UYtrip – dia 1

Posted on 8 janeiro 2009

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De retorno da Uruguay Trip (UYtrip) e tendo tirado os últimos dias para resolver todas as burocracias pendentes, me ponho a escrevinhar o primeiro episódio da saga uruguaia de quinze dias.

A saída se deu na madrugada do sábado 20 de dezembro. Acordei já com sono e praguejando contra as cervejas que tinha tomado horas antes com a Paty Girl e o Rodrigo “Voborogoda” Werneck no Pudim e no Torto. Tomei um banho para acordar, preparei o meu café-da-manhã e cheguei à casa do Piper com 45 minutos de atraso, às 4h45.

Partindo na madruga

Partindo na madruga

Ajeitamos a sua bagagem no porta-mala do Gonza e fomos buscar sua tia no Boa Vista. Como eu resolvi ir pela BR116, combinei com ela de lhe dar uma carona até Lages.

Os três dentro do carro, disse ao Piper: “Prepara um mate aí, fio!” Com cuia e erva argentinas, sebó um chimarrão/mate uruguaio (no coração e na intenção) e fomos percorrendo as tantas subidas e descidas do trecho entre a Curitiba e Lages.

Mate

Mate

Tudo correndo normal, o mate rolando solto até que, de repente não mais que de repente, acende uma luzinha no painel do Gonza. Por o desenho se parecer às linhas de um cardiograma, me preocupei. Lembro que o Camilo me disse para, assim que acendesse, se acendesse, algo de diferente no painel, correr no manual e ver o que era. Pedi ao Piper para fazer isso. Qual foi o nosso espanto ao descobrirmos que a luzinha era da injeção eletrônica. Fiquei realmente preocupado. Na seqüência liguei para o Camilo e lhe contei o que estava acontecendo. Se sabia ou não do que estava falando, o fato é que disse para não me preocupar porque essa luzinha vivia acendendo. Uma coisa de mau contato. Me tranqüilizei.

Seguimos viagem.

Se às 5h30 já estávamos na estrada, por volta das 10h30 estacionamos o carro na frente da casa dos avôs do Piper, prontos para tomar um cafezinho com pão caseiro, queijo e marmelada.

Antes mesmo do almoço já fomos embora, retomando a estrada rumo a Porto Alegre. De Lages para Porto Alegre, tudo tranqüilo pela 116 e pela serra gaúcha. Aliás, ô lugarzinho bonito da porra!

O Gonza, nisso tudo, comportando-se perfeitamente. A luzinha de batimentos cardíacos do Gonza já tinha apagado, o motor ia roncando suave, pouquíssimos buracos na pista. Gonza like musse!

Na altura de São Leopoldo, o co-piloto Piper foi nos guiando pelo conurbano porto-alegrense. Camilo já estava ciente de que estávamos chegando, Lorena (a namo do Piper), que ia nos hospedar, também. Tudo nos conformes. Passamos São Leopoldo, passamos Sapucaia do Sul, passamos Esteio e, quando já estávamos por entrar em Canoas, bem em frente à entrada da universidade, diante de uma churrascaria com ares alemães, o Gonza pede água.

Estávamos já na BR/perimetral que corta toda a grande Porto Alegre. Paramos no semáforo e, quando vamos arrancar, piso na embreagem e ouço um clac. A embreagem do nada fica molenga e sem resistência. Pensei na hora: “Arrebentou o cabo da embreagem!” Detalhe: nesse momento preciso eu estava com o Camilo no telefone. Já no mesmo instante contei para ele o que tinha acontecido.

Cabo da embreagem arrebentado

Cabo da embreagem arrebentado

A minha primeira reação foi preocupar-me: “Puta merda, será que esse carro vai dar piti já no primeiro dia de viagem?” Mas logo, com o Piper do meu lado, tivemos que nos ocupar de tirar o carro da BR/rua e empurrá-lo para a calçada para não atrapalhar o trânsito.

Gonza avariado na calçada-acostamento em POA

Gonza avariado na calçada-acostamento em POA

No meio tempo, o Camilo, com toda sua agilidade de pacotilla galeteira, já foi procurando um mecânico disponível em plena tarde de sábado 20 de dezembro. Uma missão complicada.

Mas conseguiu. Menos de 20 minutos depois de o cabo ter arrebentado estavam ele e Hernán (pai do Camilo) conosco esperando o mecânico, que já estava a caminho.

A trupe na espera do mecânico

A trupe na espera do mecânico

Uma hora se passou e chegou o mecânico dirigindo um Fusca todo arrebentado. Enquanto vi no rosto do Camilo a preocupação, eu me aliviei. Se o cara consegue fazer um Fusca daquele andar, é porque ele é bom mecânico. Fora isso, quem já está acostumado a arrumar Fusca tira de letra qualquer outro problema de qualquer outro carro.

O mecânico, que por sorte tinha em casa um cabo de embreagem guardado (sujeito a encaixe ou não no modelo do Gonza), desceu do carro sem camisa, de havaianas e com um puta barrigão. Na mão, o famigerado cabo. Olhou a embreagem, abriu o capô e começou a dilacerar o Gonza.

O mecânico trocando o cabo da embreagem

O mecânico trocando o cabo da embreagem

Uma hora de trabalho depois, eis que nosso destemido herói das BRs e UYs se vê novamente tinindo e com a embreagem, que estava dura que nem pedra, macia como uma manteiga. Felicidade total de todos os telespectadores e viajantes da redondeza. Com tudo funcionando à perfeição, seguimos rumo ao hotel em que o Camilo estava hospedado, pegamos suas malas e fomos à casa da Lorena, que nos esperava com um cafezão da tarde de dar inveja: vários tipos de queijo, salames, pães, sucos, frutas e afins.

À noite, todos de banho tomado, fomos conhecer um bar de POA que não é lá muito bar. É um lugar que nem placa tem. Fica numa esquina (depois passo o endereço) e só entra quem é conhecido ou das atendentes ou do dono; caso contrário não entra. Aliás, o reconhecimento se faz de uma maneira muito cinematográfica. Você chega, bate na porta do bar, que está fechada, alguém vem, abre uma janelinha à la clube clandestino de pôquer, olha na tua cara, te cuida e tenta se lembrar de você. Lembrando, abre a porta. Não abrindo, simplesmente a fecha e nada de você poder entrar. Por sorte, como estávamos com uma amiga da Lorena que conhecia o pessoal do bar, entramos.

Lá dentro, um outro mundo. O bar é todo kitsch, minimamente decorado, desde a maçaneta até o teto (literalmente), e repleto de cervejas nacionais e importadas de todo o tipo, inclusive artesanais. Um charme só. E as cervejas… Ai as cervejas! Foi um desbunde.

No entanto, como tudo que é bom termina rápido, o bar fechas às 23h30 e de lá esticamos para a Cidade Baixa. Terminamos a noite todos meio zuretas de sono e com algumas cervejas no coco. Sorte que a puliça não sabia disso.

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