Se liga, rapá, que se não pagar vai levar pipoco na cara!

Posted on 12 abril 2008

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Pois foi com esta frase do título, tão simpática, tão gentil, que nossa história começou. Malandragem, tiozão de uns 39, 40 anos, barrigudo, cara inchada de boteco e jeitão de patranheiro de puteiro, me fechou, saiu do carro (um Mégane modelo antigo) e veio me dando de dedo. Ao mesmo tempo, foi se metendo janela adentro para pegar a chave do meu carro, que estava na ignição.

Eu, que já estava com o cu na mão pela atitude do tiozão, afastei sua pata gorda e sebenta e não deixei que ele pegasse a chave da minha querida viatura. Até aí, eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, assim como, caro leitor, vossa senhoria não está entendendo nada até agora deste texto.

Malandragem só foi dizendo: “Se liga, rapá, que tô ligado no que cê fez. Se não se resolver agora comigo vou chamar uns conhecidos que vão resolver a treta por nós!” Ainda não entendendo nada, respondi que não sabia do que ele estava falando, que ele devia ter se confundido. Malandragem continuou falando a torto e a direito, de forma que fui, aos poucos, capiscando que ele achava que eu tinha quebrado o retrovisor dele, que de fato estava quebrado. Já fui respondendo: “Quebrei nada não, senhor. O senhor está se confundindo.” Foi aí que ele começou a dizer que eu estava me entregando ao dizer isso e que tinha um revólver dentro do carro, revólver o qual ia resolver toda aquele pendenga.

Eu, que tinha mais três amigos dentro do carro, soltei: “Cara, se liga, meu. Eu tenho três testemunhas dentro do carro que podem confirmar que não fiz nada!” Fora, não disse isso a ele, outro amigo, de moto, que devia estar chegando. Caso ele viesse para cima de mim e me pegasse, sei que tinha quatro escudeiros para me ajudar.

Mas foi neste exato momento que algo inacreditável, ainda mais neste país, aconteceu. Nós, que estávamos em uma rua sem nenhum movimento, onde ninguém jamais escutaria nada, vimos uma viatura da polícia, santa polícia!, santa polícia!, virando e parando o carro atrás de nós. Prontamente, sabendo que aquele que se prontifica e se apresenta tende a ser tomado como inocente, o que de fato eu era, saí do carro e fui tranqüilamente falar com a policial que estava na boléia. Pedi a ela que abaixasse o vidro e lhe expliquei a situação: “Malandragem nos abordou, nos fechou, saiu do carro nos ameaçando e nos acusando de ter quebrado o retrovisor do seu carro. Ainda disse que tinha uma arma no carro ou com ele.”

Os dois policiais saíram da viatura e escutaram a versão do Malandragem. Acabaram escutando também a versão dos meus fiéis escudeiros, a qual, coincidência?, era a mesma que a minha. Notaram, no entanto, que Malandragem não era das pessoas mais sóbrias, o que contou como pontos a menos para ele. Deram uma averigüada no meu carro, para ver se de fato tínhamos batido nele ou não (detalhe, como o meu carro é branco, se eu bater, encostar ou relar em alguém vai ficar com certeza a marca da tinta e do raspão), perceberam que estávamos falando a verdade e foram falar com o Malandragem, que, a essa altura do campeonato, já estava começando a ficar com sérios problemas. Os pêlos do cu dele devem ter dado aquela arrepiadinha…

A policial então me perguntou se eu queria ir à delegacia dar queixa por ameaça verbal, respondi que não, para não perder a minha tarde nisso, e pediu que fôssemos embora logo. Enquanto dava a ré, só vi o Malandragem e os policiais indo em direção ao carro dele para fazer uma inspeção. O menos que ia acontecer era o Malandragem ter que se explicar, do ocorrido e do seu bafo um tanto quanto alcoólico…

Nós, é claro, demos no pé. Que o pipoco ficasse pro Malandragem!

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