UYtrip – dia 5

Posted on 16 janeiro 2009

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Na noite de 23 para 24, Abuelita, no Plaza Mayor, dormia o sono dos anjos. Camilo, na cama de baixo do beliche, também. Fui o único que sofreu com o maldito calor que fazia na noite de 23 para 24. Levantei no meio da noite, pedi que ligassem o ar-condicionado, me disseram que estava quebrado, tentei voltar a dormir e acabei suando.

Manhã de véspera de Natal. No café-da-manhã, mais café ruim (isso não é uma reclamação pura e simples), leite quente, pão e doce de leite. 

Às 10h, quase pontualmente como ingleses, fomos buscar nossa querida Abuelucha Busbus no hotel. Gonza, arrumado e relativamente limpo, esperava-a com as portas abertas e o tanque cheio, pronto para dar um rolê por Colonia. 

Banco de trás

Banco de trás

Gonza e seu choffeur

Gonza e seu chauffeur

A postos, os paparazzi querendo fotos exclusivas para a revista Caras. E conseguiram, aqueles salafrários.

Clic do flagra

Clic do flagra

Abuelita, de bom humor, até pousou para uma foto.

Posando para os paparazzi

Posando para os paparazzi

Partimos rumo a Real de San Carlos, ao reencontro com o passado. Busbus, tempos atrás, morou dois anos em Colonia, e um dos lugares foi uma cabaña em Real. Nossa meta primeira era achá-la e fotografá-la. Meta n° 2: parar na praia, tomar um mate e ficar de conversê. 

À procura do chalé, passamos pela Plaza de los Toros e por outras ruelas de Real.

Plaza de los Toros

Plaza de los Toros

E encontramos o chalé escondido entre umas árvores.

Chalet caché

Chalet caché

Nossa curiosidade satisfeita, estacionamos o carro e nos instalamos na praia (ribeirinha), onde nos preparamos um bom mate, bebida uruguaia por excelência.

Vista da praia de Real San Carlos

Vista da praia de Real de San Carlos

Ficamos por lá até que a fome e a sede nos acometessem. Pensando em refrescar a alma com uma cerveja e em evitar o mau humor pacotijeiro, voltamos à Colonia e nos sentamos em um bar. Pedimos uma Zillertal, um café para Bu e umas fainas para beliscar. 

Mais conversa rolando e resolvemos ir almoçar (é minha impressão ou só pensamos em comida?). O nome do restaurante eu não lembro, mas do tamanho da milanesa napolitana con papas fritas que pedi sim. Enorme. Nem eu, nos meus áureos tempos, teria conseguido enfrentá-la. Deixei mais da metade no prato. Era realmente enorme. Cafezinho, sobremesa (panqueca de doce de leite) e gordurinha se acumulando aos poucos na pança.

Depois do almoço, sugestão abuelística: a merecida siesta. Deixamos a Abuelita em seu hotel, passamos no hostel para pegar nossas coisas de praia e s’imbora.

Enquanto o Camilo foi já se instalando, aproveitei que tudo na cidade estava aberto e fui cortar os meus cabelos, que já estavam grandes e me incomodando. Como cortar os cabelos sempre foi um problema para mim, fui com receio. No caminho, decidi cortar da maneira mais simples possível para dar menos sopa ao azar e diminuir a margem de erros. 

Rodei um pouco e me decidi pela Peluquería de Don Valentí. O proprietário, que me atendeu e cujo nome é Paulo Valentí, filho de brasileiro com uruguaia, indagou meus gostos, inqüiriu minha vontade e mandou bala no corte. Se não tivesse ficado tão curto, teria acertado em cheio. 

Saí do cabeleireiro feliz por estar com cabelo cortado e levemente preocupado por tê-lo muito curto. Não queimaria a cabeçola debaixo daquele sol inclemente do Uruguai? Dizem que tem um buraco na cama de ozônio justamente sobre o país.

Voltei à praia ribeirinha e encontrei Mr. Cabezón na praia estirado tomando sol. Pensei: “Que fique lá. Eu vou sentar a minha bunda aqui na sombra e tirar uma soneca bem sossegado.”

A tarde, pois, se passou assim. Uns tomando sol, outros se encondendo dele e descansando.

Pôr-do-sol em Colonia

Pôr-do-sol em Colonia

À noite,  combinamos de cenar com a Abuelita e “comemorarmos” assim a noite do Viejito Pascuero (como, no Chile, chama o Papai Noel; ai meus sais!). Não havia muitos restaurantes abertos, ao contrário do que esperávamos. Um aqui, outro ali e todos o olho da cara. Acabamos escolhendo um que oferecia um bufê livre de saladas e a promessa de carnes. Sentamos na rua contentes por termos encontrado uma boa opção ao ar livre. Detalhe: o interior do restaurante estava todo decorado à espera dos clientes, mas ninguém quis se sentar dentro por conta de noite agradável que fazia. Já relaxados, pedimos uma cerveja e ficamos conversando.

Aproveitando a espera, a Abuelita nos deu (na verdade para o Gonza) o presente que tinha comprado: um aspirador de carro. Uma indireta? Jurou por tudo quanto é santo que não.

Quando a fome já estava batendo forte e o Camilo se remexendo sem parar na cadeira, perguntamos pela comida. Afirmaram que já estava saindo. Esperamos, esperamos. Todos as outras pessoas das outras mesas, quase todas do Brasil, também já estavam incomodadas. Até que foi anunciado que a ceia estava pronta. Qual um bando de cachorros famintos, a turba se levantou e atacou o bufê. Não sem decepção, descobrimos todos que nos venderam gato por lebre, quase que literalmente. Teoricamente, deveria ter sido um bufê livre de saladas e carne. Não posso negar que não havia variedade de saladas. Isso não posso negar. Já a carne, senhores… Tirando as fatias de presunto e umas carnes frias servidas em rodelas (Abuelita disse que era chique servi-las assim), nada. Como bem resumiu o Camilo, ficou faltando algo quente.

O sentimento de que “fomos enganados” era unânime. Todos os comensais, quando se deram conta de que aquilo era tudo, se entreolharam e fizeram o mesmo comentário, em português: “Só isso?” Brasileiro é mesmo foda. Tudo um bando de gente sem classe que não sabe ser elegante. Chiques ou não, o fato é que fiquei com fome, e imagino que o populacho também. Não nasci mesmo para ser chique!

Deu meia-noite, ficamos mais um pouco e fomos embora. Demos uma voltinha com a Abuelita e voltamos para o hostel. Camilo queria sair; eu nem tanto. Adivinhem no que deu isso. A noite de 24 para 25 acabou com um dormindo no sofá e com outro tentando se convencer de que só ia dar aquela descansadinha…

 

 

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