UYtrip – dia 13

Posted on 3 fevereiro 2009

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O réveillon foi e 2009 chegou. Como de praxe, acordei cedo e fui tomar o meu café-da-manhã. Nada como o prazer de um cafezinho recém-coado ao acordar. Camilo, o eterno preguiçoso e dorminhoco,  acordou pouco depois. 

Nos despedimos dos amigos que fizemos na noite anterior, fizemos nosso checkout e pé na estrada. Novamente! 

Pé na estrada!

Pé na estrada!

Viajar é genial. Faz com que você quebre sua rotina, veja o seu quotidiano (que ficou para trás) com outros olhos, reflita sobre prioridade e ainda chachoalha sua vida. Não me lembro de nenhuma viagem grande que tenha feito da qual não tenha voltado com alguma decisão importante. Nem que seja a de parar de querer voltar com decisões importantes…

Por mais que fosse 1° de janeiro e tivéssemos festado na noite anterior, a comichão de cair na estrada era maior. Nosso objetivo para o final do dia era chegar a La Pedrera, onde tínhamos reserva. Fomos tranquilos e calmos, desbravando as estradas. 

O melhor ai seria não capotar...

O melhor aí seria não capotar...

Seguimos pela costeira atravessando José Ignacio até a Laguna Garzón. Já nos tinham dito que havia um ferryboat que fazia a travessia. Deixando-nos guiar pelas placas (artigo raro no Uruguai), nós o encontramos sem problema. A questão, porém, é o que encontramos. Confesso que estava esperando um ferry à la Itajaí-Navegantes e não uma balsa com lotação para dois veículos. Apesar da aparente frustração, fiquei contente. Gosto dessas coisas mais rústicas. É mais charmoso.  

Detalhe na bandeirola charmoso ao fundo!

Detalhe na bandeirola charmosa ao fundo!

Desde a lagoa já pudemos notar que a vegetação dali em diante ia ser bem diferente, pelo menos na região próxima ao mar. Nada de pampas e alguns cerros esparsos. Abundariam areia em larga escala e dunas. 

Se a balsa afundasse, será que o Gonza saberia nadar?

Se a balsa afundasse, será que o Gonza saberia nadar?

Continuamos por uma estradinha de chão batido por vários quilômetros. À direita, restinga, areial e praia. À esquerda, lagoa.

Estradinha...

Estradinha...

Más allá de la rutita, hay esto.

Más allá de la rutita, hay esto.

No mapa, depois da Garzón, havia outra lagoa, a de Rocha, pela qual pensamos que também poderíamos cruzar via balsa. Mandamos bala na estradinha, que cada vez ficava mais esburaca e estreita. 

Gonza e Magoo

Gonza e Magoo

Lá pelas tantas, cruzamos com um carro brazuca no acostamento. Pneu furado. Solidários e de bom humor, paramos para ajudá-los. Conversando, contaram-nos que o pneu deles tinha furado justamente porque tinham insistido em seguir por essa estradinha até encontrar a segunda balsa, que, segundo eles, não existia. Nos despedimos e, cheios de teimosia (confesso que queria desbravar aquelas paragens) fomos adiante. 

A melhor parte da estrada esburacada

A melhor parte da estrada esburacada

Uns cinco quilômetros para frente chegamos à conclusão de que, além de se tornar  impraticável o trajeto (só com jipão), eles tinham razão: não devia de ter nada para lá. 

Voltamos até uma bifurcação por que tínhamos passado e viramos à direita. Aquilo, senhores, era uma BR uruguaia. O pavimento, comparado à buraqueira anterior, era melhor, mas continuava ruim. Nós, que vínhamos devagar, algumas vezes fomos ultrapassados a toda velocidade por caminhonetes de nativos. 

A volta que essa estrada dava era tão grande que fomos cair na ruta 9. Já com alguma parca sinalização, pegamos o caminho tradicional para La Paloma, praia vizinha à La Pedrera.

Farol de La Paloma

Farol de La Paloma

Lado direito do farol

Lado direito do farol

Lado esquerdo do farol

Lado esquerdo do farol

Tá gordo, não tá?

Tá gordo, não tá?

Em La Paloma, demos um rolezinho pela praia, visitamos o farol e seguimos em frente rumo a La Pedrera. Enquanto as praias de Punta e arredores são só badalação, as de La Paloma e La Pedrera são mais roots, o que combina mais com a minha pessoa. 

Nos instalamos no hostel e fomos direto para a praia. Camilo, claro, a dormir; eu a ler. Alguém nessa história toda tem que usar a cabeça para outra coisa que não seja sustentar o chapéu…

Enquanto uns leem, outros dormem...

Enquanto uns leem, outros dormem...

O uso da praia, no Uruguai, é bem distinta da maneira brasileira. Lá, a mulherada não fica só jogada de bunda para cima tomando sol e os homens passeando para lá e para cá só de sunguinha mostrando seu corpo e tentando comer quem bobear. No Uruguai, é claro, também há isso, mas muito menos. Muita gente vai para a praia em grupos de amigos e ficam tomando mate, conversando e curtindo-se. Se estão com vontade, ficam de camisa, calça ou o que for e ninguém acha isso estranho. Achei bem mais sossegado. Fora que o imperativo “tenho que mostrar meu corpo sarado” não tem lugar. E como não tenho corpo sarado…

De lá, com o vento frio já cortando quem estava desabrigado, voltamos para o hostel, tomamos banho e ficamos por lá interagindo. Primeiro nos sentamos nos jardim, com uma cervejinha Zillertal jogando mancala. Como esfriou muito, entramos. Não levou muito tempo, graças ao tabuleiro, para virarmos o centro das atenções e emplacarmos umas amizades. Al rato estávamos sentados numa mesona com três uruguaias e dois argentinos conversando sobre futebol, década de 80 e os hits da infância na América Latina. 

Mais à noite, jantamos empanadas, feitas artesanalmente (incluindo a massa) pelo cozinheiro do hostel, que durante o dia era instrutor de surf. Cerveja vai, conversa vem, a noite foi passando só na charla

 

 

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