Ai, Santo Grambel…

Posted on 15 fevereiro 2008

5


DDD 13, DDD 75, DDD 89, DDD 92, DDD 56, DDD 34, DDD 26, DDD 45… Eu, que nunca tinha ligado para nenhum lugar com esses DDDs antes, hoje fiz coleção. Um amigo de outras freguesias me pediu uma ajuda “nuns trens” dele e fui eu lá dar-lhe uma força e tomar um cafezinho acompanhado de bolo. Minha tarefa: fazer um levantamento de uma série de informações Brasil adentro (ou seria afora? vai saber!). E dá-lhe eu no telefone, discando aquela montoeira de números e falando com seres tupiniquins dos mais diferentes sotaques.
Desprevenido que estava eu, fui pegando o brinquedinho de se falar, comecinho da manhã, e mandando um 71 no grambel. Primeira ligação do dia. Só foi o cidadão que me atendeu soltando a dita: “Arre, bom dia!”. E mais depois emendou: “Ô rapá, guente um pouquinho que já lhe avejo isso!”. Muito embora ele não tivesse conseguido responder nenhuma das minhas perguntas, com que satisfação que eu desliguei o telefone! Só o sotaque e a prontidão do sujeito já tinham valido aquela ligação tão cara.

Entusiasmado, encarei o segundo telefonema do dia. Emendei um 85 no grambel e foi só alegria. Depois de um pouco de conversa, meu interlocutor solta a seguinte: “Marrapanhinho, que pergunta porreta que tu me fez, num sabe?”. Satisfação demais, sô.

Já lá pelas tantas, passada a décima quinta ligação da manhã, DDD 75, uma mulher me atende do seguinte jeito: “Diga, meu amooor, o que é que você quer?”. Mas ela falou com tanto carinho comigo, com tanta afeição que não pude pensar em outra coisa que no fato de como a informalidade é regra nesse Brasilzão véio sem porteira.

Foi aí que liguei para um 90 e poucos. Cu do mundo mesmo. Um tantinho de conversa e a menina que tinha me atendido, de quem eu já meio que sabia da vida toda, me disse: “Oxe, seu sinhô, vou te passar para alguém mais sabidurido que possa te ajudar…” Sabidurido? Satisfação, satisfação!

Nas horas seguintes, foi só uma avalanche de “satisfações”:

“Oxe, bichim, de tão longe qu’ocê tá ligando?”

“Ai, estimado, não desligue não!”

“Ai, diga assim não, que até tô avexada com tua simpatia…”

Eu, educado que fui pela minha santa mãezinha, tive que agradecer, né?

Posted in: Uncategorized