Trem e outros amores IV

Posted on 23 julho 2008

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[…], […] e […]

A Amstelveen, pois, ela foi, enquanto eu me dirigi ao hostel, imaginando que o meu amigo já tinha pegado todas as minhas coisas no parque. Quando cheguei ao hostel, meu amigo não estava. Perguntei à recepcionista se ele já tinha dado check-in e ela me disse que sim. Completou informando que eu, em tese, também já tinha feito. Quarto n° 203, cama 8. Subi ao quarto, encontrei a minha cama sem nada das minhas coisas. Desci na recepção, perguntei qual era a cama do meu amigo e subi para ver se as minhas coisas estavam debaixo da cama dele ou no seu armário. Tampouco. Pensei: “Caralho, vai ver ele não pegou as minhas coisas pensando que eu ia passar por lá para ir a algum lugar com a Lis”. Na hora, foi o que pensei. No entanto, o idiota aqui não conseguiu pensar nisso duas horas antes!

Fui correndo ao parque (já era mais de 0h) com um medo danado de ter sido roubado e perdido todas as poucas roupas que tinha. Desesperado, não consegui encontrar a minha mochila e entrei em desespero. Sorte minha que consegui me acalmar e me dar conta que não estava procurando no lugar certo. Quando encontrei o arbusto que tinha servido de esconderijo, vi que, embora eu tivesse agido errado em ter titubeado (coisa que eu só descobriria depois), aquele 9 de setembro de 2004 era, sem sombras de dúvidas, o meu dia de sorte por excelência: minhas coisas estavam todas lá, do mesmo jeito que tinha deixado.

Aliviado, voltei ao hostel e tomei um banho. Estava mesmo precisando. Saí para encontrar o meu amigo, que, durante a minha ida ao parque, tinha deixado um bilhete dizendo onde estava. Depois de encontrá-lo, voltei para casa e dormi pensando que ia encontrar a Lis no dia seguinte, já logo cedo. A minha idéia era acordar umas 7h, tomar café, preparar as minhas coisas, ir à estação e lá por umas 9h ligar dizendo a que horas eu chegava.

Já com a passagem em mãos, liguei para ela. O telefone tocou e ela não atendeu. Tocou outra vez e ela não atendeu. Liguei umas quatro ou cinco vezes e ninguém atendeu. Automaticamente passou pela minha cabeça que ela desistiu de mim e da nossa história. Merde! Merde! Impropérios era a única coisa que eu conseguia dizer no momento.

Depois de mais de uma hora ligando para ela, tendo já perdido o meu trem (embora houvesse trens para lá de meia em meia hora), desisti. Podia ir na louca atrás dela, mas sabia que não ia encontrar. Voltei para o hostel, acordei o meu amigo e fomos para Rotterdam.

A minha frustração era incomensurável, inenarrável e sem tamanho. Arhhhh!

Já em Rotterdam, segundo dia na cidade, resolvo ligar novamente para ela por desencargo de consciência. E não é que ela atende?

Alô?

Alô.

Oi, é você?

Tentei te…

Nossa, ainda bem que você ligou!

É?

Eu estava esperando você ligar.

É?

Sim, nossa, desculpa. O meu celular ficou fora do ar durante dois dias. Problemas com a operadora. Você tentou ligar para mim?

Sim, várias vezes.

Ai, mil desculpas. Queria muito que você tivesse vindo. Aliás, ainda quero!

Tive que amansar.

Eu também.

Eu ia te convidar para vir para cá, mas uma ótima coisa aconteceu e eu tenho que voltar para Paris hoje mesmo.

O que aconteceu?

Vou fechar contrato com uma gravadora e preciso me mudar o mais rápido possível para Londres.

Sério?

Maravilhoso, né?

É!

Então, eu vou estar em Paris a partir de hoje à noite. Devo ficar uns três dias, que é o tempo de empacar tudo e resolver a minha vida lá.

Nossa, que bom!

Então, se você puder, venha me ver antes de eu ir embora.

O que mais dizer? É óbvio que ajeitei tudo para em dois dias estar de volta a Paris. Eu precisava vê-la novamente.

continua…

Posted in: Amsterdam, Causo