Boletim de Ocorrência/Queixa n°57689

Posted on 20 fevereiro 2008

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Curitiba, 16 de fevereiro de 2008.

No dia de hoje, Maikon Augusto Delgado (26), possuidor de RG e CPF devidamente apresentados e comprovados, compareceu à 3ª Delegacia de Improprérios e Inverdades, situada na Rua dos Bobos, n° 0, e deu queixa contra Camilo Werner González, chamado pelo declarante de “meliante” e doravante neste documento como “acusado”.

Segundo consta a prova apresentada (impressão de correio eletrônico recebido do impropreriante), o declarante teria sido acusado injustamente de “vadio” e “não-partícipe das bizarrices do mundo”. O referido correio eletrônico, anexado a este processo a título de clareza, faz-se dito nas linhas abaixo:

estimados ana-abuelita, ana-carol e ana-bruno (digo, bruno!)

tradicionalmente, se bem ando um pouco avesso a essas tradições ultimamente, envio a maikon-mad-magoo mail com link para algum fato bizarro de nosso mundo que encontro em jornais mundo afora (os titulos desse mail são sempre o mesmo: our freek world)

em tempos gloriosos (leia-se, quando o bonsares postava como uma fabrica de fosforos emite fumaça) quase todo dia havia novo fato bizzaro. alias, por muito havia mais bizarisses do que noticias do blog. mas enfim…

fato é que acabo de me deparar com a noticia de um professor de universidade analfabeto! e, em seguida, com um anao indiano alterofilista!

em duas palavras: im-pressionante!

riam vcs tb em primera mão (a gente nunca sabe qdo o magoo vai colocar isso no blog…. alias, lembra do blog magoo?) http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/

saudações das 15h22 da tarde

Ultrajado, o declarante decidiu-se por denunciar o acusado e assim proteger-se, sob o augúrio da lei, de quaisquer crimes pelos quais possa ser incriminado futuramente. O mesmo declarante admite ser vingativo e disse, ipsis litteris, “…que sua vingança será maligna!”. Como foi o primeiro a prestar queixa neste órgão governamental, o declarante, a saber Maikon Augusto Delgado, possui a proteção legal do artigo 45 da Constituição Desfederal de Assuntos Aleatórios e Desimportantes, § 3, e vê-se completamente exonerado de qualquer culpa referente a quaisquer outras acusações, de parte do acusado, e das acusações que fará contra o acusado. Tendo isto em vista, declarou o declarante:

De tudo o que ele me acusou, o pior foi o de “vadio”. Aquele meliante, o qual não quero nomear por respeito ao ouvido do cão-tinhoso, afirmou que eu não lembrava mais do Blog Bons Ares e que não postava mais. Discordo em gênero, número e grau. E trouxe aqui para o senhor, senhor escriturário, a prova de que estou em dia com as minhas obrigações de pobre escrevinhador de coisas mundanas…

O declarante, exaltado, apresentou as outras provas que trouxera, elencadas a seguir: “Ai, Santo Grambel”, postagem do dia 15 de fevereiro de 2008; “O jeito catarina de comprar macarrão”, postagem do dia 7 de fevereiro de 2008; “Um dia de *m”, postagem do dia 29 de janeiro de 2008; “Vossuncê tumém qué?”, postagem do dia 24 de janeiro de 2008; “Butucaland”, postagem do dia 19 de janeiro; “Quem disse que o bom de chuva é se molhar?”, postagem do dia 13 de janeiro; “A volta daquele que vive querendo ir embora”, postagem do dia 7 de janeiro de 2008. Afora as mais de 100 (cem) outras postagens que o declarante apresentou em sua defesa, escritas ao longo da vida útil do blog Bons Ares. O declarante continuou, pois:

E veja bem, meu senhor, se há cabimento numa coisa dessas. Tamanha injustiça contra a minha pessoa, que mal nenhum fez àquele meliante salafrário. E isso porque não quero entrar no mérito maior da vadiagem. O mesmo meliante, no começo do e-mail que me mandou, já afirma que “anda um pouco avesso a essas tradições ultimamente”, o que me dá mais que margem de me defender dizendo que, ao passo que estou lá na labuta tirando histórias de pedras, lá está ele, perdoe-me a palavra, rascándose las pelotas às 15h22 da tarde, quando devia estar trabalhando, o que, a meu ver, é sinal inconstestável de vadiagem.

Mas não termino por aí. Porque ainda fui injustamente acusado de “não-partícipe das bizarrices do mundo”. Disse o meliante que não posto mais a bizarrices que ele coleta na internet enquanto se rasca las pelotas. No entanto, como ele mesmo afirmou, tem sido pouco avesso a essas tradições, o que comprova o fato de que o já mil vezes citado meliante não tem fornecido bizarrices ao blog, de forma que fica mais uma vez comprovado, na minha opinião, que o vadio é ele.

Além disso, ainda me manda um link de bizarrice de um professor universitário analfabeto, quando ele próprio, e aqui reincorporo o papel de Fiscal da Censura, que deveria ser uma obrigação do meliante, e o de Protetor dos Bons Costumes e da Boa Gramática, minha função sempre exercida, e impropero contra “o já mil vezes citado”, já que seus erros de gramática, no e-mail, são inúmeros. Elenco: não põe maiúscula nas palavras, não acentua, não distingue verbo de substantivo e, para coroar, me escreve bizarrice com dois S, ou então com dois Z e um R. Um crime, meu caro senhor escriturário, um crime inafiançável.

De fato, “bizarrice” com dois S é crime e está descrito no artigo 5 do Código Penal dos Bons Costumes Gramaticais.

Não bastasse isso, excelência senhor escriturário, o meliante não faz bom uso das conjunções, as quais tenho certeza que não sabe reconhecer.

Para terminar e comprovar que não sou um “não-partícipe das bizarrices do mundo”, tendo em vista que já provei que não sou vadio, afirmo que sou amigo do Zunga, e que isso já é mais que motivo para me fazer um amante dos seres gubúguicos e bizarros deste mundo, além do fato de suportar, durante longas períodos de tempo, o meliante cantando MC Catraca.

Findo o pronunciamento do declarante, dou fé e tenho dito.

Ass.: João Manuel Esteves Fonseca (escriturário da 3ª Delegacia de Impropérios e Inverdades).

A MINHA VINGANÇA SERÁ MALIGNA!

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