Meu querido 42

Posted on 4 maio 2007

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Tenho aula às 8h30. Para chegar a tempo, acordo às 6h45, tomo um banho, tomo meu café-da-manhã, ajeito umas últimas coisas e vou para a fila do ônibus. ¡Si, es todo um tema! Chego lá às 7h45, já um pouco atrasado para quem deseja estar na aula às 8h30 saindo de Caballito

Mais ou menos às 7h55 começo a me impacientar. Saí de casa atrasado e me dou conta de que não vou conseguir chegar de maneira nenhuma no horário. Falta no primeiro quarto da aula com certeza.

Às 8h05, o desespero começa a se tornar um Golias. Já são 20 minutos esperando na parada do ônibus, debaixo de chuva, e nenhum ônibus que tenha passado.

Às 8h08 passa o primeiro, cheio, o qual não pára.

Às 8h11 passa o segundo, também lotado, e passa incólume.

Às 8h15 passa o terceiro, mais apinhado de gente que os dois primeiros, e passa sem nem se dar ao luxo de ver quantas pessoas estão na parada esperando. Só para constar, somos 23 na fila, contados um a um.

Às 8h20 me canso de esperar e decido mudar o itinerário. Vou para o concorrente, que geralmente sempre dispõe de mais ônibus e que vêm menos cheios (o que não significa dizer vazios). O único porém é que me deixa umas 6 quadras mais longe. Dirijo-me à parada e espero. Não dá 5 minutos já vem um: cheio. Mais 5 minutos, vem outro, também lotado. Penso, com o perdão da palavra: “Puta que pariu!”.

Por volta das 8h35 volto à parada do 42, localizada na mesma quadra.

Mais 10 minutos e passa outro 42. Cheio ou muito cheio?

Mais 3 minutos passa outro. Nem diminui a velocidade.

Em outras palavras, eu, que já estava tentando pegar o 42 há mais de uma hora, decido ir embora. Ponho o pé na rua, ameaço atravessar e não consigo por conta do trânsito. Olho para o lado e vejo, ao longe, o qüinquagésimo ônibus do dia. Minha preguiça me diz: “Vá embora, largue mão!”; meu instinto, do mesmo lado, corrobora: “Tenho certeza que você não vai perder nada. Vai vir um 42 lotadíssimo, cheio de gente, você vai ter que viajar mais de meia hora em pé. O de praxe”; minha razão, não obstante, sempre serena e cruel, me diz: “Tenta este. Se não parar, é praticamente uma mensagem divina te dizendo que você não deve ir para a aula hoje por algum motivo. Se parar, fodeu-se!”.

E pára, e subo, e me ensardinho.

Trinta e cinco minutos depois, desço no meu ponto e vou para a aula.

Se pensou que isto terminou, muito se enganou. Lamento informar, porque há a volta.

Sim, a volta. Porque só regressa quem parte. Maldita frase esta minha. E de fato tenho que voltar. Ora, uma hora eu tinha que voltar para casa, não é? Saio da aula, ainda de mau humor por ter tomado mais de hora de chuva e ter esperado o meu querido 42, e caminho em direção ao inevitável: a parada do dito cujo. Begezinho, meigo, linda lata de sardinha.

Chego à parada habitual na qual tomo o 42 para voltar, encontro uma baladinha aí: umas 15 pessoas esperando, reclamando da demora, a maioria idosos. Decido caminhar em direção a uma parada anterior, onde normalmente está menos cheio.

A fila da parada anterior está tão grande quanto da outra.

Decido caminhar até a anterior a esta. Ninguém na parada. Espero 20 minutos e nada de o 42 dar o ar da sua graça. Penso: “Por que não descer até a Luis María Campos e tomar o concorrente lá, de número 55, que vem vazio do terminal inicial?” Ótima idéia. Desço mais duas ruas (já caminhei, nisto, umas 8 quadras), entro na fila (como não poderia haver fila para pegar um ônibus em uma cidade como Buenos Aires?) e subo. Finalmente!

Uma hora depois chego em casa. São 13h45!


Sugerencia del troesma

Maravilhosa!

Our freek world

À imitação de Terminal, temos o nosso refugiado da Somália.


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