Bah, taí uma pergunta difícil. Comecemos, pois, pelos nomes. Minha santíssima mãezinha, e por conseguinte o meu pai, me chamam de Maikon, aglomeração de letras que anunciaram ao escrivão no cartório. Aglomeração bem estranha, diga-se de passagem. Minha mãe diz que a encontrou em um livro, cujo título não lembra mais, e achou bonito.
Eu, confesso, nos primeiros anos de vida não gostava muito por conta dos inúmeros apelidos que tal aglomeração suscitava, os quais, a fim de me preservar, não citarei. Com o tempo, porém, fui me acostumando e hoje gosto. Se nem eu gosto do meu nome, quem é que vai gostar.
Paralelamente, por volta dos 14, 15 anos, depois de uma longa série de apelidos sem sucesso, fui agraciado, já não lembro nem mais por quem (desconfio que tenha sido o Zunga) com o já famigerado Magoo, que há muito vem me acompanhando. Ele é, preciso dizer, o que mais uso. Inclusive, quando penso em mim mesmo, me penso como Magoo.
Algum tempo depois do nascimento de Magoo (sim, refere-se ao velhinho cego que vive dirigindo seu calhambeque), veio o apelido de Piper, advindo de uma iniciação iniciática que deu início ao começo de tudo… Piper era, e ainda é para alguns, não só um apelido, mas um título honorário. De muito louvor, aliás.
Aos 22, 23 anos, quando fui para a França, recebi uma variação do meu nome, que, para mim, era mais um apelido que qualquer outra coisa: Maïkon (pronunciado Ma-í-kon). Era como os meus amigos estrangeiros de lá me chamavam. É, desde então, para um número restrito de pessoas, o meu nome-apelido.
Aos 25 anos, no primeiro ou segundo mês na Argentina, deu na telha da minha abuerucha (avó adotiva; sim, eu a adotei como minha avó), talvez por ter se enganado, talvez por tê-lo querido, de me chamar de Mike. Começou com ela e foi se espalhando pelo seu filho, seu neto, sua nota, amigos destes… Foi que fiquei também sendo conhecido como Mike.
Também há (sim, são inúmeros os meus apelidos) o Shak. Corruptela de Jack, nasceu do vício quase interminável de ver 24 horas. Meu roommate da época, Camilo Gonza-Gonza González, citado inúmeras vezes neste blog, era possuidor do Jack. Nós dois, orgulho de dizer isso, passamos 25 horas assistindo uma maratona do 24 horas (os 24 capítulos passado da 5ª e o primeiro da 6ª).
Por fim, mas não menos importante, há todos os apelidos carinhosos das ex-namoradas, os quais também não serão citados aqui, mas que existem e continuam sendo usados, mesmo que só na minha memória e na delas.
No entanto, acho que os meus apelidos ainda não conseguem dizer quem eu sou. Faltam ainda coisas. Mas o quê?
Talvez a minha criação pudesse dizer um pouco de mim. E se for falar de criação, preciso falar que sou barriga-verde de coração. Nascido em Criciúma e tendo morado em Brusque, tenho Santa Catarina como meta para a minha velhice. Até lá, vou mantendo a minha ligação com o Vale do Itajaí, onde morei por dois dias neste ano.
Por outro lado, se nasci em terras catarinas, foi no Paraná que me criei. Dos 6 aos 22 morei em Curitiba. Embora de sangue catarinense, sou um curitibano escrito. Jeitos, trejeitos, sotaque, visão de mundo. Tudo de um bom cabralense que fui, sou e sempre serei (já quis negar isso, mas hoje vejo como parte essencial de mim; todo mundo, em alguma medida, precisa se reconhecer com algum lugar de criação).
A catarinencice e a curitibanice, porém, nunca me bastaram. Sempre tive esse ímpeto latente de querer mais, não necessariamente melhor, mas tão-só diferente. A minha primeira oportunidade real foi quando, por acaso, fiquei sabendo de uma bolsa-trabalho para ser professor assistente na França. Organizei todos os papéis necessários, mandei e ganhei. Meses depois estava morando na França, primeiro em Paris e depois em Clermont-Ferrand.
Voltei, terminei a faculdade e saí de volta, dessa vez para Buenos Aires. ¡Ay, mi Buenos Aires querida! Durante um ano e meio as aventuras, desventuras e presepadas em terras argentas só foram confirmando o que eu já sabia: em bom português, o meu lance é morar fora! É por isso o tom escapista de tantos posts.
Agora, será que os meus apelidos e a breve história da minha vida conseguem resumir quem eu sou? Ainda acho que não. O que mais estaria faltando?
As pessoas com quem convivi, os livros que já li, os filmes que já vi, as meninas de quem já gostei, os lugares a que já fui, os pensamentos que tenho… A lista de tudo isso seria interminável. Seria eu, pois, uma pessoa sem fim? Se sou sem fim, não teria como dizer quem sou. Mas quero dizer quem sou. Logo, como fazer? Que mais dizer para deixar claro quem sou?
Quem sabe dizendo as coisas de que gosto. A primeira delas é escrever. Não é a primeira porque é a mais importante, mas sim porque, uma vez que estou escrevendo, é obviamente a que veio primeiro à mente. Depois, teria a leitura. Além de gostar trabalhar com isso, também gosto de ler por si só. Romances, esclareçamos. Há também o gosto por dirigir, por andar de patins, por ver filmes, por comer (é importante que o gosto por comer é muito importante!), por estar vadiando com os amigos… Há muitos gostos.
Ainda assim, porém, acho que não estou conseguindo dizer quem sou. O que é que está faltando? Talvez não esteja faltando nada. Talvez dizer quem se é seja uma coisa de todos os dias, de cada minuto. Só morre quem está vivo. Só se descobre quem se procura.
Enquanto eu não morrer, vou aí contando algumas histórias…



Não, não precisa dizer quem você é
Basta alguns minutos contigo pra saber que você é uma pessoa linda!!!!
mas sei que é teimoso e vai dizer, “mas quero dizer quem sou”
ok, vai lá… nem sua teimosia, muito menos a cara brava, estragam quem você é
beijos
Duíímmmmmmmmmmmmmmmmmmmm….
esquecesse desse!!!
Beijunda.
Gostei do blog, muito bom!