São tudo um bando de…

Posted on 7 maio 2007

0


Não só aqui na Argentina mas em qualquer outro lugar a que já fui, se você ouve dois nativos conversando sobre o Brasil, impreterivelmente ouvirá alguns chavões, tais como:

1. Brasileiro é tudo alegre, tudo para cima, sempre dando risada;
Se compararmos com a sisudez alemã, não há dúvida.

2. Os homens brasileiros são não são nem lindos nem feios. Fato é que são todos mulherengos e cafajestes com as mulheres;
Muito lindo não sou. Tampouco muito feio. Mulherengo não me considero nem cafajeste, apesar de reconhecer que muitos o são.

3. Mulher brasileira é tudo bunduda e meio p…;
Que são bundudas nem se cogita dizer que não. Que são p…, nada a dizer. Escrotice gringa.

4. No Brasil há sexo fácil por todos os lugares;
Outra escrotice gringa. Sem comentário.

5. Brasil é igual a praia, sombra e água fresca.
Balela pura. Coisa para inglês ver. Se tem praia, sombra e água fresca para alguém, é porque tem outro trabalhando duro debaixo do sol de rachar o coco.

Isento-me, porém, de fazer qualquer declaração sobre os meus comentários acima. O importante é saber que estes lugares-comuns existem e que eles são nossos. Por outro lado, sofrer generalizações deste gênero não é um privilégio tupiniquim. Todo nativo, de qualquer país do mundo, padece disto. Vejamos, por exemplo, os franceses, que tão bem conheço:

1. Francês não toma banho;
Muito limpinhos não são mesmo.

2. As mulheres francesas são feias e sem-graça;
Concordo em gênero, número e grau.

3. Os homens são lindos e fiéis;
Que são bonitos, até são. Fiéis, aí já não sei. Os que conheci diziam que eram.

4. Francês fede a queijo gorgonzola;
Isso não mesmo. Podem não tomar banho, mas feder a gorgonzola é maldição, diz aí.

5. Os franceses são românticos porque a língua francesa é encantadora.
Veadagem à la ursinho carinhoso.

Bom, a lista segue e continuo isentando-me de fazer qualquer comentário sobre meus comentários. Importante mesmo era só deixar claro que também os franceses sofrem o que sofremos. Sendo assim, por que não elencar os chavões generalistas relacionados aos argentinos?

1. Todo argentino acha que o Maradona é melhor que o Pelé;
Verdade, ainda que o Pelé seja melhor que o Maradona.

2. Argentino que é argentino gosta de carne;
Verdadeiríssimo. O povo que gosta de bife de chorizo. Aliás, segundo a nossa última visita, que ainda está nos visitando, Buenos Aires cheira a churrascaria.

3. Os vinhos argentinos são deliciosos;
A mais pura verdade. E acrescento: são baratos.

4. As argentinas são lindas;
Concordo e discordo. Explico-me: sim, são lindas de rosto, lindas demais; sim, são peitudas, muitas vezes até demais; não, não têm bunda nenhuma; desconhecem o significado dessa palavra (bunda definitivamente é produto nacional). No mais, é preciso dizer, mesmo debaixo de inúmeras vaias, que elas não são limpinhas, nem eles. Não lavam o cabelo, não trocam de roupa, não escovam os dentes… Nojentice mesmo.

5. Argentino é tudo ladrão.
Não sei se todos são, mas a metade com certeza o é. Ô povinho que gosta de tirar proveito dos outros!

Preconceitos à parte, a última atestação nos leva ao assunto de hoje: chorreo. Ou, para os incautos não conhecedores da língua hispânica falada neste canto do mundo, “roubo”. Pois bem, fato é que este brazuca que vos fala, mesmo tomando todo o cuidado do mundo, mesmo sempre de olho em ladrões, mesmo bisoiando tudo quanto é gente estranha, foi roubado. E de maneira patética.

Estava eu com nossa visita trocando dinheiro. Faltava para o cafezinho. Entramos na casa de câmbio, demos o dinheiro, pedimos em troca a soma equivalente em pesos, tirei o celular para, com a calculadora, verificar se a conta estava correta, e… sumiu-se o celular. Acho eu que o deixei no guichê esquecido. Saímos, fomos ao café, pedimos e estávamos conversando. Quando ouço um som estranho, penso: “É o meu!” Fui olhar, onde estava. Procurei, procurei. Me vasculhei, para não dizer de outro jeito: “Carai, deixei-o lá na casa de câmbio. Vou lá buscar.” E acham que estava lá? Claro que não! E acham que alguém, mui amavelmente, encontrou-o e o deixou com o guarda? Possível. E acham que o guarda, honestamente, devolveu-o? Claro que não. Neste encontra-e-passa, já foram três pessoas, e uma com certeza tinha que ser chorro. Por que digo isso? Porque, quando voltei perguntando pelo meu celular, encontrei o mesmo guarda com atitudes e trejeitos muitos estranhos, nervoso demais para quem só devia responder umas perguntas sobre um celularzinho. No dia seguinte, voltei lá e perguntei mais uma vez, casualmente ao mesmo guarda. Não sei como, lembrava-se de mim, do meu rosto, do meu caso, que tinha perdido o celular. Estranho, muito estranho. Geralmente aqueles que trabalham em locais assim de intenso tráfego de pessoas, nunca se lembram das que foram, vieram e passaram por lá. Vai saber. Já aceitando a perda, tratei de espantar o mau humor e arrumar outro, o que já tenho, e com o mesmo número.

Mas então, será que algumas generalizações chegam a ser verdadeiras? Que Maradona nos responda, não?

Sugerencia del troesma
Se você ainda guarda alguma coisa de criança dentro de você, vá, que não vai se arrepender: Planetario de la Ciudad de Buenos Aires.

Our freek world
Vê se pode uma coisa dessas?! Coisa de japonêro!

Posted in: Uncategorized