Guinchos

Posted on 19 novembro 2007

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As massas falaram! Vindas das profundezas, aonde só o cramunhão pode ir, vozes se pronunciaram em prol desta pequena e miserável brogúncia. Sim, os mais diversos rumores, uns mais doces, outros mais ríspidos, uns respeituosos, outros nem tanto, soltaram o verbo e deixaram seus comentários. Inúmeros, aliás, se comparados à zerice com que vinha vindo esse brogue que vos fala.

Alguns que nunca comentavam se fizeram ver por meio de suas palavras encorajadoras. Outros, os poucos que estão sempre presentes, quase se sentiram indignados pelo desabafo e ameaçaram e este que vos fala de morte: cartas-bomba, comentários-bomba, “Te pego na saída” e outras coisas do gênero de “Escreve aí, porra!”. Mas eu, sempre inamovível da posição pacifista, pensei: “Não, são só delicadezas!”

Até que algo aconteceu em Cavalim. Um algo muito grave, que surpreendeu a todos. Foi no meio desta manhã. Os intrépidos brazuquins estavam em casa, cada qual em seu quarto fazendo suas coisas, quando, meio que procurando inspiração para levantar e preparar um chá, olho para o meu lado direito e vejo, qual um foguete, algo pequeno e preto se chocando com tudo contra a belíssima e muito bem pintada parede laranja do quarto do Camilo. Não mais que cinco segundos depois vejo o Camilo saltitando e saindo correndo quarto afora. “Caralho, puta merda, que porra é essa?”, vitupera Camilo. Eu, da minha parte, sem entender muito bem o que estava acontecendo, me levanto. “Carai, um fiadaputa dum morcego entrou no meu quarto!”, grita Camilo, que, sem saber o que fazer, olha para mim. Corajoso que sou para animais chupadores de sangue, agarro a porta e quero fechá-la. Com Camilo lá fora. Aí me lembro de meu amigo, pobre, coitado, à mercê daquele monstro alado, reabro a porta e o convido a entrar: “Entra aí, cara!”.

Enquanto estou fechando a janela do meu quarto para que não queiram entrar, Camilonga de la Croix me diz: “Cara, e eu vi outro entrando zunindo pela sala!”. “Puta merda!”, penso eu, “Estamos sendo atacados!”. Novamente. Mais uma vez. De volta. Infinitamente atacados! No momento pensei no maldito Pato-Perro, que devia estar só dando risada do nosso infortúnio.

Levados pela premência da situação, carregando duas toalhas e caminhando na ponta dos pés, cagados de medo (o nome disso é coragem, para quem não sabe), saímos dispostos a expulsar os inimigos voadores. Por sorte, já tinham partido. No entanto, ainda muito receosos e temerosos do pior, vasculhamos, qual duas patricinhas com medo de barata, o quarto do Camilo à procura do mortal oponente ou então em busca de algum rastro ou vestígio deixado por ele. Nada. Vasculhamos o banheiro e também nada. Fomos à sala e tampouco encontramos alguma coisa. Tinham ido embora. Deus é pai, não é padrasto! Rindo do ridículo da nossa situação, mas ainda com medo dos filhos de djanho, inspecionamos a casa novamente e mais uma vez não encontramos nada.

Foi neste momento que me caiu a ficha. Seria isso um ataque frontal e direto às nossas pessoas? Seria isso um ato terrorista de certos leitores insatisfeitos (não citarei nomes)? Seria isso um sinal divino, aconselhando-me a escrever e ao mesmo tempo já me dando o assunto do que escreveria? Dada minha consideração para com meus amigos e sempre acreditando que os Ursinhos Carinhosos podem trazer algo de bom para o mundo, optei pela última opção. E me sentei. E escrevi na tentativa de saciar todas as vontades, as dos mortais e a divina. E por fim pensei: ¡Murciélagos hijoputas!

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