Guinchos: o retorno

Posted on 23 novembro 2007

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Não bastasse termos sido atacados na segunda-feira duas vezes (morcego-kamikaze 1 entrando pela janela do Camilo e morcego-kamikase 2 dando um rolê pela sala), fomos novamente atacados ontem por nossos incansáveis inimigos. Fíis duma santíssima madre!

A vítima desta segunda investida foi este corajoso aqui que vos fala. Devia de ser umas 19h. Havia sol ainda no céu, de forma que não tinha motivo para tais amigos estarem passeando por aí. Minha janela estava aberta e eu no computador estudando. De repente não mais que de repente ouço uns guinchinhos malditos e sinto algo passando por sobre a minha cabeça. Quando me viro para ver o que é, vejo uma coisa alada vindo diretamente sobre mim, com as asas abertas, uma cara feia da porra, guinchando e gritando e esperneando.

Muito corajoso, dou um grito de susto e saio pipocando do quarto. “Caraio, Camilo, um fíi da puta entrou no meu quarto”. Camilo, sempre de prontidão, se levantou e veio ver o meu infortúnio. O fíi do cramunhão tinha pousado justamente sobre o meu travesseiro e estava ali mui tranqüilamente. Mais corajosamente do que antes, pegamos as roupas sujas que estavam na sala, dentro da mala que ia para a lavanderia, e jogamos uma peça perto dele para que ele se assustasse. O bicho levantou vôo num triz e começou a voar sem rumo. Nós, claro, sempre destemidos, fechamos a porta do meu quarto mais que rapidamente.

No corredor, nos olhamos um para o outro e eu disse: “Só tem um problema: a janela do meu quarto estava praticamente fechada e duvido muito que ele consiga sair por ela”. “Puta merda, Shak”, pragrejou Camilo. Tive que dar de ombros.

Abrimos então a porta do meu quarto e, com toda a algazarra que tínhamos feito, de fato aquele rato alado tinha voado. Detalhe: por ser mais burro que uma anta, ficou preso no vãozinho da janela, na fresta que havia entre o batente a janela, a qual eu tinha deixado para entrar um arzinho. Pensei: “Mas tu é burro, hein, sió morcego?”. Pensei mais uma vez: “Bah, vou ter que abrir essa porra dessa janela para ele ir embora!”. Protegido por uma toalha suja, me aproximei, a passos curtos e silenciosos, da janela e, com toda a agilidade que Deus não me deu, abri-a o mais rápido que pude e saí voando porta afora. E não foi que o bicho resolveu ficar ali paradinho onde já estava? “Mas vá ser burro assim lá na China, porra!”.

Sem muito mais o que fazer, Camilo pegou o resto da roupa que tínhamos na mala e começou a jogar no bicho para ver se ele se dignava a sair voando. Primeiro foi o meu lençol. Imóvel o bicho. Depois uma camisa minha. Tampouco quis se mexer. Em seguida outra toalha. E nada do cramunhano mover um teco que fosse. Por fim, na quinta tentativa e já quase sem mais nenhuma peça de roupa à mão, ele se deu o trabalho de abrir as asas e sair voando janela afora. Primeira coisa que fiz? Sair correndo e fechar a janela do meu quarto, enquanto Camilo fechava todas as outras da casa!

E sim, se querem saber, estamos sendo bombardeados pelos inimigos, mas mesmo assim estamos resistindo muito bravamente com toda a coragem que nossas roupas sujas nos permitem.

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