UYtrip – dia 12

Posted on 30 janeiro 2009

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Com o fim do ano e a festa de réveillon chegando, Camilo estava mais que empolgado. Vai gostar de festa assim lá na China. Eu, já mais no meu estilo tranki, estava animado, pero no mucho

De pança cheia, entramos no Gonza e partimos novamente rumo a Punta del Este, mas dessa vez não pela BR/UY e sim pelas estradinhas praianas beira-mar.

Shakotilla e seu chapeuzinho arrumando o porta-malas do Gonza em Piriápolis

Shakotilla e seu chapeuzinho arrumando o porta-malas do Gonza em Piriápolis

Antes, porém, resolvemos voltar um tantinho para o lado de Montevideo e fazermos uma visita a dois lugares: o Castillo de Piria e o Castillo de Pittamiglio. Como é que é: castelos em plenas praias do Uruguai? Sim, castelos, e dos mais estranhos. Existe, em tese, uma explicação para o fato de estarem lá, mas nem o Camilo nem eu a achamos plausível. 

A história é a seguinte. Diz a lenda, e os anais históricos mal-escritos do Uruguai, que um certo Fernando Juan Santiago Francisco María Piria de Grossi, aka Piria, filho de descendentes genoveses pobres, retornou à Itália ainda criança para estudar. Quando voltou, ainda pobre, para o Uruguai, entrou no exército e fez carreira como arrematador (vai saber!). Isso em 1853. Em 1866 se casa com Magdalena Rodino e tem uma penca de bacuris.

Óiai o tiozão Piria!

Óiaí o tiozão Piria!

Até que, e é aqui que a história não encaixa, em 1890, 24 anos depois, compra, não se sabe com que dinheiro, uma propriedade de uns 2000 hectares na região onde hoje é Piriápolis. Eu e o Camilo, quando ouvimos essa história pela primeira vez, já desconfiamos, mas foi ao entrar no Castillo de Piria (atual museu em homenagem ao proprietário/fundador de Piriápolis e região) que nos demos conta de que tudo isso está mais para maracutaia que qualquer outra coisa. Se o cara era tão pobre e ainda voltou tão pobre quanto da Itália, seria possível um filho de imigrantes, em 26 anos, ter conseguido dinheiro para comprar quase 1/5 do país? E se conseguiu só trabalhando, foi fazendo o quê? Sem explicação. Só os criadores do Google seriam capazes de tal façanha. 

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Saca só a casinha de campo da criança!
Saca só a casinha de campo da criança!

Fato é que, puxando conversa com a guia, que só sabia o básico da história do Piria, descobrimos que ele era maçom (não sei até onde isso poderia dizer alguma coisa) e meio que alquimista. Digo “meio que alquimista” porque não sei até que ponto alguém pode ser alquimista no final do século XIX. E o que diabos fazia um alquimista nessa época? Mais um dado importante: Piria era amigo do tal do Pittamiglio, dono do outro castelo, citado acima, com quem mantinha uma amizade, palavras da guia, misteriosa.

De mistério, para mim, já basta os livros policiais que adoro. Sendo assim, para não ficarmos com essa pulga atrás da orelha, criamos uma versão nossa para todo o imbróglio: Piria, os maçons, os alquimistas dos pampas latino-americanos e o Pink & Cérebro, todos juntos, estavam tentando conquistar o mundo. Falharam nas dimensões. Conseguiram uma boa parte do Uruguai, hoje em dia a mais rica, mas não chegaram ao mundo. 

O tio tinha tanto dinheiro que construiu esse pequeno hotel em Piriápolis!

O tio tinha tanto dinheiro que construiu esse pequeno hotel em Piriápolis!

Outro dado interessante e que nos fez pensar era no dinheiro que esse Piria, e por conseguinte seus descendentes, teriam. Olhem que coisa estranha: parece que, após a morte do Piria, a família deixou de pagar vários impostos para o Estado, a tal ponto que chegou um momento em que perderam todos os bens que tinham! Cumé? Para mim, quase impossível? Tem que ser muito, mas muito idiota para conseguir perder 1/5 do país por conta de não pagar impostos e taxas… Muito estranho!

A vista da casa de campo dele...

A vista da casa de campo dele...

De qualquer forma, fomos visitar o Castillo de Piria, que, além de maçom e alquimista, também era megalômano. Quem, em sã consciência, constrói um castelo para si, sendo que ele seria só a sua residência de campo? Outro detalhe: só a caballariza (estábulo e adjacências) do cara era quase uma cidade!

Reformadinho, daria uma puta cidade western...

Reformadinho, daria uma puta cidade western...

Caballariza Ville

Caballariza Ville

Tinha até uma igreja nos estábulos

Tinha até uma igreja nos estábulos

No meio de tudo, abandonado, um parente distante do Gonza...

No meio de tudo, abandonado, um parente distante do Gonza...

De lá, aproveitamos o embalo e fomos dar uma olhada no outro castelo da região, o do Pittamiglio. Mais estranho ainda! Não só por ser um castelo em meio aos cerros, mas também por ser, segundo dizem, de arquitetura alquimista (não me perguntem o que isso significa). De fato, são traços bem estranhos.

Castillo de Pittamiglio

Castillo de Pittamiglio

Detalhe de uma das torres

Detalhe de uma das torres

Detalhe da outra torre

Detalhe da outra torre

E lá para dentro tem mais coisa estranha ainda

E lá para dentro ainda tem mais coisa estranha

O Castillo de Pittamiglio, além da estranheza, também está interditado ao público por sabe-se lá qual razão. O fato é que dizem que se você quiser entrar escondido vai levar chumbinho nas orelhas. Preferimos não correr o risco. 

Vai saber!

Vai saber!

Pegamos novamente as estradinhas litorâneas rumo a Punta del Este. Passamos por dezenas de praias e um sem-fim de puntas, uma mais linda que a outra. 

Punta Colorada

Punta Colorada

Gonza pegando um bronze

Gonza pegando um bronze

O último dia do ano foi, para nós, o que mais rendeu em termos de turismo. Fomos a inúmeros lugares, no melhor e mais autêntico estilo road trip

Só praia...

Só praia...

... e mais praia!

... e mais praia!

Passamos, por ter perdido antes, por Punta Ballena, um dos lugares de que mais gostamos no Uruguai.

Punta Ballena

Punta Ballena

Será que eles estavam tentando pescar uma baleia?

Será que eles estavam tentando pescar uma baleia?

E ainda tem um caboclo que mora lá!

E ainda tem um caboclo que mora lá!

Também passeamos por umas praias de altíssimo nível, altamente luxuosas. Se você, incauto viajante, quando foi a Punta del Este se impressionou com a riqueza e achou que todos os ricos do sul do mundo têm apartamento lá, você se enganou. Os ricos têm casa nessas prainhas a que fomos. Realmente uma coisa sem noção. Um daqueles ricos com certeza gastou mais dinheiro na casa dele de praia do que todos os moradores de um bairro de Curitiba gastaram para construir e equipar suas casas em um quarteirão. Assombroso. 

Uma das menores

Uma das menores

Esse sim mora bem

Este sim mora bem

Querendo aproveitar a chance e tirar uma graninha como paparazzi, tentamos fazer uns clicks exclusivos das celebridades que nem conhecíamos, mas até hoje ainda não conseguimos vender para a Caras nenhuma foto.

Se liga, malandragem!

Se liga, malandragem!

Se um dia for rico, sempre pense duas vezes antes de sair em público!

Se um dia for rico, sempre pense duas vezes antes de sair em público!

Wolverine dando uma de paparazzi?

Wolverine dando uma de paparazzi?

Rolê vai, rolê vem, chegamos em Punta, passamos pelos ricos e nos dirigimos a José Ignácio, passando pela peculiaríssima ponte que separa os dois municípios. 

Ponte torta?

Ponte torta?

Pau que nasce torto nunca se endireita

Pau que nasce torto nunca se endireita

Chegamos ao hostel quase de noite. Fizemos checkin, nos instalamos e fomos tomar um matezinho na varanda do hostel e interagir com a galera. Conhecemos gente de tudo quanto é lugar na noite de 31, mas os mais gente fina foram um casal de cariocas que estavam fazendo Rio-Uruguai-Santiago de carro! Muitos, mas muitos quilômetros rodados. 

Nos incluímos para a janta do hostel de Ano Novo, que, é preciso dizer, foi uma enganação, e ficamos lá tomando cerveja e conversando de viagens com o casal. 

Aproximando-nos da virada, distribuíram cidra para todos e brindamos com todos os gringos que havia (americanos, australianos, canadenses, argentinos e cariocas) pelo ano que recém-começava. Daí em diante, só festa…

 

 

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