Bons Ares

Tem dia que só amanhã!

28 anos 9 Setembro 2009

Arquivado em: Argentina, Buenos Aires, Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 07:47
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Hoje comemoro 28 anos de vida. Pensei em escrever um post comemorativo, a exemplo do que fiz nos últimos anos. Optei, porém, por não fazê-lo. Resolvi tão-somente deixar aqui uns versos que meu compadre de aventuras Camilo Paquita deixou como dedicatória do livro que me deu de presente. Segundo ele, são palavras de uma máxima Saharaui, retiradas do Tuareg, de Alberto Vásquez-Figueroa:

El guerrero que se distrae

pensando en lo que hará

después de la batalla

perderá la batalla,

y el viajero que se distrae

pensando en lo que hará

al final del viaje

jamás llegará a su destino.

Tuareg

Tuareg

 

Mi Caballito querida 4 Setembro 2009

Arquivado em: Argentina, Buenos Aires, Caballito, Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 06:33
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Metade da estadia já se passou. Os amigos que queria ver já vi quase todos. Faltam alguns ainda, que pretendo ver nos próximos dias. Já comi empanadas, fainas, milanezas e bifes de chorizo, já tomei Quilmes, já passeei pela cidade, já peguei metrô, trem e ônibus (inclusive o 42). E também já fiz o mais importante, que foi retornar a Caballito e passear pelas suas ruas.

Buenos Aires, para mim, é sinônimo mais que nada de Caballito. Foi lá onde morava, foi lá onde pegava o 42 ou o 55 para ir para as aulas, foi lá em que ia aos sebos, foi lá onde fiquei amigo dos verdureiros, dos parrileros e das meninas da lavanderia.

Foi em Caballito onde recebemos quase 30 visitas de fora do país ao longo dos meses que moramos na Argentina. Foi lá onde muitas coisas começaram e onde muitas terminaram…

Camilo já havia voltado ao bairro, mas eu ainda não. Eu precisava voltar a sentir o bairro para entender algumas coisas e fechar outras.

E entendi e fechei.

 

Veranito de San Juan 2 Setembro 2009

Arquivado em: Argentina, Buenos Aires — Maikon Augusto Delgado @ 07:30
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Antes de vir, falei com minha amiga por mail e lhe perguntei do clima, que sabia que estava frio. Me disse: traete abrigo y bufanda, porque nos estamos cagando de frio.

Como um bom menino, fiz o que ela me disse. Em Curitiba, embarquei com blusa de la e jaqueta. Em Asunción, onde fizemos uma parada, senti o calor que fazia, mas pensei: não há de ser nada.

Foi quando desembarquei em Ezeiza e senti aquele bafo vindo de fora do avião que me disse: la re puta que la parió, qué calor de putísima madre. Fazia 29 graus em Buenos Aires. Nem preciso dizer que a essa altura já estava suando e xingando minha amiga.

Nos dias seguintes, o calor só aumentou. 30 graus, 32 graus, 34 graus. 34 putos graus! Eu estava derretendo. Sombra e água fresca era a única coisa que podia querer.

Esses dias de calor no final de agosto, mês de muito frio em Buenos Ares, são conhecidos como veranito de San Juan. Em meio à friaca de júlio e agosto, alguns dias de calor para, ao quinta dia, dar lugar à tormenta de Santa Rosa, em que um pé-d’água homérico com granizo cai e restaura novamente o frio em Buenos Aires.

Em 2006, quando Camilo e eu chegamos aqui, pegamos veranito de San Juan e tormenta de Santa Rosa sem nem sabermos o que era. Por sorte, no dia em que o tempo virou, estávamos em casa lendo jornal e procurando apartamento. As pedras de gelo que caíam eram tão grandes que quebraram vidros, telhas, para-brisas e arruinaram os tetos dos carros que estavam pelo rua. Assim que voltar ao Brasil, ponho na internet o vídeo que fiz.

Pelo que diz a TV, esta semana será de chuva e temperaturas por volta dos 14 graus, e na semana que vem é possível que venha um frio de lascar. Confesso que é o que estou esperando.

 

Buenos Aires é muito mais charmosa no frio. Cachecol eu trouxe…

 

Buenos Aires mudou 31 Agosto 2009

Arquivado em: Argentina, Buenos Aires — Maikon Augusto Delgado @ 12:29
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Se tivesse que dizer alguma coisa sobre meus primeiros dias na Argentina, eu diria que Buenos Aires mudou. 

Continuam existindo os cafés típicos, continuam existindo três ou quatro maxikioscos em cada quadra, continuam falando “dale, boludo, qué hacé?” pela rua.

Mas também ocorreram inúmeras mudanças. Inúmeras. A crise do fim do ano repercutiu muito aqui. Argentina no anda bien, che!

As mudanças se fazem ver nas ruas, nas esquinas.

O primeiro que notei foi a sujeira. Por todos os lados, Buenos Aires ficou mais suja. Já tinha o seu quê de sujo há dois anos, mas esse nível aumentou muito. Talvez não tão aparentemente nos bairros mais chetos (e mesmo assim, para mim, é visível), mas muito na província, na grande Buenos Aires, para onde as pessoas têm ido para fugir dos altos preços da capital.

A segunda mudança que notei são as bicicletas. Muitas delas dividindo as ruas com os carros e ônibus. Todos, é claro, enlouquecidos. Não estão lá porque a cidade se pôs mais saudável e mais consciente dos problemas de transporte. As pessoas estão pedalando, isso me dizem os próprios argentinos, porque os preços subiram e para muitos já não vale mais a pena pegar ônibus ou metrô. Este, que estava 0,70 centavos, agora está 1,10. O ônibus subiu de 0,80 para 1,20. O trem de 0,70 para 1,10.

A terceira foi a quantidade de carros que tem nas ruas. Engarrafamentos e mais engarrafamentos em todos os lugares. As rodovias (autopistas) que circundam Buenos Aires se transformaram em um caos digno de São Paulo. Indo de Ezeiza para Martin Coronado (línea Urquiza), onde estou hospedado, vi engarrafamentos quilométricos. Parecia que os carros saíam pela culatra… Somente as motos eram capazes de andar em uma velocidade baixa constante. Pelo que me contaram, aconteceu na Argentina o mesmo que no Brasil. Para conter a crise nas indústrias de base, criaram incentivos fiscais de compra de automóveis, e todos estão comprando carros (usados e novos).

A última mudança, e a que me deixou mais triste, foi encontrar muitos mendigos na rua. Nos bairros em que já havia (como Constitución) agora tem muito mais. Em muitos bairros residenciais, onde nunca havia visto sequer um mendigo ou criança de rua, se instalaram nas esquinas, nos cantos de calcadas e ali dormem. Em Palermo, para os lados da Av. Corrientes, chegam a se amontoar uns ao lado dos outros. Reflexo contundente da crise, da qual a Argentina não parece ter se recuperado ainda. E não só mendigos, mas também muitos pedintes. Cada vez mais os hermanos estão ficando parecidos com o Brasil.

Buenos Aires mudou, e muito.

 

O filho pródigo à casa torna 26 Agosto 2009

Arquivado em: Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 08:44
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Depois de quase dois anos distante, eu e meu querido Bons Ares retornamos a Buenos Aires.

Mas não retornamos só para a cidade. Voltamos para o lugar onde um grande sonho teve começo, meio e fim. Onde um pouco da minha pessoa foi se tornado o que é hoje.

Foi em BsAs que constatei e corroborei o meu gosto por viajar e morar fora. Sim, eu gosto de viajar, gosto muito, mas gosto mais ainda de morar fora, de desfrutar da sensação de liberdade que só o desenraizamento e o estrangeirismo te proporcionam.

Foi em BsAs que retomei minha relação com a leitura (vínhamos brigados de uns tempos para lá). Foi em BsAs que retomei os escritos, que também vinham esquecidos.

Foi em BsAs que muito da minha vida aconteceu e amadureceu. E eu devo isso à cidade.

Depois de 21 meses volto à nostágilca e saudosa Baires. Volto por estar de férias. Volto porque precisava rever tudo antes de fechar mais uma vez essa fase e abrir uma nova, maior, mais complexa, mais aventuresca. Uma fase que provavelmente trará novos frutos, quem sabe definitivos…

Em suma, volto porque é em casa que se analisa o mundo. E a minha casa de predileção é Buenos Aires. É lá que escolhi para sentar, tomar um café e pensar na vida.

Não acho, porém, que sofrerei o deslumbre do turista desavisado. Conheço as ruas como a palma da minha mão. Tampouco acho que vou voltar de lá querendo retomar a vida que eu tinha há dois anos. Imagino eu que vou voltar pensando com nostalgia os tempos vividos na Argentina, mas sabendo também que eles ficaram no passado. E o passado é algo que não se vive de novo. Uno tiene que saberlo en la vida.

Sei que preciso reviver esse avultamento de memórias. É preciso viver isso na pele, para, como dizia Platão, sentir com a barriga as mudanças (vindouras). E mudanças hão de vir.

É por isso que vou. É por isso que volto.

El regreso del hijo

 

Os concorrentes do Bons Ares 23 Julho 2009

Arquivado em: Causo, Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 23:07
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Concorrentes ou homônimos? Vai saber…

Esses dias precisei entrar no blog de um computador que não o meu. Por preguiça de digitar o endereço que sei de cabeça, fui até o oráculo máximo e o deixei me dar a resposta pronta. Que surpresa tive! Encontrei outros Bons Ares por aí. E ainda para maior surpresa, eles não têm nada a ver com o meu Bons Ares.

O primeiro link que encontrei foi o da Fundação Bons Ares, que parece ser uma instituição que dá auxílio a crianças com câncer ou pacientes com Aids. Um de seus projetos, o Cidade da Esperança, tem foto na internet:

Cidade da Esperança, em Botucatu

Cidade da Esperança, em Botucatu

Em suma, um homônimo com intenções nobres.

Outro que encontrei é o de um portal de vendas de perfumes e cosméticos em geral, desde cremes faciais até maquiagem. Olha aí a logo do portal:

"Descubra a essência que existe em você" é a logo deles

"Descubra a essência que existe em você" é o mote

Por fim e talvez o mais interessante de todos os outros Bons Ares, isso na minha modesta opinião, é que Bons Ares também é uma marca de vinho! Cumé? De vinho? Sim, de vinho. Produzido pela Ramos Pinto Quintas, a Quinta Bons Ares é responsável por vinhos tintos e brancos, misturando uvas tradicionais portuguesas com Cabernet Sauvignon, os quais são devidamente conservados em barris de carvalho francês (oh la la!).

Um Bons Ares tinto. Saúde!

Um Bons Ares tinto. Saúde!

Veja o que o site diz a respeito da quinta e do vinho:

A Quinta dos Bons Ares, propriedade que remonta ao período romano, conforme atestam os vestígios arqueológicos encontrados, foi adquirida em 1985 pela Casa Ramos Pinto com o objectivo de aí se implantar um centro de vinificação.
A Quinta dos Bons Ares foi escolhida tendo em conta diversos factores determinantes, nomeadamente: a elevada altitude que lhe confere temperaturas mais amenas no Verão e, portanto, mais indicadas para o armazenamento e estabilização dos vinhos; a proximidade com a Quinta de Ervamoira e a produção de uvas mais ácidas e frescas que as produzidas nesta outra quinta, mais maduras e concentradas, com as quais se atinge um extraordinário blend.
Características Vitivinícolas
A Quinta dos Bons Ares fica localizada na região do Douro, sub-região do Douro Superior, na freguesia da Touça, a 600 m de altitude. Tem uma área total de 50 ha dos quais 20 ha são área de vinha.
Da percentagem de variedades produzidas nos Bons Ares a maior fatia cabe à casta Viosinho com 35%, seguida da Cabernet Sauvignon com 30%, da Riesling com 10%, da Merlot com 10% e de 15% de Touriga Nacional.

A Quinta dos Bons Ares, propriedade que remonta ao período romano, conforme atestam os vestígios arqueológicos encontrados, foi adquirida em 1985 pela Casa Ramos Pinto com o objectivo de aí se implantar um centro de vinificação.

A Quinta dos Bons Ares foi escolhida tendo em conta diversos factores determinantes, nomeadamente: a elevada altitude que lhe confere temperaturas mais amenas no Verão e, portanto, mais indicadas para o armazenamento e estabilização dos vinhos; a proximidade com a Quinta de Ervamoira e a produção de uvas mais ácidas e frescas que as produzidas nesta outra quinta, mais maduras e concentradas, com as quais se atinge um extraordinário blend.

Características Vitivinícolas

A Quinta dos Bons Ares fica localizada na região do Douro, sub-região do Douro Superior, na freguesia da Touça, a 600 m de altitude. Tem uma área total de 50 ha dos quais 20 ha são área de vinha.

Da percentagem de variedades produzidas nos Bons Ares a maior fatia cabe à casta Viosinho com 35%, seguida da Cabernet Sauvignon com 30%, da Riesling com 10%, da Merlot com 10% e de 15% de Touriga Nacional.

E eis aqui uma foto dos parreirais da região:

Quinta Bons Ares, em Douro, Portugal

E da quinta Bons Ares propriamente dita:

Emocionante, não?

Emocionante, não?

Só fico me perguntando agora se vou poder requisitar depois tudo isso como herança. Não seria nada mal ir morar em Portugal, em um vinhedo, trabalhando nisso de manhã e escrevendo à tarde. Para quem vive sonhando em ganhar na Mega Sena e parar de trabalhar, esse é um sonho bem plausível…

 

Bons Ares II 12 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 12:00
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Por motivos óbvios (facilmente visíveis), recuperei o Bons Ares do Blogspot. A ideia é fazer de lá um funil de compilados de escritos meus espalhados por diversos locais da net (que estão no Histoires de Voyageurs/Amsud, no BeGoogler, no Fianco e em alguns outros lugares esparsos que não me pertencem) e quem sabe assim ajudar quem precisa e quer ser ajudado.

Por trás desse renascimento está um desejo maior: o de virar um blogueiro profissional. Por trás desse desejo, por sua vez, está uma série de pensamentos que venho tendo a respeito de satisfação no trabalho, envolvendo o ato de escrever e minhas metas pessoais.

Ainda é muito cedo para falar algo sobre isso, até mesmo porque ainda estou amadurecendo os conceitos na cabeça (eu sou que nem uma vaca, rumino muito tempo antes de decidir exteriorizar qualquer coisa). Isso não significa, porém, que não possa dar um dica desde já:

Stay hungry, stay foolish!