¡Y lo sobrevivió!

Posted on 8 dezembro 2008

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Tendo recuperado suas forças no spa automotivo, Gonza pôs os pneus na estrada e foi posto à prova. Carregando Camilo-longa-longa González na boléia e  Tatinha, Cabra le chèvre e eu como passageiros, levou-nos por entre os Campos Gerais paranaenses a Witmarsum, colônia alemã de 1300 habitantes. No caminho, embora não tivesse tido oportunidade de demonstrar sua potência por conta de um engarrafamento quilométrico, deixou claro que seu sistema sudorípero não sofreu nenhuma ameaça, não suando óleo pelo virabrequim. Fantástico. Ou, como diria o próprio Gonza, biii-biii. 

Chegando a Witmarsum, com enorme coragem, fez-nos subir, sem dificuldades, até o cume do pico mais alto da cidade, onde pudemos ver um “Ponto de interesse turístico” (faltou a foto, mas a placa está lá!). De lá, deixando-o repousar do esforço inusual, entramos no (único) museu da cidade. Ao contrário do que pode parecer, foi um passeio, com direito a guia, superinteressante.

Derrubado como patrimônio da cidade, o museu já foi de tudo, desde residência até hospital. Nossa visita ao museu tornou-se ainda mais interessante pela presença de nosso guia, H. E. P., que, segundo ele próprio peça viva do museu, foi nos contando um pouco da história da colônia. 

Devemos ter ficado com nosso guia H. E. P. pelo menos 1h30. Saímos do Heimat Museum já famintos e gritamos todos em voz alta: “Gonza, leve-nos para comer. Bora!” Gonza, prontamente, quase já como um nativo do lugar, levou-nos ao Bauerhaus, onde comemos Eisbein ao molho de geléia de pimenta e mostarda preta. Nada a acrescentar a não ser que quase explodimos. 

Sedentos de aventura e não satisfeitos com nosso “Ponto de interesse turístico”, resolvemos procurar algum lugar de “desinsteresse turístico”. Ei-nos procurando uma gruta que o Cabra sabia que existia, mas não lembrava onde. Apesar de a cidade ser pequena e do interior, não havia ninguém nas ruas, nem mesmo vira-latas. Ficamos na dúvida se estavam todos na igreja ou se estavam todos se escondendo de nós… Independente disso, com toda a coragem que a Renault lhe concedeu, Gonza embrenhou-se por inúmeras estradas de terras, pedra e buracos à procura da dita gruta. Foi necessário pelo menos 30 minutos rodando pelas estradinhas do interior da colônia para finalmente a encontrarmos. Enquanto nos metíamos todos por seus vãos, Gonza tirou sua siesta merecida depois do esforço inusitado. 

Voltando, resolvemos tomar um café para acordar. Além da soleira que estávamos levando no coco, ainda tínhamos conosco nossa cabra preferida. Como todos sabem, o Cabra não pode viver sem café. Paramos na Confeitaria Kliewer. Foi quando se deu a chacina da Kliewer, como ficará conhecida nos anais da história. Pedimos jarra de limão galego, pedaços de torta alemã, pedaços de apfelstrudel, torta de morango, torta de amora e café com leite… Parodiando Neruda, confesso que comi!

No entanto, com toda essa comilança, ainda não tínhamos cumprido nossa missão: fazer o conta-giros subir e ouvir o ronco do Gonza descendo a lenha na estrada. Despedimo-nos, pois, de nosso novo amigo H. E. P., de todos os seus compatriotas e pegamos o caminho de volta para Curitiba, sempre com o Camilo na boléia e com a proteção de nosso herói de quatro rodas. Durante os 60km da volta, estrada vazia, Gonza fez a lição de casa como um bom sênior que é, deixando-nos tranqüilos para os 4000km que pretendemos percorrer ao longo da UYTrip. Dá-lhe, Gonza!

Já em terras de muito pinhão, descobrimos que ele, mesmo andando vários quilômetros em estrada de terra, gastou cerca de 12km/litro, um número esperado. 

Assim sendo, pois, nada nos resta então a não ser homenagear o Gonza por sua bravura e esperar o dia 19! 

¡Que venga el Uruguay profundo!

Vrum-vrum!

 

 

Posted in: Uruguai