Edith já dizia que não se deve arrepender de nada, João Arthur (grande amigo meu) vive dizendo que tudo na vida deve ser feito de tal maneira para que depois não haja lugar para arrependimento, e alguém famoso cujo nome não lembro vivia pregando que não se arrependia de nada do que tinha feito, mas sim do que não fizera.
Eu sim me arrependo de algumas coisas que fiz. Sei que, se almejasse a perfeição, isso deveria ser a última coisa a dizer, mas digo e confesso: há coisas das quais me arrependo ter feito. Às vezes, sinceridade é mais importante que perfeição.
Digo isso porque esses dias me arrependi profundamente de uma coisa que fiz, a qual não não vou revelar. Dizem as más línguas que só se pode revelar algo se esse algo não pode mais te afetar, quando muito.
Há particularmente quatro coisas de que me arrependo mais:
1. Ter dito uma coisa a (…) num momento de discussão, que acabou culminando numa briga homérica que tivemos e, por conseguinte, no fim do nosso relacionamento. Por mais que hoje em dia eu ache que não éramos feitos um para o outro, eu gostava muito daquela menina…
2. Ter voltado da França. Não me arrependo de ter agido como agi, mas sim de não ter ficado por lá, procurado um emprego e ter dado a cara à tapa.
3. Não ter ido encontrar a cubana, a seu convite, na casa dos seus amigos nos arredores de Amsterdam quando estive por lá.
4. Ter voltado da Argentina. Mais uma vez, não me arrependo de não ter terminado o curso de cinema, mas sim de ter deixado a cidade que dentre todas eu tinha escolhido para morar e viver, que foi onde mais me senti em casa e à vontade.
Algumas pessoas que me conhecem podem se perguntar:
Você não se arrepende de ter largado filosofia faltando pouco para terminar? Não.
Você não se arrepende então de ter começado filosofia? Não.
Não se arrepende de não ter ido morar em Nancy com a S.? Também não.
Não se arrepende de não ter aceitado aquele emprego de revisor-chefe de um jornal do interior de Santa Catarina? Não.
Não me arrependo porque ou não era o momento de fazer ou eu não estava preparado ou o fruto da decisão acabou me trazendo muitas coisas boas. Mas me arrependo sim dessas quatro coisas que elenquei acima, porque sei que são coisas que levei tempo para construir e que demandaram muito esforço e dedicação. À exceção, é claro, do caso da cubana, do qual me arrependo porque foi uma oportunidade única na vida, à qual não dei ouvidos e que provavelmente nunca mais vai se repetir. Eu tenho certeza que teria rolado uma história marcante entre nós.
De qualquer forma, arrepender-se é algo com que aprendi a lidar, até mesmo porque não tem volta. Concordo que a filosofia por detrás de “je ne regrette rien” é acertada, mas infelizmente eu ainda não cheguei a esse nível de sabedoria…



Humm … no caso de La Môme, vá lá, ela podia se dar ao luxo de não se arrepender de nada … mas será que para os simples mortais isso é possível?
Acho que se arrepender de alguma coisa nos mostra que tentamos. Quem se arrepende, deu a cara a tapa, como você citou. Você pode se arrepender de ter feito, mas pode ocorrer o mesmo por não ter feito …
Além do mais: quem disse que você não pode correr atrás do prejuízo? Aqui entre nós (e todos os que lerem, sem pudor, confesso): eu tenho meus pequenos planos para recuperar o que acho que vale a pena ser recuperado.
abraço!
Eu me arrependo, de algumas coisas que fiz, outras que não fiz, tenho um visão diferente sobre isso ser um estágio evolutivo de sabedoria, acho estar mais ligado a tua personalidade, a forma com que cada um lida com os impactos de decisões tomadas ou não.
Acredito que pessoas que tem essa intensidade de vida, como vc aparentemente tem, vivem de frente, não arrepender-se parece pra mim algo muito calculado, ou melhor cauteloso, coisa que não passa na cabeça de quem vive com paixão.
A karen, o mérito de uma conclusão magnifica, “eu tenho meus pequenos planos para recuperar o que acho que vale a pena ser recuperado. ” e acredito voce tem os seus.
BeijoBeijo
Será que nessa afirmação : Eu não me arrependo de nada, não tem uma continuaÇão,
Eu não me arrependo de nada, inclusive de me arrepender.
Há de se pensar ….
Cuánto más larga la vida, más errores… hahaha
No sirve arrepentirse, ya fue !!! Mejor, pensar que era lo único a hacer. (tu N° 2 también me toca, a veces) Pero, pensándolo bien, en cualquier caso, ¿ había otra opción en el momento? ¿Era la única o la mejor? Y así etc. etc. etc.
DON’T WORRY, BE HAPPY !!!
Bjs
Puxa Magoo, não posso mais comentar seus posts. Nossos pontos de vista são muito distantes. E depois, vão ficar jogando pedra… como seu eu fizesse de propósito, como seu eu não pudesse pensar diferente. Putz!! Mas gosto muito de você, mesmo, como sempre! E disso nunca vou me arrepender!!
Meu compadre Marcio LG fez o seguinte comentário, que achei genial e cheio de sabedoria (embora eu não saiba se concordo):
Porque, você sabe, sou esse tipo que acha que a vida faz sentido, que nada acontece por acaso, enfim, um antiquado.
O fato de você não ter tido seu encontro com a cubana, p. e., esconde em si uma série de fatos que poderiam ter sido funestos a você e, obviamente, várias coisas que te deixariam feliz. Agora… como saber ao certo se aquele encontro te levaria à morte, à felicidade, ou a ambas, ou a nenhuma das duas, ou a sei lá que fatos mais que nem conseguimos imaginar??? Então… me diga, como se arrepender de algo que não existiu, que não se consumou?
Mesmo algo que você tenha vivido e que tenha lhe causado prejuízos, mesmo um fato assim pode ser decisivo numa decisão futura, construtivo mesmo, p. e., um dia você pode decidir morar definitivamente no país B porque no passado você desistiu de morar no país A e ficou “arrependido”.
Entende?
Às vezes passamos por situações difíceis na vida… e, não raro, dessas surge algo como um amigo especial, ou uma lembrança de algo bom que nunca se esvai.
Sei lá, Magoo, eu tenho observado minha vida e concluo que todos os caminhos que trilhei é que me fazem ser quem eu sou hoje.
Sem arrependimentos. Só entendimento, construção.
Simples assim.
abraço!
ma