À mercê das mudanças

Posted on 12 agosto 2008

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Eu indo e vindo. Coisas acontecendo. Pessoas entrando e saindo da minha vida… Mudanças, muitas, têm ocorrido e ficando claro que são imprescindíveis para mim. Preciso de mudanças constantes e acontecimentos na vida. Fazem parte de mim e vão aos poucos me constituindo. Chego até a necessitar desse constante constituir-se. É da minha natureza deixar-se perfazer pelo alheio e pelo desconhecido. Talvez por isso tamanho apreço pelas viagens.

Fico então pensando em como é estranho o ser humano. Ela está à mercê daquilo que não conhece, daquilo que não tem a menor idéia que vai acontecer mas que vai acabar modificando-o de alguma maneira. É uma palavra de alguém no café, um gesto na rua, um cruzar com alguém que, fazendo você tomar uma decisão em meros dois segundos, pode mudar a sua vida quase que completamente. Quantas vezes isso já não aconteceu com você? Pense naquela pessoa que te disse alguma coisa que nunca mais saiu da tua cabeça.

Eu me lembro muito bem de um professor de Filosofia Contemporânea que tive. Ele pediu um trabalho escrito para a turma. Entregamos, ele leu e nos devolveu. No meu, estampado com um humilhante 3 (valia 10), vinha escrito: “Favor aprender a escrever urgentemente!” Aquilo mexeu comigo profundamente, ainda mais porque ele tinha plena razão no seu pedido. Eu não sabia escrever, não conseguia estruturar as minhas idéias e, por conseguinte, não tinha a menor capacidade de dizer o que queria. Fora o fato de que sofria horrores para escrever um único parágrafo. Quando leio aquele e outros trabalhos da época, chego a ter vergonha. O que fiz? Comecei a estudar e escrever um monte, porque, ao contrário do que dizem, só ler não te faz escrever bem. E quem diria que hoje ia gostar tanto disso e ia trabalhar justamente com a escrita?

Aliás, confesso aqui para vocês, de curioso que sou peguei um livro lançado por esse professor e encontrei alguns erros de português…

Uma frase que acabou mudando a minha vida. Quanta repercussão por causa de quatro ou cinco palavrinhas! E quantos desses exemplos não poderia eu continuar elencando, exemplos os quais acabaram me modificando? Ou ao contrário: quantas mudanças nas outras pessoas não posso eu ter gerado sem querer? Nenhuma atitude passa incólume por este mundo.

Em poucas palavras, foi uma série de palavras, ditas e não ditas, que me trouxeram de volta para o Brasil. Essas mesmas palavras refletem ainda hoje em alguns encontros e desencontros… Outras têm o poder de te fazer permanecer ou não em uma situação. Às vezes, por fim, tão-só o silêncio ou a ausência te fazem agir. Algumas pessoas já aprenderam isso na vida; outras ainda não.

Bom, o fato é que as coisas continuam mudando. No meu caso, ainda bem. Se para melhor, se para pior, continuam mudando. O importante é estarem a movimentar-se, como diriam os portugueses. Mais um capítulo se acrescentou à história que ainda vou escrever sobre as minhas moradas. Tem-se, ao longo do tempo: Criciúma; Brusque; Rua Vereador Antônio dos Reis Cavalheiro, 670; Visconde de Guarapuava, 150; 37, rue Piat; 32, rue des Planchettes; 16, avenue des Paulines; Felipe Vallese, 450; novamente a Vereador; Paula Gomes, 385; e agora Solimões, 1457. A próxima? Só Deus sabe. E confesso que não quero saber. Prefiro o mistério.

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