Trem e outros amores VII

Posted on 7 agosto 2008

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[…], […], […], […], […] e […]

No terceiro ou quarto degrau, depois de ela ter fechado a porta, pensei: “Puta merda! Não posso ir embora assim! Muito provavelmente será a última vez que verei ao vivo a mulher da minha vida.”

Voltei e, já quase batendo na porta, ela abriu. Não foi preciso dizer mais nada: nos beijamos.

No entanto, eu ainda tinha que ir.

Lis, je voudrais juste te dire que je t’aime fort bien, que j’irais n’importe où avec toi…

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

Je… Je suis tellement désolée… Je peux pas. Je te le jure. Moi je t’aime bien aussi, mais je peux pas maintenant…

Por mais que estivesse doendo, eu sabia. Não era nossa hora (se é que um dia ainda teremos uma hora).

Ela me beijou novamente, me abraçou junto do seu peito e me pediu que partisse.

Repars, je t’en pris. J’en pourrai plus.

Fui, também com lágrimas nos olhos. Eu estava me despedindo da mulher.

Quando cheguei ao pátio interno do prédio, ela saiu na janela e gritou:

Hey, guapo.

Olhei para cima.

Sepa que te quiero mucho. Perdóname, ¿sí?

Eu não tinha muito que dizer: también te quiero. Que te vaya bien…

Creio que não é preciso dizer o quão mal fiquei nos dias seguintes. Estava completamente desolado. Mas a vida é assim. Ela não pára.

Fui para Clermont, onde tinha que me apresentar dias depois.

Mais ou menos dois meses após ter me instalado, o telefone tocou de noite.

Oie.

Oi?

Sou eu!

Você?

Sim, eu.

Nossa.

Então… queria só ouvir a tua voz…

Que bom que você ligou. Como está tudo por aí?

Lis me contou como estava indo tudo. A gravação do novo CD, os músicos que estavam colaborando, as pessoas que estava conhecendo. No final, soltou:

Tu me manques!

Moi aussi.

Tenho que ir, tá? Não fique pensando que não te gosto…

Naquele momento, eu entendi tudo. Não só a minha relação e história com ela, mas o amor em geral: o gostar pertence àquele que gosta, não àquele que é amado.

Desliguei o telefone triste e feliz. Triste por estar intuindo que nunca mais ia falar com ela, e feliz por ter entendido um pouco mais do amor.

Desde então, nos falamos com pouca assiduidade, mas nos falamos. Às vezes distantes, às vezes mais próximos, sempre por e-mail. No último, há não mais de um mês, ela me disse:

É impressionante como você nunca esquece de mim…

A minha resposta, que ainda não enviei, será este texto. Às vezes a verdade é longa demais para ser dita em poucas palavras…

fim.

Para encerrar com chave de ouro, porque sei que muitos já não suportavam mais essa novelinha mexicana, que ainda por cima terminou “mal”, deixo vocês com um vídeo que meu amigo Guillaume Alix, do Histoires de Voyageurs, me passou. É justamente sobre esses encontros e desencontros em trens.

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Posted in: Amsterdam, Causo