Pipes & Fittings

Posted on 25 maio 2007

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Traduzir é um treco estranho, ainda mais quando é em uma língua que você não domina quase nada e sobre um assunto completamente desconhecido e técnico. À primeira vista, traduzir pode parecer algo bem simples, até simples demais:

O livro está em cima da mesa.
El libro está sobre la mesa.
Le livre est sur la table.
The book is on the table.

Aparentemente, se tomarmos em conta o exemplo acima, traduzir não passa de uma brincadeira de criança. Quase como um jogo de substituição de palavras. Troco “livro” por “libro”, por “livre” ou por “book” e tudo está em casa, como manda o figurino. Depois, troco “mesa” por seus sinônimos, mudo os artigos e abraço! Uma simples tradução pode, porém, se complicar com pouquíssima coisa:

Eu me chamo Magoo.
Mi llamo Magoo.
Je m’appelle Magoo.
I call myself Magoo.

Nos três casos de tradução acima, as três frases estão perfeitamente corretas, de acordo com as normas padrões das três línguas, e até se pode dizer que uma pode ser a tradução da outra. No entanto, querer dizer que são boas traduções, aí já é forçar a amizade com o pobre leitor. Para se traduzir, além de levar em conta o velho jogo de substituição das palavras, ainda é preciso pensar na normalidade e recorrência da frase. Em outras palavras, o bom e velho: “Por mais que esteja certa, como é que eu diria isso na minha língua?” Resposta:

Eu me chamo Magoo.
Mi nombre es Magoo.
Je m’appelle Magoo.
My name is Magoo.

Como se pôde ver, muda um pouco, apesar de não ser muito. É então nestas horas que aquele cidadão que fica tirando tatu do nariz lá no fundo da sala diz: “Pô, mas não mudou nada, caralho! As duas versões dizem a mesma coisa”. De fato as duas versões têm o mesmo conteúdo, mas não o mesmo valor, o que quer dizer que não dizem as mesmas coisas. Por exemplo: se eu traduzir Eu me chamo Magoo por I call myself Magoo, a pessoa que for ler isso vai entender que o meu nome, ou melhor, apelido, é Magoo, mas vai pensar, logo em seguida, de onde é que eu saí. Quem sabe do nordeste da Nova Zelândia? Quem em sua sã consciência iria dizer uma frase dessas em inglês se não fosse por zoação?

Tendo isto em visto, vamos para a próxima complicação: as palavras que em tese têm tradução exata mas que no fundo não são a mesma coisa. Explico-me: pipe, em inglês, significa, a princípio, “tubo” ou “cano”, assim como fitting seria ou “união” ou “conector”. E não são estes pares de palavras sinônimos? Segundo os dois maiores pais-dos-burros, sim; na prática, por outro lado, isso já não é uma verdade. “Tubo” é mais para residências e “cano” mais para indústrias, da mesma forma que “união” é mais para casas e “conector” mais para fábricas. E como é que fiquei sabendo disso? Boa pergunta. Perguntei a um amigo da área, que mexe com essas coisas, e ele me explicou que embora sejam sinônimos, uma palavra é mais usada para um caso e a outra, para outro. ¡La re puta que los parió!

Muito bem, Flipper!, devem ter dito vocês, Mas não passam de duas palavras! Bom, imaginem então uma longa série de palavras para os quais tive que descobrir o equivalente na prática:

nozzle – bocal
thread – rosca
piping – tubulação
socket – união
elbow – joelho
bend – curva
tee – tê
red – de redução
cross – cruzeta
niple – nípel
bush – bucha
crossover – curva de transposição
plug – cap
tank adapter – adaptador com flanges livres
flange – flange
seat valve – registro

¡Qué desmadre! ¡Qué quilombo! ¡Qué lío! E será que estou certo nestas traduções? Só vou saber quando alguém comprar um produto pensando que era outro. E é assim que vão sendo feita as traduções!

Sugerencia del troesma

Como tudo neste mundo uma hora é copiado, aqui fica a versão do MSN para o VocêTubo: Soapbox.

Our freek world

Mais uma pérola de Camilonga, que um dia destes, faz tempo já, teve um ataque de freekice e ajuntou milhões de pérolas: Alemão fica escorrega e fica grudado…

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