UYtrip – dia 11

Posted on 29 janeiro 2009

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Depois de dormir toda a tarde e ainda ir deitar cedo, acordei como novo. Disposto a descobrir o que Piriápolis tinha para oferecer. Tomamos café e saímos para dar uma volta pela cidade, ver se ela podia nos surpreender. Qual dois velhos, fomos caminhando pela orla e conversando sobre os planos futuros. 

Animado com a perspectiva de explorar o mole e o cais da cidade (coisas que sempre me interessaram), intimei a Pacotilla a vir comigo. Nos primeiros 200m ele veio de boa vontade. Depois já começou a reclamar e atribuir a preguiça ao seu chinelo estilo Rider clássico. Ai meus sais!

Autoenganando-se dizendo que não podia mais caminhar, voltou para buscar o carro. Na verdade, preguiça crônica. Fosse como fosse, combinamos então de nos encontrar no cais.

Enquanto fui caminhando, qual um atleta que já fui, Camilo voltou, a passos de formiga, atrás do carro, de um tênis e do que mais fosse necessário para promover-se a soneca dos anjos. 

Cheio de iates e barcos, fui vendo-os um a um no cais. Clichê ou não, sempre quis morar em um barco e não duvido que realize esse sonho um dia. Deve ser uma experiência libertadora. Apesar do preço alto que se paga, pode-se mudar a residência quando bem entender e ainda viajar com a própria casa. Será que estou delirando muito? Porque, no final das contas, tirando dois ou três franceses que conheci, nunca cruzei com alguém que fizesse isso. Talvez porque eu não seja rico e não conheça nenhum really high society.

Cais de Piriápolis

Cais de Piriápolis

 

O fato é que cais são, para mim, lugares perfeitos para a introspecção. Nada melhor que o marulho das águas batendo de leve no casco do barco, a brisa roçando nos cabelos, friozinho alentador e a sensação de contentamento. Fico me perguntando por que todos que estão nos barcos, mesmo que seja para almoçar, têm uma cara nítida de contentamento…

O cais visto de cima

O cais visto de cima

Sentei-me no farolete em um dos braços do mole e abri meu Mankell (ainda estava no Zapatos Italianos), mas não li. Fiquei, como dizem por aí, pensando na morte da bezerra. 

Como não descobri por que cargas d’água a bezerra morreu, retornei à entrada do cais para encontrar o Camilo, que tinha recém-chegado. Não foi nenhuma novidade quando ele me perguntou se eu não me incomodava de ele ficar dormindo no carro. Claro que não. Que dormisse.

O Gonza e o dorminhoco do Camilo

O Gonza e o dorminhoco do Camilo

Peguei a máquina fotográfica, meu Mankell e fui até o outro braço do mole. Recostei-me na estrutura de hormigón e fiquei observando os funcionários colocarem um barco na água após o conserto. 

Num dos braços do mole

Num dos braços do mole

Barco sendo recolocado no mar

Barco sendo recolocado no mar

Horas depois, voltei ao carro ver se o Camilo já estava com ânimo para parar de dormir, mas não estava. Continuou babando no banco de trás enquanto me deitei na grama e continuei a minha leitura. Quando me cansei, tomei um café, dei uma volta por tudo e li mais um pouco. Voltei ver o Camilo estava vivo e descobri que estava hibernando. Não sei se ele sabe, mas preguiça é um dos sete pecados capitais.

Umas quatro horas depois, quando a barriga começou a roncar (porque, para o Camilo,  só a fome pode ser algo pior que a preguiça) é que ele deu sinais de vida. Comemos alguma coisa no mesmo bar em que eu tinha tomado anteriormente um café  (aliás, o melhor café que tomei em todo o Uruguai), o Camilo foi andar de teleférico (disse que adorou; preciso levá-lo um dia no de Brusque: 70m de altura só na cadeirinha) e fomos dar uma volta de carro pelas praias nos arredores de Piriápolis. 

Teleférico

Teleférico

Camilo aprontando nas alturas

Camilo aprontando nas alturas

Passamos por vários lugares perfeitos para a introspecção. E dá-lhe mais conversa sobre os planos futuros…

Punta Colorada

Punta Colorada

Prainha qualquer

Prainha qualquer

Já quase anoitecendo, voltamos ao hostel e saímos para jantar. Fomos a um restaurante que tínhamos encontrado no dia anterior em uma rua perpendicular à principal, o mais à la Brasil que havia: buffet livre, com vários tipos de salada, pratos quentes decentes, carne à vontade e sobremesa. Se tem uma coisa que no Brasil é demais é a alimentação: variada, abundante e barata.

Nem preciso dizer que voltamos qual bolas para casa. A essa altura, já me dizia que ia ter que fazer uma dieta ao chegar em Curitiba. 

Voltamos para o hostel e ficamos conversando com nossos amigos ciclistas, que no dia seguinte rumariam para Punta. Nós também. Tínhamos reserva para o Ano Novo em Manantiales, uma praia distante de Punta, teoricamente no município de José Ignacio, e íamos até lá percorrendo todos os caminhos praieiros que fôssemos encontrando. Quem sabe nos cruzássemos…

 

 

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