- Porra, mermão, duca essa balada! – gritou um carioca, já bastante bêbado e com aquele sotaque inconfundível.
Tão ébrio estava que dava para sentir a cara inchada de cachaça só de ouvir sua voz.
- Porra, porra! – respondeu, aos gritos, um outro.
- Caraca, véio, tô breacaço. Vou deitar e capotar. – confessou o mais bêbado deles.
E assim foi. E no beliche em cima do meu. Detalhe: o caboclo só teve o trabalho de desabotoar o jeans e adormeceu assim mesmo. Com tênis e tudo.

Tivessem dormido no banco da praça, como esses, teriam dado menos trabalho!
Enquanto os três cariocas estavam lá eufóricos e esfuziantes com os acontecimentos da balada, acordando todos com sua arruaça, o 4° carioca estava só de conversê com uma das cariocas que os acompanharam. Conversê, digamos, é jeito de falar. Ele estava mesmo é de groselhagem, de dolangagem, de xavecagem.

"Xavecar como um animal!"
- Porra, vai, vamos lá. – insistiu o carioca.
- Não quero, porra. Não quero. – negou, enfática ou não, a carioca.
- Vamos lá. Rapidinho.
- Não quero, meu. Não quero te dar no banheiro.
- Porra, rapidinho. Vamos lá.
- Não, caraca. Não quero te dar. – respondeu ela com nítido tom de cu doce (até eu saquei que ela cogitava a hipótese para outro momento).
- Porra, como é que você não quer? Eu te deixei toda molhadinha só com o meu dedinho… – anunciou, em alto e bom tom, nosso carioca bêbado.

Te deixo toda molhadinha só com o meu dedinho!
- Deixou, mas não quero. Não hoje.
- Como assim?
- Ora, hoje eu não quero.
- Então quer dizer que tem dia que você sai de casa querendo dar e outros em que não?
- É.
- E hoje você saiu não querendo dar.
- Ah, moleque! Entendeu.
- E, me diz uma coisa, então me faz só um boquetinho…
- Não, mermão. Não quero. Não hoje.
Em meio a essa conversa tão sublime, eu me vi quase rindo da cara dos dois. Como não? É quase surreal acordar com tão nobres intenções sendo anunciadas reciprocamente. Não pude não lembrar de um episódio que me pasó em Clermont-Ferrand (O episódio de Clermont), o qual oportunamente publicarei aqui. Ri sozinho. Por sorte não o fiz alto, para não atrapalhar a paquera alheia.
E foram dormir os dois, ele sem boquetinho e ela toda molhadinha só com o dedinho. Mas enquanto o dia deles estava terminando, o meu e o do Camilo estava só começando. Arrumamos nossa mochila, não sem muito barulho (Aqui se faz, aqui se paga!), e descemos para tomar café. Eu, dando uma de sem-noção, ainda “tropecei” com um locker de ferro antes de sair, fazendo muito, mas muito barulho. Os cariocas todas acabaram acordando, olharam para mim com sono e voltaram a dormir. Missão cumprida: infernizei-os um pouco!

Missão cumprida!
Tudo dentro do Gonza, partimos rumo a Piriápolis.

Rumo a Piria...
E, em termos de hospedagem, saímos do inferno e chegamos ao paraíso. À exceção da badalação, o hostel de Piriápolis, o segundo maior do mundo (atrás só do de São Paulo), tinha tudo o que não encontramos em Punta: extrema limpeza, quartos habitáveis e arrumados com só 4 camas, café-da-manhã melhor…
Ainda exaustos da noite anterior e trazendo conosco o cansaço de dias mal-dormidos, despencamos, cada um em sua cama, e dormimos a tarde inteira. Ao acordar, demos uma volta pela orla da cidade, comemos, compramos livros (foi só em Piriápolis que consegui achar um exemplar de Memorias del calabozo, de Huidobro & Rosencof) e passeamos.

Orla de Piriápolis

Praias de Piria
À noite, ainda conhecemos dois ciclistas brasileiros de São Paulo que estavam percorrendo toda a costa uruguaia de bicicleta. Entusiasmados com uma platéia superatenta, contaram-nos suas peripécias a duas rodas.

Encararia 1000km numa dessas?
Fui dormir com uma puta vontade de me tornar um ciclista neste ano e empreender alguma viagem curta de bike aqui pelo Paraná. E sabem que o vadio do Camilo até se animou?!




Publicado por Allan Cunha em 29 Janeiro 2009 às 04:07 r r
Ciclista?
Cuidado Magoo, esporte MATA!
No mais, carioca em albergue só podia dar nisso (ou não, hãhãhã?entendeu?)
Publicado por Back to the France - o episódio de Clermont-Boquerrand « Bons Ares em 19 Fevereiro 2009 às 15:48 r r
[...] era isso. De qualquer forma, escrevi e guardei. Lembrei que ela existia quando estava redigindo o UYtrip – dia 10. Fui ao meu mail da época, cuja senha inacreditavelmente ainda sabia, e procurei-a entre os [...]