El Llanero Solitario

Posted on 16 maio 2007

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Praticamente um Zorro, o Llanero Solitario é um personagem de filmes que remonta ao nosso amigo mascarado. Tem seu cavalo, usa sua máscara, é um herói, toda aquela baboseirada típica do Zorro.

Não obstante, o Llanero Solitario também é uma imagem, como seu próprio nome diz, daquele que leva sua vida sozinho, assim como nosso amigo Chuck Norris em muitos de seus filmes ou como a idéia de lobo solitário (referência a Bergman e Hesse). Bom, sabendo disso, qual seria a primeira imagem que nos viria à mente se parássemos para pensar um pouco no nosso Llanero Solitario? Seria uma imagem de um cavalheiro que erra sozinho, tão-somente acompanhado de seu cavalo, por supuesto seu melhor amigo, que vai de lugarejo a lugarejo com o intuito de levar sua vida viajando e, justamente por isso, deparando-se, a cada rato, com aventuras e mais aventuras.

Este que vos fala tem, pois, passado seus dias de Llanero Solitario. Não que eu esteja indo de lugarejo a lugarejo, mas, à minha maneira, estou tendo as minhas aventuras. Meu fiel companheiro (serei eu seu escudeiro ou será ele meu escudeiro?) foi-se por uns dias, minha amada consorte (ou, como diria Pessoa Piper Zunga das Arábias Sauditas, minha “semsorte”), depois de vinte dias de lua-de-mel comigo, também se foi e fiquei eu solitário aqui em Little Horse. Ficamos eu, meu computador, a televisão, Natasha (que num destes dias quase foi desta para uma melhor; que Deus continue não a tendo), meus livros e o pato-perro, que anda ausente. Imagino eu que andou migrando. Os patos fazem isso, não fazem? Os cachorros não. Hum… Em que dilema deve estar o pobrezinho!

Voltando ao prato de lentilha quente, ficamos eu e meus amigos imaginários a ver navios, ou melhor dizendo, a assistir séries enlatadas e a ver o tempo passar. Quando Camilonga se foi, não senti tanto, já que minha adorada semsorte estava aqui comigo. Agora, quando ela se foi, foi o baque das duas ausências ao mesmo tempo. Neste dia, fiquei meio como peru em galinheiro, sem saber muito o que fazer nem para onde ir. Fui à aula, voltei e não encontrei ninguém para conversar. Ninguém a não ser esses muñequitos que se movem na tv a quem insistimos chamar de gente. Que fiz eu então? Refugiei-me, mais uma vez, neles próprios. Não teve jeito. Fiquei vendo tv, programa atrás de programa, zapeando sem rumo, mais uma vez como peru em galinheiro. No dia seguinte, uma terça-feira, quase a mesma coisa, à exceção de que à tarde fui fazer um trabalho de faculdade com uns amigos. Voltei para casa, fui nadar (sim, agora também tenho meus amigos peixes), voltei para casa de volta e fiquei, mais uma vez, a ver meus amigos muñequitos na caixa quase quadrada que solta luz e som.

Minha semsorte e meu companheiro de batalhas e presepadas mil me ajudaram, ainda que a distância, mesmo que via net, a espantar as suas ausências físicas e a transformá-las em presenças ausentes. Tanto me auxiliaram que já começo novamente a decodificar o mundo a minha maneira novamente. E como? Sentindo prazer em comer sozinho. Não que tenha sido um rango qualquer, não, mas foi sozinho, ao som da televisão. O menu teve tudo que me pude oferecer de melhor: macarrão integral ao alho e óleo com champignon, azeitona, alcaparra, cebola e dois tipos de queijo (port salut e prato ralado), regado a um vinho de uva Tempranillo e um copo de água com gás. Como sobremesa, um café Mococa expresso, cortado com uma pitada de açúcar diretamente na cafeteira, e um alfajor Havanna. Para terminar, sentei-me na varanda, no solzinho, lagarteando, curtindo a vista e ouvindo a televisão (sei, sei, mas que posso fazer?).

Sei que muito provavelmente o Llanero Solitario não tem como se dar a todos estes luxos. Mas por que não comemorar também quando se está sozinho, comemorar justamente o fato de que se tem algumas ausências? Pior aquele que nem a ausência de outras pessoas tem.

Sugerencia del troesma

Para quem gosta de vocal feminino meio lounge-jazz, propício para ficar conversando com os amigos ou no bem-bom com a namorada, Beth Orton é uma boa pedida.

Our freek world

Caballito definitivamente é o centro do mundo. Não tenho mais dúvidas disso. Tem de tudo aqui: greves, brigas de gangues, manifestações contra os edifícios, incêndios, morte de policiais e, agora, assassinato no melhor estilo crimes passionais da tv: Homem mata mulher, dois filhos e se suicida.

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