O Wally dentro de cada um

Para lá do fato básico de que todo mundo é diferente de todo mundo, há uma linha-mestra comum que guia a vida das pessoas. A cada conversa que tenho isso fica mais claro: sim, ela existe; e não, ela não me serve!

Levei tempos para começar a aceitar que o meu caminho era diferente. Não é que eu queira ser diferente (seria muito melhor, aliás, se o meu caminho fosse o mesmo) ou que me ache melhor ou pior que os outros. O fato é, tão-somente, que o meu trilhar é outro.

Muito disso pode ser visto em algumas escolhas da vida, pequenas ou não. Enquanto muitos preferem ir comer em um restaurante melhor, eu prefiro ir no Pé Sujo da esquina e comer um bom PF com arroz, feijão, macarrão e bife. Enquanto alguns deixam de falar com pessoas mais simples porque elas parecem não ter muito o que dizer, eu as ouço porque as vejo sorrindo (alguma sabedoria elas hão de ter em viver na simplicidade). Enquanto muitos sonham em ir para a Europa, eu gostaria de morar na África. Enquanto o sonho de todos é ter um bom emprego em uma empresa estável ou ser concursado, eu quero poder trabalhar para mim mesmo em casa quatro horas por dia de pijama (e se pudesse, juro que não trabalhava).

Essa linha-mestra comum engendra por si só uma atitude de vida, que acaba balizando as escolhas. Por não me servir, acabo tendo uma atitude diferente, que, por conseguinte, gera escolhas diferentes e faz com que eu baseie minha vida em outros preceitos. Se são bons ou ruins, pouco importa. Importa é que deles não posso escapar.

Assim sendo, vou notando aos poucos que os meus paradigmas e as minhas referências não se enquadram ao mainstream e que, algumas vezes, tampouco têm muito espaço. Mas isso não há de ser nada, diria qualquer sábio da montanha, o importante é saber para onde se vai. E de uns tempos para cá o meu “onde” tem ficado cada vez mais claro…

Apesar de todos procurarem o Wally, ele sabe onde está e para onde vai...

Apesar de todos procurarem o Wally, ele sabe onde está e para onde vai...

6 Respostas to this post.

  1. Publicado por Marcio_LG em 23 Junho 2009 às 15:29

    Magooo… cuidado com as frases!
    Dizer que “alguma sabedoria elas hão de ter em viver na simplicidade” é um tanto presunçoso, como se fosse destinado a essas “pobres” pessoas apenas um pequeno bocado da sabedoria. Também é discutível o que você está elegendo como “sabedoria”.
    Bom, sem contar que se achar “diferente” é algo bem comum, né?!… heheheh
    Mas não quero ser a pedra no caminho, não to aqui pra gerar discórdia!

    :-P

  2. Sinceramente, eu não ia, mas, se alguém é capaz de pensar que eu teria achado o raciocínio “eu sou diferente e melhor, e as pessoas são simples são pobres” algo diferente e merecedor de ser vangloriado, eu vou ter que me dar ao trabalho de responder.

    A frase “alguma sabedoria elas hão de ter em viver na simplicidade” não quer dizer, necessariamente, que elas vivam na simplicidade porque são pobres, e sim porque optaram por isso. Se optaram, é questão de liberdade de escolha, e é disso que estou falando.

    O fato de pensar que ser diferente é algo que se ressalta é já a antítese do conceito de comum, que culmina na síntese todo o discurso sociológico atual de que há diferença na igualdade e igualdade na dessemelhança (ler Hegel). A questão, mais uma vez, não é isso. Trata-se de cada um encontrar o seu caminho. E ponto final. Sem julgamentos de valores, sem valorações, sem melhores ou piores, como foi dito no texto.

    Francamente, não achei que fosse necessário explicar isso. O que estou falando está além do raciocínio básico que antepõe igual x diferente e já foi dito há mil anos por Sócrates. O Templo de Delfos dizia “Conhece-te a ti mesmo”, enquanto Sócrates pregava que isso era necessário para o indivíduo se encontrar no mundo (leia-se sua vida). É o que estou explanando única e exclusivamente sobre um processo só meu.

    A imagem é outra, mas o conceito que jaz pode detrás é o mesmo…

  3. Publicado por Transitoriedade Passageira Mortinha em 23 Junho 2009 às 16:33

    Que coisa isso!!!! Tive outra percepção e entendimento do seu texto, as quais não remetem a algum tipo de presunção ou tentativa frustrante de ser alguém diferente. Achei um texto tão puro, leve e , como sempre, longe de qualquer pretensão.
    Interpretações, interpretações… Como já dizia Dominique Maingueneau, conheça o autor e o lugar em que ele está inserido para fazer bom entendimento do seu texto. Não por acaso, como você disse, “Conhece-te a ti mesmo”.

  4. Publicado por Quietinha em 23 Junho 2009 às 17:43

    Como as diferenças realmente existem, eu não vi pretensão em qulaquer parte do texto, apenas uma exposição, vulnerabilidade e extrema sensibilidade franca do que é voce.
    E achei Lindo !

  5. Outro dia (lah longe) uma mulher pobre, simples e -eu penso- sábia, disse q ‘o negócio’ eh saber o caminho. Disse com muito mais simplicidade, clareza e charme q isso. (Era uma reportagem sobre nego que enriqueceu sem ter muita ou sequer alguma formação acadêmica. E foi no Globo Repórter, eu acho -ieca!-.)

    Am… Mas tem gente q tem instrução mas eh assim… ‘Analfa funcional’… (Cala-te boca!)

    Sim, então: concordo c/ a tal senhora e eh sempre bom ver alguém achando o seu -caminho-.

    Sucesso e abraço!

    (Quiet-inh-a que me deu a dica daqui.)

  6. Publicado por Linda Wallander em 24 Junho 2009 às 11:40

    Para onde se vai, sí… ¿Y el camino ? ¿no es lo más importante? O no entendí…

    Lo dijo el chino: “La raison est droite mais la route est sinueuse.”

    Lindo debate, Maikon. Muy interesante. Bravo…

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