Nova cartografia criminal

Posted on 1 setembro 2007

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Que há na esquina da Vallese com Hidalgo? A ver: um kiosco, um prédio, um sobrado e uma lavanderia.
Que há na esquina da Campichuelo com a Díaz Vélez? Uma igreja, o Parque Centenário à frente e um mercadinho chinês.

Que há no cruzamento da Av. Gaona com a Av. San Martín? Uma pracinha, nada mais.

Que há na esquina da Ambrosetti com Avellaneda? Um mercadinho, um açougue e uma locadora.

E que há na esquina da Vallese com Acoyte? Um supermercado, três prédios altos, uma farmácia e um locutorio.

Mas será mesmo só isso?

A princípio, não haveria porque haver mais que isso. Mas tem!

Há cerca de dois ou três meses, na rua Ambrosetti 400, quase esquina com Avellaneda, mataram um guarda sem mais nem menos.

Algumas semanas atrás, na Av. San Martín, 1274, mataram o casal de zeladores con un martillo o un hierro. Crime feroz, até hoje sem explicação, que assustou os moradores do bairro.

Se não me engano, no sábado passado, às 22h da noite, mataram um caixa chinês do mercadinho chinês que tem na esquina da Campichuelo (onde sempre passo para pegar o metrô Linha B) com Díaz Vélez.

Há cerca de 15 dias, quando João Arthur e Louise tinham recém-chegado, tentaram entrar no apartamento. Era um domingo às 2h. Até hoje não se sabe direito o que aconteceu. Existem muitas teorias e hipóteses…

Na quarta-feira, na esquina da Hidalgo com a Vallese, ocorreu um tiroteio às 15h da tarde. Estava eu em casa, exatamente na cozinha, fazendo um cafezinho para mim depois de ter almoçado. Estava tranqüilo e calmo, querendo relaxar tomando meu café e comendo um alfajor, o que sempre faço aqui después del almuerzo. Pus o pó na macchinetta napolitana, pus a água e acendi o fogão. Esperando que a água fervesse, fiquei olhando pela janela da cozinha. Quando, de repente, ouço o barulho de carros correndo, fazendo curvas, freiando e ouço uns pipocos! Um, dois, três, quatro… Depois do quarto perdi a conta… Devem ter sido uns 10 ou 12 ao todo. Não saberia precisar. No primeiro ou segundo, pensei que fosse um escapamento estourando, mas depois notei que eram tiros. Vi uns pintores que estão pintando uma fachada pulando para o teto do mesmo prédio, gente correndo na rua, outros entrando em qualquer lugar e outros se jogando no chão. Uns 10 segundos mais tarde, outro amontoado de ruídos de carros, arrancadas, freiadas e silêncio. Eu, neste ínterim todo, só olhando pela janela. Dois minutos depois, sirenes por todos os lados. Uma, duas, três ambulâncias ao total chegaram. Um minuto depois três carros de polícia e já uma multidão no local. Meu café ficando pronto e eu me dando conta de que não ia poder saber mais nada se não descesse, me sentei e fiquei esperando dar na TV alguma coisa. Não saiu nada.

Ontem, voltando para casa pela mesma Hidalgo, encontrei um dos funcionários aqui do prédio (um dos suspeitos, da minha parte, pela tentativa de invasão aqui de casa). Nos cumprimentamos e lhe perguntei que tinha havido ali mesmo na Hidalgo dois dias antes. Ele me explicou: estava vindo uma caminhonete, de propriedade de uma empresa de segurança que parece que tem aqui perto de casa, com dinheiro de não se sabe quê. A uns 10 minutos daqui, o motorista percebeu que estava sendo seguido. Via rádio, entrou em contato com seus colegas na empresa de segurança, avisou-os que estava sendo seguido e combinaram de preparar uma armadilha para os ladrões justamente na esquina da Hidalgo com a Vallese. Foi assim que, na Díaz Vélez com Hidalgo, a caminhonete deu um gás e veio voando até a esquina da Vallese, onde agora tem um semáforo. Furou o semáforo e parou na esquina. Nisso, vinha vindo o carro perseguidor. Quando este se acercou, começou o tiroteio. O pessoal da empresa de segurança tinha se colocado estrategicamente e abriu fogo. Foi um pipoco só, incluindo resposta dos ladrões. Fatos: um dos ladrões morreu no hospital, nenhum dos funcionários da empresa se machucou e o outro passageiro ladrão do carro perseguidor fugiu no carro de apoio de sua quadrilha. Detalhe: tudo isso quase na frente de uma escola, justamente na hora de saída de uma criançada. Bah!

Sugerencia del troesma

Ótimo ensaio no NYT.

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