Bons Ares

Tem dia que só amanhã!

A história do trovador húngaro Eruk Zjarm Fanalau 27 Julho 2009

Arquivado em: Causo, Pensação, Texto, Uruguai — Maikon Augusto Delgado @ 01:37
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Desde meus 13, 14 anos eu escrevo. No começo, ousava fazer umas rimas péssimas que, em conjunto, chamava poesia. Algum tempo depois, dando-me conta de que eu era uma negação completa como poeta (não tenho tino nem alma para isso), comecei a me dedicar mais à prosa. Mantinha uns diários (devo ter mais de 15 cadernos guardados, todos escritos à mão), onde tomava gosto pela escrita. Diário, porém, nunca foi muito um formato do meu agrado. Além de me ver como tema recorrente, o que é um enfado, ainda acabava me repetindo nas análises (chega uma hora em que você já se disse tudo).

Parti, então, para a ficção. Não sei se posso dizer que me encontrei nela, mas foi o formato em que fui me adequando mais. Com uns 17 anos, escrevi uma coletânea de minicontos ultrarrevolucionários juvenil (no sentido de romper com a gramática), que intitulei de Pequeno Livro do Mundo. Ficou banhado daquela juventude reacionária.

Dei início então a uma novela intimista intitulada Confissões de Nemo. Dei o nome de Nemo antes mesmo de sair o filme da Disney. Talvez hoje em dia eu devesse mudar o título para Confissões de um peixe.

Terminado, comecei uma história infantil. O projeto inicial era para ser um livrinho infantil curto, mas acabou virando um bíblia enorme. Chama-se O Monstro Ué.

Inspirado em uma tema que sempre me interessou (o suicídio), teci uma outra novela: O suicídio de Hector.

Novela é um formato que me agrada pelo seu tamanho. Acabei escrevendo uma coletânea delas, todas em volta do mesmo tema (como viver sua vida sem desperdiçá-la). Fechei o conjunto com umas quatro ou cinco novelas. Dei-lhe o nome de Vidas Perdidas.

Na sequência, escrevi várias coisas, dentre as quais ensaios, uma paródia de Cartas a um jovem poeta, do Rilke, roteiros de curtas, um livro-correspondência, etc.

Quando ainda estava na Argentina, vim para o Brasil de férias. Revendo os amigos, conversei um com o Cabra, que é músico, compositor, escritor e poeta. Mas também sonha. Sonhos sempre estranhos e meio inexplicáveis. Um deles o fez acordar de madrugada, levantar e escrever de supetão uma poesia que lhe veio enquanto dormia. Era uma poesia bucólica em estilo de cantiga medieval. Nessa nossa conversa, ele me contou o sonho, me mostrou o texto e me contou a história de um personagem que estava criando: Eruk Zjarm Fanalau. Minha cabeça já começou a trabalhar naquela hora. Dias depois, antes de voltar para Buenos Aires, disse-lhe que o personagem tinha me fascinado, que eu estava “pirando” nele e lhe pedi autorização para criar algo em cima. Ele me disse sim.

Um ano depois terminei A história do trovador húngaro Eruk Zjarm Fanalau. Estruturei o texto de uma maneira diferente, como se eu fosse o tradutor de uma obra já existente.

Sendo assim, se tiverem paciência e tempo, convido-os a conhecer um texto que já leva mais de ano na minha gaveta, perdido em meio aos outros. Para baixá-lo, basta clicar no link abaixo:


A história do trovador húngaro Eruk Zjarm Fanalau

 

Run away in the highway 30 Março 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 15:00

Estou em Washington, de pé na rua. O céu está nublado, as ruas mais ou menos vazias. Caminho por um jardim enorme e chego a uma casa. Enorme, bem cuidada, de família abastada. Não sei como, mas entro. Os seguranças me vêem e não dizem nada. Não paro. 

Dentro da casa, fico percorrendo os cômodos a esmo, sem preocupação. Sei que nunca estive naquele lugar, mas não me sinto incomodado. Sentado na sala, me sirvem um chá. Delicioso. Chego até a tocar piano (um sonho de criança, o de ser pianista).

Meia hora depois, uma pessoa entra na sala e me cumprimenta. Não sei quem é, mas a conheço. Deixo o piano de lado e me sento ao lado dessa pessoa. É um homem. Como amigos, começamos a conversar. Dou-me conta então que ele é filho do B.  O. 

Conversamos.

Sei que tenho que ir embora à noite. Embora não tivesse esperança de conhecer Obama, acabo encontrando-o na varanda, enquanto jantava. Damos início a uma longa conversa sobre política. Ele me convida para jantar. 

Jantamos.

Depois, ao lado do seu filho, em uma grande sala vazia, nos sentamos os três no chão. Tenho a impressão que os dois vão fumar um baseado, mas me engano. Na verdade, tiram uma carreira de cocaína e cheiram. Tiram outra droga, que não sei qual é, esquentam-na em uma colher. Ao injetar o conteúdo, Obama se transforma. Seu rosto cria feridas pútridas, seus olhos ficam vermelhos. No seu braço direito, na altura do cotovelo, grandes marcas escuras de picadas de injeção aparecem. Ele olha para mim. 

Neste momento sei que estou sendo usado como bode expiatório. Sem saber direito o que fazer, me levanto e saio correndo. Ouço nas minhas costas ordem de prisão. Aperto o passo. Já fora da casa, vou me embrenhando pelo jardim na tentativa de fugir. Sinto que estão no meu encalço. Suo. 

Na rua, consigo roubar uma D-20 americana e saio dirigindo como um louco pelas avenidas de Washington. Vários carros me perseguem. Sem saber muito o que fazer, tento despistá-los sem muito sucesso. Já sem muita saída, continuo dirigindo pelas highways ad infinitum… e acordo.

 

A tal da casa parecia com esta

A tal da casa parecia com esta... (???)

 

 

 

Este foi um sonho que tive na noite de sábado para domingo. Eu, que não sou de lembrar de nada que sonho, levantei com tudo isso na cabeça e não esqueci. Achei estranho e resolvi escrever. Vai lá saber por que sonhei com isso…

 

 

O cúmulo da contradição 23 Março 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 11:24

Ouvir do cozinheiro de um restaurante vegetariano que ele não vai almoçar no trabalho porque tem uma costela suculenta esperando por ele em casa…

E o pior é que eu ouvi isso mesmo!

 

 

 

E mais um CEP para decorar… 3 Março 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 11:09

Depois da volta de Buenos Aires, acrescento mais um endereço à minha lista de residências. Desde a volta, já são quatro: minha mãe durante 3 meses, Navegantes (por dois dias, até ser chamado para trabalhar no IESDE), minha mãe novamente por quase outro mês, Paula Gomes por 3 meses, Solimões por 7 meses e agora Travessa General Francisco da Lima e Silva, onde temos (eu e meus housemates) contrato de um ano. 

O sábado da mudança, há três semanas, foi passado carregando caixas e mais caixas. Com tanta coisa para mudar e só o porta-mala do carro e bancos traseiro e do passageiro (depois acabei me arrependendo de não ter alugado um frete), tive que fazer inúmeras viagens. A odisseia começou às 7h30 e só foi terminar às 21h, quando, já com o meu quarto montado, tomei um banho e me sentei na poltrona da sala para descansar.

No entretempo, muitas coisas aconteceram: encontrei uma ex-affaire; quase amassei a minha porta (a faxineira fechou o portão do prédio novo comigo passado e, não fosse eu ter visto e arrancado rápido, tinha estourado a lataria do meu carro; molhei meu carro por dentro com a água restante no cano da máquina de lavar; pegamos chuva; etc.

Mas vai valer a pena. O apartamento novo é bem maior, bem mais bonito e ainda, de quebra, tem vaga para o meu carro, que já estava cansado de ficar ao relento lá na Solimões. 

No domingo subsequente, lá pelas 22h, fizemos o primeiro jantar oficial juntos. Acertando as burocracias caseiras, detalhes, etc. 

O novo apartamento é um concorrente sério ao de Little Horse no que diz respeito aos possíveis bons momentos passados. A ver que pasa

Quanto ao CEP de lá, vou ter que entrar no Correios para descobrir, porque até agora não sei.

 

 

 

Eu sou o mesmo, mas os meus cabelos… 11 Fevereiro 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 23:25

Depois de longos quinze posts da UYtrip, chegou a hora de mudar um pouco a cara do blog. Ano novo, novo blog. Vamos ver se ele cativa as massas…

 

 

 

UYtrip – dia 14 6 Fevereiro 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 12:23

Penúltimo dia de viagem. Chegamos ao ponto culminante: Cabo Polonio. O lugar a que mais queria ir na viagem. E não só desde os preparativos.

Há pelo menos dois anos, quando ainda morava em Buenos Aires, saí uma noite com o Camilo para tomarmos uma cervejinha no Gibraltar, um pub típico de San Telmo cheio de gringos.

Gibra

Gibra

Lá, conheci uma holandesa que já tinha viajado o mundo inteiro. Nascida em Amsterdam, cresceu na Tailândia. Morou na África e veio para o sul da América Latina com uns 20 e poucos. Só isso já é ensejo para conversar durante uma noite inteira. Lá pelas tantas, sentados no balcão ainda tomando cerveja, perguntei-lhe: “Me diga uma coisa: você, que teve oportunidade de conhecer o mundo inteiro, tem especial preferência por um lugar? Algum que tenha te marcado mais que outros?”. Para minha surpresa, ela respondeu de primeira, sem nem hesitar: “Cabo Polonio”, no Uruguai. Tendo ela já viajado por tudo, achei inusitado escolher um lugar justamente no Uruguai. Por si só já é inspirador, ainda mais porque é um país vizinho. Pedi que ela me contasse mais. Desde então, tinha muita vontade de voltar.

Com tudo isso em mente, acordei de manhã animado. Ia ser um dia massa. Camilón e eu levamos as coisas para o carro e fomos tomar café-da-manhã (pão, doce de leite e café ruim). Na mesa-refeitório do hostel, nos sentamos ao lado de duas garotas argentinas. Demos bom-dia e, como mal responderam, ficamos por isso. 

As tais

As tais

De repente, uma delas olha bem para mim, estica o braço, aponta para o pão e faz um gesto de abrir e fechar a mão. Sequer usou um “pán” ou “por favor”. Pressumi que ela gostaria que lhe passasse o pão e pensei: “Puta mina mal-educada, caralho”.

Quero!

Quero!

Essa mesma garota, no noite anterior, tinha feito algo similar com o Camilo. Estávamos os dois sentados na mesma mesa comendo empanadas e tomando cerveja com o pessoal do hostel. Ela, que daqui para frente será chamada de Gloria (obviamente é o seu nome verdadeiro), lhe passou uma cerveja, olhou para o Camilo, com o mesmo olhar que lançou sobre mim, e disse: “Abrila“. Mais uma vez nada de “por favor”. O Camilo olhou para mim e fez aquela cara de desgosto e “Qualé dessa mina?” que ele sempre faz. Eu lhe disse: “Abra e foda-se. Deixa quieto”. Aberta a cerveja, ele a devolveu para a mademoiselle educação, que nem agradeceu. 

Voltando ao café-da-manhã, flashback. A mademoiselle educação Gloria aponta para o pão e mexe a mão, dando a entender que queria que lhe passasse a cesta. Dou risada e lhe passo. Foda-se. 

Enquanto comíamos, Camilo e eu ficamos conversando sobre Cabo Polonio e pensando na trip. Gloria, que devia estar escutando nossa conversa, inacreditavelmente formula uma frase completa, com sujeito, verbo e predicado, sem nenhuma ordem no meio: “Vocês dois estão indo para o Cabo? Nós também. Podemos pegar uma carona?”. Enquanto eu e o Camilo nos entreolhamos, os dois com aquela cara de “Você, depois de toda falta de educação, ainda tem a pachorra de pedir carona?”, Patricia, a amiga da Gloria, que estava na mesa esse tempo todo, tentou se esconder para não morrer de vergonha. 

Me dá uma carona?

Me dá uma carona?

Meu incauto companheiro de viagens e eu nos entreolhamos de volta com o mesmo pensamento na cabeça (esse é o bom de conhecer uma pessoa há tempos; você sabe o que ela está pensando): “Por que não? Vamos ver qualé dessas duas loucas. Se tretarem muito, damos a carona e depois nos separamos em Cabo”. Eu ainda pensei: “Isso aí é que nem cavalo chucro, depois de domado fica mansinho, mansinho”. 

Depois de domado, fica mansinho, mansinho...

Depois de domado, fica mansinho, mansinho...

Pois bora lá.

Demos uma organizada no Gonza para que todos entrassem com conforto e partimos. No caminho, Patricia foi puxando conversa. Respondíamos com reciprocidade. Gloria, a mademoiselle educação, foi entrando na conversa, participando mais e dando risada das nossas besteiras. Pela metade da viagem (não mais de 40km), já estávamos com uma impressão de que elas eram gente fina, inclusive Gloria. Apesar do humor ácido (que despertou em mim um interesse de desafio de ver qualé daquela mina), Gloria foi se mostrando simpática depois das primeiras abordagens. Patricia, bem mais dócil, gente boníssima. 

Chegamos na “entrada” para Cabo Polonio e estacionamos. Pelo que tinham nos dito, era impossível chegar a Cabo de carro. O caminho para lá, no meio das dunas, só permite que jipes, bugues ou caminhões especialmente adaptados acedam. 

Caminhões adaptados que dão acesso ao Cabo

Caminhões adaptados que dão acesso ao Cabo

Já nos fazendo amigos, compramos nossas passagens para um desses caminhões, subimos na carroceria e mandamos ver. Me sentei em cima da cabine, ao lado de dois hippongas muito loucos (que vivem pela vida há 10 anos), que foram me falando de Cabo e de outras praias dos arredores. 

Mal pegamos o caminho me dei conta de que era verdade que carros comuns não conseguem chegar. No meio daquelas dunas, íamos ficar completamente atolados na areia. O Gonza sofreria.

Se ele não aguentou, imagine o Gonza...

Se ele não aguentou, imagine o Gonza...

Eu, que já estava impressionado com a beleza das dunas, fiquei mais de cara ainda quando o caminhão chegou à praia, ainda longe de Cabo. Era, sem sombra de dúvidas, o lugar mais bonito da viagem.

Chegando à praia, com vista para Cabo Polonio ao fundo

Chegando à praia, com vista para Cabo Polonio ao fundo

Roots style

Roots style

Sempre pela areia, andamos ainda uns 10 minutos de caminhão até chegar à vila de Cabo. Sem energia elétrica e bem rústica, localiza-se ao lado do farol e de uma encosta de pedras. De estilo meio hipponga, as casas acabam perfazendo um lugar muito pitoresco.

Descemos da caçamba do caminhão e, levados pelo impulso de conhecer a reserva de lobos-marinhos, fomos para o lado do farol.

Camilonga em direção ao farol

Camilonga em direção ao farol

Mademoiselle Educação (depois simpática) e Paty

Mademoiselle Educação (depois simpática) e Paty

Rumo ao farol

Rumo ao farol

Dizem que Cabo é um dos poucos lugares no mundo em que há uma reserva de lobos-marinhos ao lado de uma aglomeração humana. E quando digo uma reserva, falo de uns 300, 400 lobos-marinhos juntos berrando e fazendo o que lobos-marinhos fazem, que, pelo que vi, não vai muito além de dormir e lagartear no sol.

Bando de vadio

Bando de vadio. Não é à toa que se parecem com o Camilo.

De lá voltamos para os lados da vilinha e continuamos em direção às dunas.

Camilo, Gloria e Magoo voltando do farol

Camilo, Gloria e Magoo voltando do farol

No meio do caminho, paramos e deitamos na areia. Estávamos os quatro (eu, Camilo, Patricia e Gloria) já ficando amigos, de forma que não estranhávamos mais as esquisitices da Gloria. Aliás, tanto ela quanto a Paty já estavam nos caindo bem. 

Almoçamos deitados na praia e ficamos conversando.

Paty (a bronzeada) e Camilo (o gordo)

Paty (a bronzeada) e Camilo (o gordo)

Pelas tantas, incentivados pelo meu espírito aventureiro, desbravamos as dunas. 

Magoo, também gordo, em cima da duna

Magoo, também gordo, em cima da duna

E lá de cima descemos rolando. Terminamos à milanesa. 

À milanesa

À milanesa

Inspirados pela presepada e loucos para tirar o caráter à milanesa de nossas pessoas, entramos no mar quase sem titubear…

Que ideia idiota que eu fui ter!

Que ideia idiota que eu fui ter!

… mesmo a água sendo muito fria.

Será mesmo?

Será mesmo?

E não é que tive uma ótima surpresa? Ao lado de Praia de Ponta Negra, nos pés do Morro do Careca, em Natal-RN, Cabo Polonio se mostrou como uma das melhores praias para pegar jacaré a que já fui. Só eu peguei 4 jacarés perfeitos. Camilo, sempre atrás, diz que logrou 2. 

Pegou n~

Pegou não, seu mentiroso!

Não aguentando mais a temperatura gélida da água, saímos e fomos nos esquentar no sol, sobre as dunas.

Torra, fio da mãe, torra!

Torra, fio da mãe, torra!

Foi esse esquentar-se o responsável pelo meu torrão. Queimei até as canelas! Detalhe: torrão, tratado a muito amaciante de pele, virou um bronze bem-vindo, o qual, infelizmente, já deu seu adeus. Ficamos lá tomando sol pelo menos uma hora presepando.

Ninja Gloglo x Maguinja

Ninja Gloglo x Maguinja

Cabo visto do alto das dunas

Cabo visto do alto das dunas

Camilo Pacotilla y su sombrerito de chancho

Camilo Pacotilla y su sombrerito de chancho

Paty Mayonesa

Paty Mayonesa

Gloglo, la educada

Gloglo, la educada

Magoo, el buen chico

Magoo, el buen chico

Quando já estávamos com sede e com fome, voltamos à vilinha e tentamos tomar um cerveja gelada, coisa difícil de conseguir em Cabo. E isso sempre com nossas amigas argentinas.

Bora lá tomar uma berinha!

Bora lá tomar uma berinha!

Pelas tantas, pegamos o caminhão para voltar.

Magoo e Paty

Magoo e Paty

Gloglo e Camilonga

Gloglo e Camilonga

Na “entrada” de Cabo, cebamos um mate e nos despedimos das nossas amigas de humor inconstante, mas mesmo assim gente boníssimas. E, como eu tinha imagino, cavalo chucro realmente amansa depois de ser domado… Até disseram que se divertiram conosco. Nos despedimos com esperança de podermos nos reencontrar no meio do ano. Estou planejando passar 20 dias em Buenos Aires.

Despedidas à parte, tocamos para Valizas, onde tínhamos a esperança de dormir. Tudo cheio. Os argentinos tinham tomado toda a região. Fomos a Castillo e o único hotel que encontramos também estava cheio. Decidimos que íamos percorrer as praias em sentido norte (Brasil) uma a uma até acharmos um lugar para dormir. Às 20h30 conseguimos um lugar para pôr a barraca em um dos dois hostels (o outro estava completamente cheio) em Punta del Diablo, justamente onde pretendíamos visitar na manhã seguinte, antes de tocar o dia inteiro até Curitiba. Dessa forma, aumentamos o nosso leque de tipos de lugares em que nos hospedamos durante a viagem: hotel, hostel, casa de amigos, casa de praia. E barraca. Por sorte tínhamos uma no carro, por precaução, porque não havia nenhuma no hostel para alugar. 

A nossa não era assim tão tecnológica

A nossa não era assim tão tecnológica

Montamos a barraca, duvidamos pelo conforto que teríamos e o Camilo se meteu na mesa de pingue-pongue, desafiando todos, enquanto eu fiquei conversando com um pintor de casas argentino cuja profissão real é sommelier (que merda!). 

No dia seguinte, último de viagem, voltaríamos para o Brasil…

 

 

 

UYtrip – dia 13 3 Fevereiro 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 12:25

O réveillon foi e 2009 chegou. Como de praxe, acordei cedo e fui tomar o meu café-da-manhã. Nada como o prazer de um cafezinho recém-coado ao acordar. Camilo, o eterno preguiçoso e dorminhoco,  acordou pouco depois. 

Nos despedimos dos amigos que fizemos na noite anterior, fizemos nosso checkout e pé na estrada. Novamente! 

Pé na estrada!

Pé na estrada!

Viajar é genial. Faz com que você quebre sua rotina, veja o seu quotidiano (que ficou para trás) com outros olhos, reflita sobre prioridade e ainda chachoalha sua vida. Não me lembro de nenhuma viagem grande que tenha feito da qual não tenha voltado com alguma decisão importante. Nem que seja a de parar de querer voltar com decisões importantes…

Por mais que fosse 1° de janeiro e tivéssemos festado na noite anterior, a comichão de cair na estrada era maior. Nosso objetivo para o final do dia era chegar a La Pedrera, onde tínhamos reserva. Fomos tranquilos e calmos, desbravando as estradas. 

O melhor ai seria não capotar...

O melhor aí seria não capotar...

Seguimos pela costeira atravessando José Ignacio até a Laguna Garzón. Já nos tinham dito que havia um ferryboat que fazia a travessia. Deixando-nos guiar pelas placas (artigo raro no Uruguai), nós o encontramos sem problema. A questão, porém, é o que encontramos. Confesso que estava esperando um ferry à la Itajaí-Navegantes e não uma balsa com lotação para dois veículos. Apesar da aparente frustração, fiquei contente. Gosto dessas coisas mais rústicas. É mais charmoso.  

Detalhe na bandeirola charmoso ao fundo!

Detalhe na bandeirola charmosa ao fundo!

Desde a lagoa já pudemos notar que a vegetação dali em diante ia ser bem diferente, pelo menos na região próxima ao mar. Nada de pampas e alguns cerros esparsos. Abundariam areia em larga escala e dunas. 

Se a balsa afundasse, será que o Gonza saberia nadar?

Se a balsa afundasse, será que o Gonza saberia nadar?

Continuamos por uma estradinha de chão batido por vários quilômetros. À direita, restinga, areial e praia. À esquerda, lagoa.

Estradinha...

Estradinha...

Más allá de la rutita, hay esto.

Más allá de la rutita, hay esto.

No mapa, depois da Garzón, havia outra lagoa, a de Rocha, pela qual pensamos que também poderíamos cruzar via balsa. Mandamos bala na estradinha, que cada vez ficava mais esburaca e estreita. 

Gonza e Magoo

Gonza e Magoo

Lá pelas tantas, cruzamos com um carro brazuca no acostamento. Pneu furado. Solidários e de bom humor, paramos para ajudá-los. Conversando, contaram-nos que o pneu deles tinha furado justamente porque tinham insistido em seguir por essa estradinha até encontrar a segunda balsa, que, segundo eles, não existia. Nos despedimos e, cheios de teimosia (confesso que queria desbravar aquelas paragens) fomos adiante. 

A melhor parte da estrada esburacada

A melhor parte da estrada esburacada

Uns cinco quilômetros para frente chegamos à conclusão de que, além de se tornar  impraticável o trajeto (só com jipão), eles tinham razão: não devia de ter nada para lá. 

Voltamos até uma bifurcação por que tínhamos passado e viramos à direita. Aquilo, senhores, era uma BR uruguaia. O pavimento, comparado à buraqueira anterior, era melhor, mas continuava ruim. Nós, que vínhamos devagar, algumas vezes fomos ultrapassados a toda velocidade por caminhonetes de nativos. 

A volta que essa estrada dava era tão grande que fomos cair na ruta 9. Já com alguma parca sinalização, pegamos o caminho tradicional para La Paloma, praia vizinha à La Pedrera.

Farol de La Paloma

Farol de La Paloma

Lado direito do farol

Lado direito do farol

Lado esquerdo do farol

Lado esquerdo do farol

Tá gordo, não tá?

Tá gordo, não tá?

Em La Paloma, demos um rolezinho pela praia, visitamos o farol e seguimos em frente rumo a La Pedrera. Enquanto as praias de Punta e arredores são só badalação, as de La Paloma e La Pedrera são mais roots, o que combina mais com a minha pessoa. 

Nos instalamos no hostel e fomos direto para a praia. Camilo, claro, a dormir; eu a ler. Alguém nessa história toda tem que usar a cabeça para outra coisa que não seja sustentar o chapéu…

Enquanto uns leem, outros dormem...

Enquanto uns leem, outros dormem...

O uso da praia, no Uruguai, é bem distinta da maneira brasileira. Lá, a mulherada não fica só jogada de bunda para cima tomando sol e os homens passeando para lá e para cá só de sunguinha mostrando seu corpo e tentando comer quem bobear. No Uruguai, é claro, também há isso, mas muito menos. Muita gente vai para a praia em grupos de amigos e ficam tomando mate, conversando e curtindo-se. Se estão com vontade, ficam de camisa, calça ou o que for e ninguém acha isso estranho. Achei bem mais sossegado. Fora que o imperativo “tenho que mostrar meu corpo sarado” não tem lugar. E como não tenho corpo sarado…

De lá, com o vento frio já cortando quem estava desabrigado, voltamos para o hostel, tomamos banho e ficamos por lá interagindo. Primeiro nos sentamos nos jardim, com uma cervejinha Zillertal jogando mancala. Como esfriou muito, entramos. Não levou muito tempo, graças ao tabuleiro, para virarmos o centro das atenções e emplacarmos umas amizades. Al rato estávamos sentados numa mesona com três uruguaias e dois argentinos conversando sobre futebol, década de 80 e os hits da infância na América Latina. 

Mais à noite, jantamos empanadas, feitas artesanalmente (incluindo a massa) pelo cozinheiro do hostel, que durante o dia era instrutor de surf. Cerveja vai, conversa vem, a noite foi passando só na charla

 

 

 

UYtrip – dia 12 30 Janeiro 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 11:23

Com o fim do ano e a festa de réveillon chegando, Camilo estava mais que empolgado. Vai gostar de festa assim lá na China. Eu, já mais no meu estilo tranki, estava animado, pero no mucho

De pança cheia, entramos no Gonza e partimos novamente rumo a Punta del Este, mas dessa vez não pela BR/UY e sim pelas estradinhas praianas beira-mar.

Shakotilla e seu chapeuzinho arrumando o porta-malas do Gonza em Piriápolis

Shakotilla e seu chapeuzinho arrumando o porta-malas do Gonza em Piriápolis

Antes, porém, resolvemos voltar um tantinho para o lado de Montevideo e fazermos uma visita a dois lugares: o Castillo de Piria e o Castillo de Pittamiglio. Como é que é: castelos em plenas praias do Uruguai? Sim, castelos, e dos mais estranhos. Existe, em tese, uma explicação para o fato de estarem lá, mas nem o Camilo nem eu a achamos plausível. 

A história é a seguinte. Diz a lenda, e os anais históricos mal-escritos do Uruguai, que um certo Fernando Juan Santiago Francisco María Piria de Grossi, aka Piria, filho de descendentes genoveses pobres, retornou à Itália ainda criança para estudar. Quando voltou, ainda pobre, para o Uruguai, entrou no exército e fez carreira como arrematador (vai saber!). Isso em 1853. Em 1866 se casa com Magdalena Rodino e tem uma penca de bacuris.

Óiai o tiozão Piria!

Óiaí o tiozão Piria!

Até que, e é aqui que a história não encaixa, em 1890, 24 anos depois, compra, não se sabe com que dinheiro, uma propriedade de uns 2000 hectares na região onde hoje é Piriápolis. Eu e o Camilo, quando ouvimos essa história pela primeira vez, já desconfiamos, mas foi ao entrar no Castillo de Piria (atual museu em homenagem ao proprietário/fundador de Piriápolis e região) que nos demos conta de que tudo isso está mais para maracutaia que qualquer outra coisa. Se o cara era tão pobre e ainda voltou tão pobre quanto da Itália, seria possível um filho de imigrantes, em 26 anos, ter conseguido dinheiro para comprar quase 1/5 do país? E se conseguiu só trabalhando, foi fazendo o quê? Sem explicação. Só os criadores do Google seriam capazes de tal façanha. 

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Saca só a casinha de campo da criança!
Saca só a casinha de campo da criança!

Fato é que, puxando conversa com a guia, que só sabia o básico da história do Piria, descobrimos que ele era maçom (não sei até onde isso poderia dizer alguma coisa) e meio que alquimista. Digo “meio que alquimista” porque não sei até que ponto alguém pode ser alquimista no final do século XIX. E o que diabos fazia um alquimista nessa época? Mais um dado importante: Piria era amigo do tal do Pittamiglio, dono do outro castelo, citado acima, com quem mantinha uma amizade, palavras da guia, misteriosa.

De mistério, para mim, já basta os livros policiais que adoro. Sendo assim, para não ficarmos com essa pulga atrás da orelha, criamos uma versão nossa para todo o imbróglio: Piria, os maçons, os alquimistas dos pampas latino-americanos e o Pink & Cérebro, todos juntos, estavam tentando conquistar o mundo. Falharam nas dimensões. Conseguiram uma boa parte do Uruguai, hoje em dia a mais rica, mas não chegaram ao mundo. 

O tio tinha tanto dinheiro que construiu esse pequeno hotel em Piriápolis!

O tio tinha tanto dinheiro que construiu esse pequeno hotel em Piriápolis!

Outro dado interessante e que nos fez pensar era no dinheiro que esse Piria, e por conseguinte seus descendentes, teriam. Olhem que coisa estranha: parece que, após a morte do Piria, a família deixou de pagar vários impostos para o Estado, a tal ponto que chegou um momento em que perderam todos os bens que tinham! Cumé? Para mim, quase impossível? Tem que ser muito, mas muito idiota para conseguir perder 1/5 do país por conta de não pagar impostos e taxas… Muito estranho!

A vista da casa de campo dele...

A vista da casa de campo dele...

De qualquer forma, fomos visitar o Castillo de Piria, que, além de maçom e alquimista, também era megalômano. Quem, em sã consciência, constrói um castelo para si, sendo que ele seria só a sua residência de campo? Outro detalhe: só a caballariza (estábulo e adjacências) do cara era quase uma cidade!

Reformadinho, daria uma puta cidade western...

Reformadinho, daria uma puta cidade western...

Caballariza Ville

Caballariza Ville

Tinha até uma igreja nos estábulos

Tinha até uma igreja nos estábulos

No meio de tudo, abandonado, um parente distante do Gonza...

No meio de tudo, abandonado, um parente distante do Gonza...

De lá, aproveitamos o embalo e fomos dar uma olhada no outro castelo da região, o do Pittamiglio. Mais estranho ainda! Não só por ser um castelo em meio aos cerros, mas também por ser, segundo dizem, de arquitetura alquimista (não me perguntem o que isso significa). De fato, são traços bem estranhos.

Castillo de Pittamiglio

Castillo de Pittamiglio

Detalhe de uma das torres

Detalhe de uma das torres

Detalhe da outra torre

Detalhe da outra torre

E lá para dentro tem mais coisa estranha ainda

E lá para dentro ainda tem mais coisa estranha

O Castillo de Pittamiglio, além da estranheza, também está interditado ao público por sabe-se lá qual razão. O fato é que dizem que se você quiser entrar escondido vai levar chumbinho nas orelhas. Preferimos não correr o risco. 

Vai saber!

Vai saber!

Pegamos novamente as estradinhas litorâneas rumo a Punta del Este. Passamos por dezenas de praias e um sem-fim de puntas, uma mais linda que a outra. 

Punta Colorada

Punta Colorada

Gonza pegando um bronze

Gonza pegando um bronze

O último dia do ano foi, para nós, o que mais rendeu em termos de turismo. Fomos a inúmeros lugares, no melhor e mais autêntico estilo road trip

Só praia...

Só praia...

... e mais praia!

... e mais praia!

Passamos, por ter perdido antes, por Punta Ballena, um dos lugares de que mais gostamos no Uruguai.

Punta Ballena

Punta Ballena

Será que eles estavam tentando pescar uma baleia?

Será que eles estavam tentando pescar uma baleia?

E ainda tem um caboclo que mora lá!

E ainda tem um caboclo que mora lá!

Também passeamos por umas praias de altíssimo nível, altamente luxuosas. Se você, incauto viajante, quando foi a Punta del Este se impressionou com a riqueza e achou que todos os ricos do sul do mundo têm apartamento lá, você se enganou. Os ricos têm casa nessas prainhas a que fomos. Realmente uma coisa sem noção. Um daqueles ricos com certeza gastou mais dinheiro na casa dele de praia do que todos os moradores de um bairro de Curitiba gastaram para construir e equipar suas casas em um quarteirão. Assombroso. 

Uma das menores

Uma das menores

Esse sim mora bem

Este sim mora bem

Querendo aproveitar a chance e tirar uma graninha como paparazzi, tentamos fazer uns clicks exclusivos das celebridades que nem conhecíamos, mas até hoje ainda não conseguimos vender para a Caras nenhuma foto.

Se liga, malandragem!

Se liga, malandragem!

Se um dia for rico, sempre pense duas vezes antes de sair em público!

Se um dia for rico, sempre pense duas vezes antes de sair em público!

Wolverine dando uma de paparazzi?

Wolverine dando uma de paparazzi?

Rolê vai, rolê vem, chegamos em Punta, passamos pelos ricos e nos dirigimos a José Ignácio, passando pela peculiaríssima ponte que separa os dois municípios. 

Ponte torta?

Ponte torta?

Pau que nasce torto nunca se endireita

Pau que nasce torto nunca se endireita

Chegamos ao hostel quase de noite. Fizemos checkin, nos instalamos e fomos tomar um matezinho na varanda do hostel e interagir com a galera. Conhecemos gente de tudo quanto é lugar na noite de 31, mas os mais gente fina foram um casal de cariocas que estavam fazendo Rio-Uruguai-Santiago de carro! Muitos, mas muitos quilômetros rodados. 

Nos incluímos para a janta do hostel de Ano Novo, que, é preciso dizer, foi uma enganação, e ficamos lá tomando cerveja e conversando de viagens com o casal. 

Aproximando-nos da virada, distribuíram cidra para todos e brindamos com todos os gringos que havia (americanos, australianos, canadenses, argentinos e cariocas) pelo ano que recém-começava. Daí em diante, só festa…

 

 

 

UYtrip – dia 11 29 Janeiro 2009

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 16:39

Depois de dormir toda a tarde e ainda ir deitar cedo, acordei como novo. Disposto a descobrir o que Piriápolis tinha para oferecer. Tomamos café e saímos para dar uma volta pela cidade, ver se ela podia nos surpreender. Qual dois velhos, fomos caminhando pela orla e conversando sobre os planos futuros. 

Animado com a perspectiva de explorar o mole e o cais da cidade (coisas que sempre me interessaram), intimei a Pacotilla a vir comigo. Nos primeiros 200m ele veio de boa vontade. Depois já começou a reclamar e atribuir a preguiça ao seu chinelo estilo Rider clássico. Ai meus sais!

Autoenganando-se dizendo que não podia mais caminhar, voltou para buscar o carro. Na verdade, preguiça crônica. Fosse como fosse, combinamos então de nos encontrar no cais.

Enquanto fui caminhando, qual um atleta que já fui, Camilo voltou, a passos de formiga, atrás do carro, de um tênis e do que mais fosse necessário para promover-se a soneca dos anjos. 

Cheio de iates e barcos, fui vendo-os um a um no cais. Clichê ou não, sempre quis morar em um barco e não duvido que realize esse sonho um dia. Deve ser uma experiência libertadora. Apesar do preço alto que se paga, pode-se mudar a residência quando bem entender e ainda viajar com a própria casa. Será que estou delirando muito? Porque, no final das contas, tirando dois ou três franceses que conheci, nunca cruzei com alguém que fizesse isso. Talvez porque eu não seja rico e não conheça nenhum really high society.

Cais de Piriápolis

Cais de Piriápolis

 

O fato é que cais são, para mim, lugares perfeitos para a introspecção. Nada melhor que o marulho das águas batendo de leve no casco do barco, a brisa roçando nos cabelos, friozinho alentador e a sensação de contentamento. Fico me perguntando por que todos que estão nos barcos, mesmo que seja para almoçar, têm uma cara nítida de contentamento…

O cais visto de cima

O cais visto de cima

Sentei-me no farolete em um dos braços do mole e abri meu Mankell (ainda estava no Zapatos Italianos), mas não li. Fiquei, como dizem por aí, pensando na morte da bezerra. 

Como não descobri por que cargas d’água a bezerra morreu, retornei à entrada do cais para encontrar o Camilo, que tinha recém-chegado. Não foi nenhuma novidade quando ele me perguntou se eu não me incomodava de ele ficar dormindo no carro. Claro que não. Que dormisse.

O Gonza e o dorminhoco do Camilo

O Gonza e o dorminhoco do Camilo

Peguei a máquina fotográfica, meu Mankell e fui até o outro braço do mole. Recostei-me na estrutura de hormigón e fiquei observando os funcionários colocarem um barco na água após o conserto. 

Num dos braços do mole

Num dos braços do mole

Barco sendo recolocado no mar

Barco sendo recolocado no mar

Horas depois, voltei ao carro ver se o Camilo já estava com ânimo para parar de dormir, mas não estava. Continuou babando no banco de trás enquanto me deitei na grama e continuei a minha leitura. Quando me cansei, tomei um café, dei uma volta por tudo e li mais um pouco. Voltei ver o Camilo estava vivo e descobri que estava hibernando. Não sei se ele sabe, mas preguiça é um dos sete pecados capitais.

Umas quatro horas depois, quando a barriga começou a roncar (porque, para o Camilo,  só a fome pode ser algo pior que a preguiça) é que ele deu sinais de vida. Comemos alguma coisa no mesmo bar em que eu tinha tomado anteriormente um café  (aliás, o melhor café que tomei em todo o Uruguai), o Camilo foi andar de teleférico (disse que adorou; preciso levá-lo um dia no de Brusque: 70m de altura só na cadeirinha) e fomos dar uma volta de carro pelas praias nos arredores de Piriápolis. 

Teleférico

Teleférico

Camilo aprontando nas alturas

Camilo aprontando nas alturas

Passamos por vários lugares perfeitos para a introspecção. E dá-lhe mais conversa sobre os planos futuros…

Punta Colorada

Punta Colorada

Prainha qualquer

Prainha qualquer

Já quase anoitecendo, voltamos ao hostel e saímos para jantar. Fomos a um restaurante que tínhamos encontrado no dia anterior em uma rua perpendicular à principal, o mais à la Brasil que havia: buffet livre, com vários tipos de salada, pratos quentes decentes, carne à vontade e sobremesa. Se tem uma coisa que no Brasil é demais é a alimentação: variada, abundante e barata.

Nem preciso dizer que voltamos qual bolas para casa. A essa altura, já me dizia que ia ter que fazer uma dieta ao chegar em Curitiba. 

Voltamos para o hostel e ficamos conversando com nossos amigos ciclistas, que no dia seguinte rumariam para Punta. Nós também. Tínhamos reserva para o Ano Novo em Manantiales, uma praia distante de Punta, teoricamente no município de José Ignacio, e íamos até lá percorrendo todos os caminhos praieiros que fôssemos encontrando. Quem sabe nos cruzássemos…

 

 

 

5 dias! 15 Dezembro 2008

Arquivado em: Uncategorized — Maikon Augusto Delgado @ 13:53

Cinco dias nos faltam para dar a acelerada inicial rumo às profundezas uruguaias. Na sexta, se os tablóides me permitirem, parto com Gonzamóvel e Piper rumo a Porto Alegre, onde encontraremos o destemido herói dos pampas Camilo Longa-Longa de la Croix, que está por lá para comer galetos (a desculpa oficial que ele dá é que foi a trabalho, mas nós sabemos a verdade!). Os tablóides não me permitindo, partimos no sabadão de madrugada, lá pelas 4h, com sede de boléia e prontos para pegar o nascer do sol já na estrada!

De qualquer forma, Uruguai está lá e nós estamos indo ao seu encontro. Ou no sábado ou no domingo já estaremos tomando mate uruguaio (vou levar o meu para ir tomando na viagem), comendo dulce de leche e sonhando com os bifes de chorizo!

Vrum-vrum!