Do querer estar em silêncio

Posted on 10 outubro 2008

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Quer-se, por vezes, estar em silêncio. Uma vontade simples de manter-se calado. De não falar porque se quer ouvir os próprios pensamentos. Eles falam, mas não gritam, de forma que escutá-los não é tão simples. Mas tudo, nessas horas, parece conspirar contra: é o murmurinho quase intermitente dos companheiros de trabalho que atrapalha, é o rádio da vizinha com músicas de que eu gosto que incomoda, é o telefone que toca, é a buzina na rua que soa, é o som da maçaneta e as borboletas da porta… 

Às vezes, confesso, até os barulhos que faço me incomodam. Pudera fosse menos ruidoso.

Quando não é o barulho visual das coisas. Uma mesa desorganizada, um quadro todo riscado, roupas jogadas em cima da cama…

Diz o provérbio que o silêncio engendra. Estaria eu, pois, engendrando? De fato, engendrando sempre estou. Aonde vou com isso, isso nunca sei. Tampouco me preocupo muito.

Contudo, essa vontade de silêncio também é um não querer ser invadido pela algazarra do mundo, que nessas horas parece ser tão barulhento. É um não querer ouvir opiniões alheias, é um querer que não precisem de você. É um querer estar só, consigo (melhor companhia não há), calado e em silêncio. É um querer fazer valer o silêncio ao mesmo tempo que se quer dizer algo.

 

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