Bons Ares

Tem dia que só amanhã!

Finados de rolê 9 Novembro 2009

Nunca escondi de ninguém que não sabia andar de bicicleta.

Quando criança, lá pelos 6, tive uma bicicross (se é que assim se chamava) azul, com pneus para o barro, um pouco grande para o meu tamanho. Como não sabia andar, meu pai pôs rodinhas nela, para que me ajudassem no equilíbrio. Se eram úteis, não sei dizer. Fato é que não me ajudaram a aprender. Talvez, mas só talvez, tenham me atrapalhado.

A minha era azul e tinha rodinhas

A minha era azul e tinha rodinhas

Fui então uma criança parcialmente motorizada. Não sabia andar de bicicleta e tive que dar meus pulos para encontrar uma solução para esse impasse na hora das brincadeiras. Inventávamos corrida de tudo, menos de bicicleta: carrinho de mão, carrinho de rolimã, patinete, etc.

A infância se passou e consegui sobreviver ao não-pedalismo.

Já tinha até esquecido que não sabia andar de bicicleta quando entrei na adolescência. A patota toda, e sobretudo o Zunga (meu amigo mais próximo), andava, menos eu. Mais que na infância, não ter uma magrela começou a me incomodar. No entanto, ao invés de arranjar uma e aprender, enveredei para outro “brinquedo” de rodinhas: o patim. Com o mesmo Zunga, que hoje se chama Brahmarsi Das, nos embrenhamos pelas ruas de Curitiba de patins. Até tivemos um time de hóquei.

Jogávamos mais ou menos assim

Ficamos anos andando de patins para lá e para cá, até que eles chegaram a um ponto em que se destruíram e não podiam mais ser usados.

Mais ou menos na mesma época, começou a fase de namoricos sérios, e o patim, e por conseguinte a ainda não bicicleta, foi deixado para trás.

Vem a época de faculdade e a locomoção massiva de ônibus tem lugar. Biarticulado, Ligeirinho… De ônibus, porém, não quero falar. Novidades não há.

Em seguida, a longa fase do automóvel movido a combustível não humano, que dura até hoje: tive meu primeiro carro. É carro para cá, é carro para lá, é viagem para a praia… O carro vira o centro das atenções. Tudo se faz para ele e com ele.

Car way of life

Vou para a Europa e, em Amsterdam, influenciado pelo clima da cidade e querendo fugir do friaca dos demônios (não sei mais quantos graus estava; prefiro não chutar, porque desconfio que cada vez que conto essa história modifico detalhes como esse), aprender a me equilibrar sobre a bike. Seria, a meu ver, o primeiro estágio, simbólico, do aprendizado. Isso não quer dizer, porém, que eu fosse capaz de desviar de obstáculos tais como um árvore ou uma pessoa caminhando. Preferi, naquele entonce, me ater àquela experiência noturna

Aprendendo em Amsterdam

Outros anos se passam e, já de volta ao Brasil e novamente com carro, a comodidade se instala completamente. Aonde podia ia com ele, mesmo que seja até a padaria, que ficava a três quadras de casa. Junta-se a isso o fato de começar a trabalhar no melhor estilo “bater cartão & pensar em férias & bater cartão & fazer hora extra & economizar para viajar & bater cartão & ter dores por todo o corpo de passar o dia sentado & etc”.

Ninguém merece

Não se preocupem, já vamos chegando aos dias de hoje.

Até que, levado por todo um contexto muito particular, decido por A mais B que ia, de uma vez por todas, domar aquele maldito animal chamado camelo. Ia acrescentar mais essa habilidade ao meu currículo: a de saber andar de bicicleta.

É claro que para muitos isso parece besteira, pois é coisa de a se aprender quando se é criança. Mas, como essa lacuna não foi preenchida na minha infância, ela foi virando uma bola de neve depois de adulto. Não posso dizer que foi difícil aprender, mas também não posso dizer que foi fácil. Houve dificuldades (de vergonha, por exemplo) a serem contornadas.

Uma vez decidido a aprender e ciente dos meus limites físicos, fui aprendendo aos poucos. Primeiro fiquei tentando relembrar o que aprendi em Amsterdam, no Vondelpark, em espaços abertos e livres de obstáculos. Depois, fui dar umas voltas acompanhado de amigos pela ciclovia. Em seguida, comecei a ir sozinho diariamente à ciclovia, em horários pouco movimentados, para treinar. Em seguida, quando já dominava mais o animal antes indomável, ia nos horários de pico. Só foi então e há poucos dias que comecei a incursionar pela rua, respeitando as seguintes fases: ruas inóspitas e mortas; ruas pouquíssimo movimentadas; ruas pouco movimentadas; ruas movimentadas; e caos. Já até o nível das ruas movimentadas, mas ainda não enfrentei o caos. Pretendo logo fazê-lo.

Os rolês do feriado do Dia de Finados foi a corroboração e concretização das minhas novas habilidades como ciclista, ser com quem já começo a me identificar.

Na sexta já fui dar uma volta pela ciclovia com o Piper. Nos encontramos no Bosque do Papa, fomos ao Parque São Lourenço, Barreirinha e seguimos até o “Pólo-Xopim”. Para o dia seguinte, marcamos com o Cabrito de fazer o famigerado Clube do Bolinha em algum parque da cidade. O ponto de encontro foi o Eppinghaus. Caloreira beirando os 30°. Subimos até o Bosque da Língua Portuguesa. Sentados à sombra de uma árvore, discutimos parte do que tínhamos que discutir e fomos comer na Fagundes Varela. De lá fomos tomar um cafezinho decente lá do lado do quartel e descemos até a praça da Suíça, onde terminamos as discussões, também jogados na grama.

Cabra então se separou, mas Piper e eu viemos até em casa. Estivemos por aqui até umas 21h, quando fomos ao mercado, compramos o de-beber e fomos à festinha de um amigo nosso. Tudo isso de bike.

Às 2h, com o bucho cheio de carne e contentes, viemos cantando “menos carros, mais bicicletas” pelas ruas desertas.

No domingo, outro rolê de bike por aí com Camilo.

E à noite, quando estávamos todos aqui em casa já meio bundeando, bradamos: rolê noturno! Piper prepara-se. João Arthur prepara-se. Eu me preparo. Investidos cada um de suas bikes e outros apetrechos, saímos à rua. Rolezaço gigante à vista. De casa vamos até o Largo da Ordem, Rua XV, Praça Osório, Batel, Praça da Espanha, Parque Barigui, Rua 24 Horas, Praça Santos Andrade, e Praça 29 de Dezembro. Guiados por nosso amigo Jean Valjean, vamos conhecendo as árvores da cidade. Tipuanas, tamareiras, paus-brasis, etc.

Tamareira

Chegamos em casa às 3h30, com direito à passada na padoca 24 horas para comer um queijo quente.

Acho que já posso dizer que sei andar de bicicleta. Falta agora virar um ciclista…

… e dar sorte de cruzar com a Liz Hatch por aí…

 

Da arte de comer sozinho 25 Março 2009

Arquivado em: Mercês — Maikon Augusto Delgado @ 10:30

Ao contrário do que muitos dizem, eu não acho chato comer sozinho. Aliás, gosto. Não porque eu possa ficar pensando em minhas coisas com tranquilidade, não porque possa chegar e ir embora sem ter que dar satisfações ou esperar, não porque possa comer rápido ou muito devagar sem que reclamem, mas sim porque é por estar sozinho que me passam coisas diferentes. 

Como já sou assíduo do V., chego, cumprimento, me sento e pronto. Depois, na hora de ir embora, só deixo ali os tickets restaurante e vou embora, caso haja fila para pagar. Tenho, inclusive, conta com eles. Poderia fazer fiado às vezes se quisesse, mas não faço porque “Fiado só amanhã”. Minha filosofia-mor pessoal.

Geralmente chego para almoçar às 12h15. É o tempo de sair da agência, cruzar o Batel, sempre com trânsito, e chegar no restaurante, onde estaciono (para aqueles que não sabem, o V. fica do lado da minha ex-casa, na mesma rua e mesma quadra). Fico por lá até umas 12h40, 12h50. É o tempo de fazer meu prato, comer sobremesa, tomar suco. Sempre chego em casa, onde fico descansando até a hora de voltar ao trabalho, com o Globo Esporte começando (também para aqueles que não sabem, na minha casa só pega Globo!).

São, porém, nesses 30 minutos que fico no restaurante que acabam acontecendo comigo coisas inusitadas, e justamente por sempre comer sozinho e já “ser de casa”. Quando tem muita gente comendo ou esperando, os donos me pedem ou para receber na mesa pessoas que estão de pé ou para me sentar na “mesa dos sozinhos”, na qual volta e meia se junta um grupinho de comensais solitários. É quando acabo conhecendo os habitués: o casal do CRM, ela alta e morena, ele alto e de cabelos curtos; o amigo deles, aparentemente médico; outro casal, ele alto e meio louro, ela alta, morena e maravilhosa; a japonesa que sempre chega de carro e fica falando ao telefone enquanto come; o vegan estudante de Educação Física; o marido da cozinheira; a D., que trabalha com o meu housemate O. e que de vez em quando vai comer com o filho e a mãe; o casal religioso com cara de “nós pagamos o nosso dízimo, e você?”. Eu não pago não, algum problema?

Em outras palavras, eu, que tenho tendido a comer sozinho para depois poder descansar em casa, acabo, como diria minha santa vozinha, fazendo coleguinhas…

 

 

 

Murtinha 31 Agosto 2008

Arquivado em: Mercês — Maikon Augusto Delgado @ 23:26

Tenho que começar dizendo que eu cometi o crime, muito embora não seja culpado nem criminoso.

Que crime? Estacionar em lugar/local impróprio. Quando? Hoje, às 7h27. Onde? Na frente da minha digníssima nova casa, mais especificamente bem diante do portão de entrada.

À primeira vista, não deveria haver muito o que dizer a respeito. Parei o meu querido carro onde não devia e tomei multa. Pá-pum! Sem mais.

No entanto, o buraco é mais embaixo. Contextualizemos um pouco a situação para melhor entendê-la.

Comecemos pela macrossituação: século XXI, mundo globalizado, Brasil, Paraná, Curitiba. Dizem que a economia anda bem, mas a verdade é que algo sí, pero no mucho. A conjuntura está melhorando, mas isso não quer dizer que esteja boa e que o resto dos problemas típicos de um país de terceiro mundo esteja sendo resolvido. As pessoas continuam trabalhando bastante para ganhar muito pouco e sustentar a corrupção alheia, não conseguindo viver e sim só sobreviver, de forma que a pobreza e violência só fazem aumentar.

Microssituação: bairro das Mercês, classe média-média, com alguma proximidade de regiões menos favorecidas. Como não poderia ser diferente, muitos conjuntos cheios de blocos (verdadeiros pombais e cortiços) têm lugar no bairro, especialmente na minha rua. Aliás, só o meu possui pelo menos 8 blocos de 12 apartamentos cada, há outro similar.

Peguem suas calculadoras e vamos às contas. Só no meu “complexo habitacional” são, ao total, cerca de 96 apartamentos e (se contarmos, já que são imóveis de 3 quartos, uma média de 3 pessoas por apartamento), 288 moradores. Mais as 288 pessoas do conjunto da frente, que é igual ao meu, chegamos ao impressionante número de pelo menos 576 pessoas vivendo na mesma quadra.

Somos então quase 600 pessoas dividindo um mesmo quarteirão. Desse total, supondo que apenas 20% dos moradores possuam automóvel, haveria cerca de 120 automóveis nesses 50m da quadra. Supondo ainda que para 70% (um número bem generoso) houvesse garagem, restariam ainda 36 carros (isso só dos moradores, sem contar, é claro, os de todas as visitas, namorado(a)s, mães e pais que vêm visitar) para serem estacionados na rua.

Parece pouco? Continuemos, pois, a conta. Fazendo uma média generosa de 3,5m de comprimento por veículo, teríamos um total de 126m de carro a serem estacionados na rua. 126m os quais viram mais ou menos uns 150m ao contarmos a grandessíssima habilidade dos curitibanos ao estacionarem (chegam, muito freqüentemente, a conseguir pôr um único carro, com um espaço imenso entre a lateral e o meio-fio, na vaga de dois). Tendo a minha quadra uns 50m por 50m, teríamos 400 metros (os dois lados da rua) para estacionar os 150m só daqueles dois conjuntos da Solimões. É óbvio que por si só é pouco. Precisamos contar todos os outros moradores e visitas de todas as outras casas e prédios ao redor.

Para complicar, na minha própria rua, só se pode estacionar de um lado da via, e desse lado quase metade dos 50m está inutilizada: uns 10m privativos para táxis, outros 10m de entradas de imóveis e faixas amarelas completamente desnecessárias. Fazendo uma média de 30m por lateral da quadra, teríamos 120m. Duplicando por 2, teríamos só 240m. Muito, mas muito pouco para estacionar os 150m só dos pombos moradores dos dois cortiços.

É preciso explicar também por que as outras laterais da quadra não podem ser utilizadas. Na parte da Rua dos Capuchinhos tem um “pusta” bosque que vive abrigando meliantes com intenções um pouco duvidosas, o que faz com que os arrombamentos de carros, vidros quebrados e sons roubados sejam muitos, de maneira que na Capuchinhos não tem (conselho de todos) como estacionar. Na Desembargador Vieira Cavalcanti, que já é a lateral oposta à da minha rua e por si só um pouco distante, só se pode estacionar de um lado da via, sofrendo do mesmo problema que a Solimões. Já na Jacarezinho, quase não dá para estacionar porque é via de trânsito rápido e mais perigoso no sentido de roubo.

Voltando, pois, à Solimões, na frente dos dois conjuntos tem dois porteiros 24 horas que, querendo ou não, ficam de vigília e fazem desses disputados 30m o lugar mais tranqüilo para deixar o carro de toda a quadra. Como fazemos então os moradores e os visitantes à noite? Estacionamos por toda a quadra, inclusive em cima da calçada, onde, para evitar problemas com a polícia, até já pintaram com tinta de verdade várias vagas.

Mas antes de dizer que a polícia não colabora e de eu reclamar disso, preciso fazer mais uma análise e explicar por que me incomodo com a sua não-colaboração. A mesma polícia, que é incapaz de manter a paz e a segurança dos moradores da região, que não consegue evitar os arrombamentos e outros incidentes e muito menos prender quem faz isso, que, como pedido de desculpas, tampouco paga pelos vidros quebrados, portas arranhadas ou pneus furados, essa mesma polícia, seja de noite ou de dia, insiste em multar os coitados dos moradores que, em uma tentativa de evitar o pior e o prejuízo de todos (do próprio proprietário ao ter que mandar arrumar o seu carro; da polícia ao perder o seu tempo fazendo um esdrúxulo BO, gastando combustível advindo dos impostos dos cidadãos, gerando desgaste dos bens da União e aumentando a já crescente descrença do contribuinte na “puliça”), põem seus carros lá. Sem falar que são esses pobres-diabos que trabalham o dia inteiro, passam seus horários de almoço em filas de banco para pagar contas cada vez maiores, que trabalham que nem camelos para, com seus injustos salários, pagar contas e mais contas, que precisam manter em dia seus impostos para não serem comidos pelo Leão e manterem toda essa máquina estatal funcionando; são esses, incluindo a mim mesmo nessa categoria, quem pagam o pato e tomam na cabeça. A polícia, ao invés de nos multar, deveria consciosamente fazer vistas grossas à situação, já que não melhora nada, e ir atrás dos inúmeros bandidos corruptos que ficam sonegando por aí à solta…

Mas também não quero ficar aqui com esse papinho de tio bêbado de que “Só tem corrupto nesse país e blábláblá!”. Como disse, confesso que cometi um crime do qual creio que não sou culpado. Por outro lado, sou obrigado a dizer que as pessoas deveriam se ajudar e não se foderem umas as outras, como vivemos fazendo. O que me deixa mais puto é que depois esse mesmo policial, quando for ao supermercado comprar uma caixa de suco e pagar pelo menos R$3,00, fica se perguntando por que o Brasil não vai para frente. Se parasse para pensar, entenderia!

 

À mercê das mudanças 12 Agosto 2008

Arquivado em: Mercês, Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 13:17

Eu indo e vindo. Coisas acontecendo. Pessoas entrando e saindo da minha vida… Mudanças, muitas, têm ocorrido e ficando claro que são imprescindíveis para mim. Preciso de mudanças constantes e acontecimentos na vida. Fazem parte de mim e vão aos poucos me constituindo. Chego até a necessitar desse constante constituir-se. É da minha natureza deixar-se perfazer pelo alheio e pelo desconhecido. Talvez por isso tamanho apreço pelas viagens.

Fico então pensando em como é estranho o ser humano. Ela está à mercê daquilo que não conhece, daquilo que não tem a menor idéia que vai acontecer mas que vai acabar modificando-o de alguma maneira. É uma palavra de alguém no café, um gesto na rua, um cruzar com alguém que, fazendo você tomar uma decisão em meros dois segundos, pode mudar a sua vida quase que completamente. Quantas vezes isso já não aconteceu com você? Pense naquela pessoa que te disse alguma coisa que nunca mais saiu da tua cabeça.

Eu me lembro muito bem de um professor de Filosofia Contemporânea que tive. Ele pediu um trabalho escrito para a turma. Entregamos, ele leu e nos devolveu. No meu, estampado com um humilhante 3 (valia 10), vinha escrito: “Favor aprender a escrever urgentemente!” Aquilo mexeu comigo profundamente, ainda mais porque ele tinha plena razão no seu pedido. Eu não sabia escrever, não conseguia estruturar as minhas idéias e, por conseguinte, não tinha a menor capacidade de dizer o que queria. Fora o fato de que sofria horrores para escrever um único parágrafo. Quando leio aquele e outros trabalhos da época, chego a ter vergonha. O que fiz? Comecei a estudar e escrever um monte, porque, ao contrário do que dizem, só ler não te faz escrever bem. E quem diria que hoje ia gostar tanto disso e ia trabalhar justamente com a escrita?

Aliás, confesso aqui para vocês, de curioso que sou peguei um livro lançado por esse professor e encontrei alguns erros de português…

Uma frase que acabou mudando a minha vida. Quanta repercussão por causa de quatro ou cinco palavrinhas! E quantos desses exemplos não poderia eu continuar elencando, exemplos os quais acabaram me modificando? Ou ao contrário: quantas mudanças nas outras pessoas não posso eu ter gerado sem querer? Nenhuma atitude passa incólume por este mundo.

Em poucas palavras, foi uma série de palavras, ditas e não ditas, que me trouxeram de volta para o Brasil. Essas mesmas palavras refletem ainda hoje em alguns encontros e desencontros… Outras têm o poder de te fazer permanecer ou não em uma situação. Às vezes, por fim, tão-só o silêncio ou a ausência te fazem agir. Algumas pessoas já aprenderam isso na vida; outras ainda não.

Bom, o fato é que as coisas continuam mudando. No meu caso, ainda bem. Se para melhor, se para pior, continuam mudando. O importante é estarem a movimentar-se, como diriam os portugueses. Mais um capítulo se acrescentou à história que ainda vou escrever sobre as minhas moradas. Tem-se, ao longo do tempo: Criciúma; Brusque; Rua Vereador Antônio dos Reis Cavalheiro, 670; Visconde de Guarapuava, 150; 37, rue Piat; 32, rue des Planchettes; 16, avenue des Paulines; Felipe Vallese, 450; novamente a Vereador; Paula Gomes, 385; e agora Solimões, 1457. A próxima? Só Deus sabe. E confesso que não quero saber. Prefiro o mistério.