expirando o prazo, me ligam. Oferecem dois dias depois no meio da tarde, como se eu não tivesse nada que fazer. Digo que de tarde não posso. Só de manhã mesmo (um dos caras que mora comigo entra depois do almoço e vai até umas 20h). Mas na sexta de manhã não podem. Sábado muito menos. Fica para segunda, uma semana depois que “assinei” o serviço.

Na segunda de manhã, vão em casa, dizem que instalam tudo… Quando chego, depois do almoço, sedento por ver meus e-mails e ver tudo o que não posso no trabalho, descubro que a linha, em tese, foi instalada, mas não completamente. Como não tinha a porra do “T” de telefone, que nunca me disseram que precisava ter, não puderam concluir a instalação. Fora isso, ainda descobri que para instalar devidamente o modem eu precisava ligar no maravilhoso e digno centro de atendimento da Grande e Vã Tolice e, com os auxílios dos sábios atendentes, fazer funcionar o meu modem (coisa que também não me disseram; achava, como em todo lugar no mundo, que você contrata o serviço e que deixam tudo pronto para você; ledo engano).

Já emputecido, ligo no 10325 do meu celular e espero ser atendido. Espero, espero e espero e nada. É um menu atrás do outro, com milhões de opções e ramificações, que te levam para outros menus, e desses menus para outros menus até que você já não lembra mais onde está e por que exatamente estava ligando. Tecle 4 para isso, tecle 5 para issoutro, tecle 2 para confirmar… Nisso, perde-se de 20 a 30 minutos só se incomodando e se enfurecendo. Espero mais um pouco, pedem para aguardar. No final das contas, acabo não conseguindo ser atendido. Ligo de volta, os menus não me levam a lugar algum. Resolvo então ir para o menu de compras e fingir que quero adquirir algo. E o que acontece? Sou atendido em um minuto, nem mais nem menos. Digo: “Ó, estou tentando ser atendido há mais de meia hora. Faça o favor de me transferir logo para o setor de instalação de modems”. Me mandam para um atendente, que escuta todas minhas reclamações e cai no erro de tentar se justificar ao invés de se desculpar por todos os transtornos. Eu, que já estava puto da cara, fico mais ainda e solto o verbo: “Olha aqui, faz uma era que estou aqui tentando, quase implorando para ser atendido, esse menu é uma merda, me atenderam mal, o técnico que veio instalar essa merda fez tudo pela metade. Ou essa merda funciona ou cancelo o plano.” “Mas veja bem”, esboçou ele. “Ou funciona ou mando cancelar essa porra do caralho de internet, que mal adquiri e já estou insatisfeitíssimo.

Muito blábláblá depois, quando estava por pegar o protocolo, cai a ligação, que, por sinal, estava péssima, cheia de chiado. Vencido, desisto, escovo os meus dentes e vou para o round vespertino diário.

À noite, cansado do trabalho, resolvo deixar o pepino para depois do cineminha. Às 2h da manhã, quando chego em casa, me inspiro: vou ligar lá e resolver tudo. Ledo engano II: o retorno! Ligo uma, duas, três, cinco, dez vezes. Ligo, vou de um menu para outro, espero, espero e espero e nada. Não consigo falar com nenhum atendente. Fico, sem brincadeira, 1h30 imerso nos menus, esperas e tentativas frustradas. Minha vontade era de jogar o telefone na parede. Se fosse meu, tinha jogado, mas como é emprestado da minha mãe…

Guerreiro e azarado que sou, levanto às 7h para recomeçar a odisséia. Ligo e consigo ser atendido. Já mais calmo, explico tudo o que aconteceu com paciência. Blábláblá. Falo, falo e falo. Consigo fazer com que me atendam e me expliquem como se instala o modem. Não funciona. O atendente tenta um monte de outras coisas, e nada. Canso, bravo de volta, e digo: “Não sei como, mas faça isso funcionar até hoje à noite ou já era”. Cinco minutos depois, aparentemente a internet parece estar funcionando. Navego mais uns cinco minutos e tenho que ir. Já esperando que quando chegue em casa tenha que resolver mais algum pepino insuportável.

Cheguei em casa e tudo aparentemente parece estar funcionando, à exceção, é claro, da internet. Por algum motivo, não tenho sinal. Depois de muito fuçar, faço funcionar, mas com um problema: o meu modem é da mesma marca e modelo do do vizinho, que está protegido por senha, de forma que o meu computador se perde entre os dois e só se conecta ao dele e não ao meu. Odisséia, odisséia. Odisseu, que tanto padeceu, já deve estar começando a ficar com dó de mim!

Conclusão disso tudo: não ter internet é uma bosta, mas ter é pior ainda!

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