Um bando de criançolas que gostam de vidjiguêimi

Posted on 7 abril 2008

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Todos os homens têm, dentro de si, um menino à espreita. Aquele que eu tenho dentro de mim gosta de jogar videogame (ou, num mal português, telejogo!). Sorte minha ou não, este tal moleque que sou eu acabou achando outros três, tão meninos ou mais piás que eu, e se juntou para fazer uma longa sessão de jogatinas. Ingredientes que não podiam faltar? Pizza, refrigerante e muita rivalidade.

Pois foi assim boa parte do fim de semana: dedicado ao vício. Começamos na sexta à noite. De la Croix, que certamente está lendo este testículo, acompanhou-me no encontro com os companheiros navegantinos. Chegamos, botamos o papo em dia, fofocamos um pouco, mas, ao final, nos dissemos: “O dever nos chama, caros. Vamos ao que viemos!” Levantamos e começamos uma longa noite de muito videogame.

O jogo? Winning Eleven. As escolhas de cada um? Quando com times, era Camilo com o Chelsea, Piper com o Manchester United, Julio com o Real Madrid e eu com o Barcelona. Quando com seleções, Camilo variando mas ficando no geral com a Itália, Piper com a Inglaterra, Julio com o Brasil (viadinho!) e eu com a França (minha eterna sina).

A primeira copinha já começou com um clássico de grandes: Piper (Manchester) x Julio (Real Madrid). Depois de muitos berros, nervosismos, intimações e demonstrações de macheza, empataram em 0 a 0. O jogo seguinte foi eu contra Camilo. Apesar do nível mais baixo, também houve um clima de acirramento ferrenho. Resultado também em 0 a 0. O terceiro jogo da noite foi eu contra o Piper. Comecei fazendo dois golaços antes da metade do primeiro tempo. Alegre e entusiasmado, pensei: “Bah, será que tenho chance?” Mas Deus não quis estar do meu lado e o fiadamãe do Piper virou o jogo, humilhando-me. Desacreditado, tive que continuar vendo os outros jogos à espera do meu próximo confronto.

A partir dos jogos seguintes, só foi se fazendo ver o óbvio ululante. Julio e Piper, quando jogavam contra eu ou o Camilo, nos humilhavam, ao passo que os dois últimos íamos tentando não perder de goleada. O interessante para nós era jogarmos um contra o outro. Era mais feio, mas pelo menos mais passível de competição. Por outro lado, quando os dois profissionais jogavam acabava sendo mais divertido. Primeiro porque a qualidade do jogo, das técnicas aplicadas e das jogadas era muito superior. Segundo porque a zenzice do Piper se contrapunha tanto ao nervosismo e irritadice do Julio que chegava a ser hilário como este se levantava para reclamar, como xingava quando errava um chute, como esperneava quando levava um gol e como ficava “bravinho” ao perder. Tanto foi que antes mesmo de terminarmos nossa segunda copinha já tinha ido dormir. Por brabeza, é óbvio.

Camilo, Piper e eu ainda continuamos, como nos velhos tempos, jogando madrugada adentro. Com os joysticks na mão, vimos o dia amanhecer contentes da vida de termos rememorado nossa infância e adolescência.

No dia seguinte, o Piper tinha que ir para Floripa encontrar a namorada. No entanto, o vício e o saudosismo foram tão fortes que tivemos que jogar um pouco mais. Julio tinha ido no ensaio da banda e não se juntou a nós.

De tarde, com Piper já longe, só deu eu e o Camilo praticando um pouco. Perder tanto de goleada ficou feio para nós. Mais à tarde, porque também somos filhos de Deus e jogar videogame enche o saco, fomos pegar uma prainha. Vidinha mansa na Praia Brava, cervejinha no copo, conversa com os amigos… Tudo como manda o figurão lá de cima.

À noite, fui jantar sushi com outros amigos. Restaurantezinho íntimo de frente para a praia, sakerinha de jaboticaba, conversa da boa… Não podia estar melhor. Camilo e Julio acabaram pegando uma baladinha “de leves”.

Domingão de manhã, eu, que tinha concurso, acordei cedo, tomei um café e rumei para a Univali. Surpresa minha foi encontrar centenas de centenas de pessoas lá se amontoando para encontrar suas salas. “Jesusmariajosé”, pensei. Fiz, pois, feliz minha prova. Apesar de não saber algumas questões regionalistas (do tipo “Qual é a data da emancipação de Itajaí?”, “Como é o nome do atual prédio do Museu Histórico de Itajaí?”, “Cite dois afluentes do Itajaí-açu.”), a prova estava fácil. A parte de português e informática era patética. No entanto, acho que reprovo nesses pequenos deslizes cometidos nas perguntas regionalistas.

Finalzinho da manhã, volto para Navegantes, depois de um pequeno congestionamento antes justamente da ponte sobre o rio Itajaí-açu, e vou encontrar o Camilão, que estava na praia tirando uma soneca e tomando uma cor, além, é claro, de uma vaca. Ele foi pego de surpresa por uma onda que o molhou inteiro! Hahahaha!

Na volta, comemos algo e nos viciamos mais um pouquinho no vidjiguêimi. Quando teremos outra oportunidade como aquela? Talvez por desígnio divino, encarei novamente a minha sina, a França de Henry, Trézéguet e Barthez, e acabei me encontrando tanto com o time que acabei jogando à altura do Camilo, dando-lhe muito trabalho e preocupações (leia-se gols do maldito Henry).

Finarzinho da tarde, já com os dedos cansados de ficar apertando botão e com os ombros tensos, entramos no carro e voltamos. Com pensamentos maléficos, confessamos…

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