Para morrer, basta estar vivo

Posted on 15 maio 2007

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Já dizia a velha frase, sábia, que “Para morrer basta estar vivo”. Ou, outra, que “Viver é perigoso”. E de fato!

Nós nos automatizamos tanto no nosso dia-a-dia, no acordar, ir mijar, tomar banho (passo fundamental não compartilhado pelos argentinos, diga-se de passagem), tomar café-da-manhã, vestir-se, ir trabalhar, almoçar, voltar ao trabalho e voltar para casa que muitas vezes, quando não sempre, perdemos o sentido do que é a vida e do que é estar vivo.

Quando então algo acontece conosco que nos faça sair desta rotina, isto nos deixa perturbados. Faz-nos repensar. Se este algo é quase mortal, ainda mais. Imagine-se sendo atropelado e vendo a vida passar diante dos olhos em uma fração de segundos. Ou então imagine perder o controle da bicicleta em uma descida e sentir que sua hora chegou. Agora, o pior que pode acontecer, talvez, seja deparar-se com tudo isto, sentir a própria pele esfriando e, do nada, morrer, e depois ressuscitar.

Pois isso aconteceu na segunda-feira passada. A vítima? Eu? Não, felizmente. Camilo? Também não, por suerte. A vítima foi, pasme, Natasha, nossa querida Natasha. Para aqueles mais incautos, Natasha não é mais nem menos que nossa queridíssima geladeira guerreira. Sim, dizer que ela é querida é uma obrigação. Dada de presente via esquematizações mil da Abuelita, por si só ela já é querida. Depois, ser velhinha, já uma geladeira idosa, e funcionar como funciona, para poucos. No mais, dizer que ela é guerreira é quase uma redundância: ter sido usada durante mais ou menos uma década pela antiga dona, ter suportado mudanças e o caralho a quatro, vir para nossa casa… Agüentar os maltratos de dois piás de bosta, tem que ser guerreira.

No entanto, mesmo com tanto brio em sua pequena alminha de geladeira, Natasha quase bateu as botas. Para ser mais sincero, teve um infarto e ficou por horas tida como morta. Pobrezinha. Quando pifou, por momentos achamos que era a tomada, que tinha quebrado. Fui na ferretería comprar uma nova, troquei e nada. Depois, achamos que tinha sido porque tínhamos desligado o termostato dela, o que nos tinha sido indicado para não fazer. Fui falar com um técnico de geladeiras, expliquei-lhe sua história de sofrimentos e… Bom, só faltou o cidadão dizer que éramos uns irresponsáveis por não termos trocado não sei o quê não sei quando. Deixei-o falando até que consegui marcar uma consulta de médico para a nossa Natasha. E mais, o médico ainda vinha em casa. Ficou para o outro dia.

Nesta noite, uma série de preocupações. Como vamos fazer com as coisas que estão dentro da geladeira? Será que vão estragar? Será que o leite vai azedar? Será que a geladeira vai chegar a descongelar por completo? Será que teremos a cozinha inundada pelo desgelo? De fato uma série de preocupações rondando nossas cabeças.

Quando, no calar da noite no mesmo dia em que ela infartou, me levantei para tomar um copo de água, vejo, incrível, Natasha ressuscitada, vivinha, novamente a toda funcionando e criando gelo pela culatra. Um pontada de felicidade neste peito de brazuca preocupado com os 120 pesos de conserto do dia seguinte.

Resumo da história e moral do dia, se Jesus pode ressuscitar, por que nossa geladeira também não pode?

Sugerencia del troesma

Paul Auster. Mais nada a dizer. O cara é foda. Já li Trilogia de Nova York, Crônica de fracasso precoce e agora estou lendo Timbuktu. Está sem dúvidas entre os melhores de hoje em dia.

Our freek world

Essa é do arquivo camilonguês: Detentos fogem vestidos de mulher.

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