Não vou mentir: tenho receio toda vez que vou a São Paulo.
De todas as cidades do mundo a que já fui, São Paulo é a única que me dá medo. Talvez seja complexo de jeca-tatu indo para metrópole. Vai saber…
Haviam-me dito: Buenos Aires, Santiago, Bogotá, Medellín. Nenhuma dessas me deu medo quando pisei pela primeira vez.
Disseram-me ainda: Cidade do México. Seria impossível não se sentir acuado lá. Também não. Talvez por já estar na estrada há tempos, a Cidade do México não me impressionou. Seu tamanho, afirmavam. Nem o tamanho, porque na Cidade do México quase não há prédios; arranha-céus muito menos. A capital mexicana é uma grande, larga, imensa cidade de bairros com casinhas de no máximo dois andares.
Moscou? Também não. É grande, é incompreensível, mas não me deu medo. Quem sabe porque o perigo fala russo e de russo eu não entendo patavinas.
São Paulo já não. Os prédios estão por todos os lados, quase nada de árvores e parques.
Eu digo que São Paulo é a cidade do torcicolo. A todo momento ou se está olhando para cima, para as imensidades, ou se está olhando preocupado para os lados e atrás, à espreita de ladrões. Não há pescoço que aguente.
Não foi a primeira vez que fui para São Paulo e me senti um jeca-tatu. Não foi a primeira vez que voltei de São Paulo com a sensação de que gosto de ser um jeca-tatu.
Em Temuco, sul do Chile, conheci uma pessoa que me disse uma coisa sobre cidades que marcou minha vida e me fez pensar muito: “Eu moro em Temuco porque é uma cidade de dimensões humanas”. Pode-se abarcar a cidade sem recortá-la.
Se você for recortar São Paulo, restará ainda uma capital qualquer do Brasil, e isso é demais.


Duim
13 janeiro 2011
Caríssimo duim, responda meu e-mail, fazfavô. Quero saber doutras coisas, para além dos prédios e sentimentos de jeca-tatuzice.
Bitoca norueguesa.
Carol
13 janeiro 2011
Eu tenho a impressão de que uma cidade como São Paulo sempre causas sentimentos “fortes” por quem passa por ela. Podem ser de paixão ou de aversão, mas nunca vi ninguém passar por lá e se sentir indiferente…
Beijo da parsa brusquense!