Saudações bolivarianas

Posted on 3 abril 2009

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Camilo Pacotilla está na Venezuela a trabalho e mandou um texto com suas primeiras impressões. Para provar a todos aqueles que se perguntavam se ele sabia escrever (porque nunca, nos anos de Caballito, foi capaz de dizer um hola no blog), aqui vos mando a prova incontesti de que ele sim sabe escrever. É importante ressaltar, porém, que eu, como guardião das boas maneiras gramaticais, não me responsabilizo por seus erros de português. Quem o  alfabetizou foi a professora dele da Palmares, não eu!

 

Compañeros e compañeras, hermanos y hermanas, amigos, amigas y carajitas,

Aos que recebem este mail sem previo aviso, estou na Venezuela desde ontem e resolvi compartilhar algumas primeiras impressões. Tudo aconteceu muito rápido. Na segunda (esta que passou) foi confirmada a viagem, e terça as 20h estava no primeiro vôo para Guarulhos. Para minha sorte não é mais obrigatorio o certificado de vacina de febre amarela – apesar de altamente recomendado.  Assim, mesmo tomando a vacina muito antes do prazo de 10 dias necessários para imunização, resolvi ir armado de tres frascos de repelente.

O trajeto São Paulo-Caracas foi susse que nem musse. Teve até uma parada express em Manaus as 04h00. Da janelinha do avião, a capital managuara parece bem maior do que eu imaginava. Enfim, ontem as 06h local (07h30) de Brasília, pisei pro primeira vez territorio bolivariano. A primeira coisa que vi foi um cartaz gigante do Chavez (que alias se repete a cada esquina, geralmente acompanhado da frase “Uh!, Ah!, Chavez no se vá!” – referencia ao ultimo plebiscito). 

Na saída encontrei meus companheiros de viagem: um argentino e um venezuelano. O primeiro, coitado, teve o azar de estar do meu lado no dia que sua selecinha foi sucrilhada pelo Fantastico Combinado Boliviano de Futebol! Hahahaha, To rindo dele até agora. O segundo vive em Caracas, mas é de Mérida (um Estado Venezuelano). Precisamente, de um “pueblito bien bonito” chamado Chiguará – ele diz isso para quase cada pessoa que conversa. 

Do terminal Internacional fomos ao terminal Nacional, onde, hora e meia depois, tínhamos um vôo para Barcelona. Pelo tipo das pessoas e peas condições do avião, parecia estar em uma aventura do TinTin. Teve até salva de palmas para a aeromoça, que fazia seu primeiro vôo. Diz o amigo argentino que há aviões muito piores. Enfim, chegando em Barcelona e munidos de um GPS seguimos de carro até Cumaná, onde estou agora.

Cumaná é a primeira cidade da América Latina a ser fundada pelos Espanhois, em 1521. É a capital do Estado de Sucre, que é o mais pobre do País e também o mais Chavista de todos – os 15 principais municípios do Estado elegeram prefeitos aliados ao presidente no ultimo ano. 

O caribe, em geral, é diferente de tudo que vi até agora. Territorio pirata mesmo. Faz um calor do cão e a galera da rua te olha meio estranho. É uma especie de mistura entre não estar nem aí e, ao mesmo tempo, cuidar cada movimento que você faça. A ruas são sujas (aliás, eu vim pra isso) e muito mal iluminadas de noite. Mas muito mal iluminadas mesmo. Bréu total. E, cada tres por quatro, voce encontra uma patrulha militar nas ruas. Enfim, juntando isso com os contos mil sobre a violencia e as capas de jornal que ilustram com fatos e fotos alguns episodios recentes, voce fica um pouco assustado de sair por aí de noitinha pra “dar um rolé”. 

Todo mundo tem um radinho proprio, geralmente no ultimo volume, mas escutam sempre o mesmo cantor: ou Ricardo Arjona ou Juan Luis Guerra. Os caras aqui do hotel nem se fala: só rola R.Arjona, o dia todo (nao sabia que o cara tinha tanta musica assim). 
As pessoas com quem falei ate agora são bem simpaticas, apesar de que eu ter entendido metade do que eles me disseram e quase nada do que falaram entre eles. 
Igual, da pra perceber que é um povo acolhedor e alegre. Tambem meio avoado. Voce pede um suco, o garçom diz ta bom e volta depois de 2 min perguntando o que voce queria tomar. Hoje pegamos um taxi e paramos num sinal. Na frente ia meu amigo Venezuelano de Chiguará e o taxista, dirigindo um possante Malibu, com umas rodas aro 30. Dai, antes de parar no sinal, eu disse pro motora: ali, no sinal, a gente vira a direita. Passam uns instantes, eles tavam num maior papo (que eu nao entendia) e resolvi repetir a indicação: “Señor, adelante doblamos a la derecha, ok?”. Passados mais uns segundos, o sinal abre, o lazarento do carro de trás buzina e o taxista pergunta: a gente vai reto agora??? A LA DERECHA, COÑO!!!! juro que me contive para nao destratar o cidadão, mas deu vontade. Isso é espanhol universal! Nao tem como nao entender!

O transito é caótico. Buzinaços mil por qualquer coisa, passa na frente quem chega primeiro. Chega a ser divertido! Carros caindo aos pedaços disputam territorio com camionetes ultimo modelo. Alias, os carros velhos tem um estilo proprio: geralmente com pneus gigantes (daqueles que saem do espaço da roda), coloridos como as casas de La Boca e com dizeres do tipo: “el Bandido” e “Cuando me ves sufres”! 
A gasolina, como se sabe, é muito barata. Indignantemente barata. Hoje colocamos 30 litros. Saiu 1,5 USD. A questão dos USD aqui é um misterio. Existem dos tipos de cambio, o oficial e o paralelo. Pelo cambio oficial, 1 USD = 2 Bolivares = 1 USD. Pelo paralelo, 1 USD = 5 Bolivares. Dai voce compar um sanduiche que sai 15 Bolivares e quer saber, em reais, quanto pagou pra ter uma noção e tal. Se o sanduba valia 7,5 USD ou 1,5 USD. A resposta: depende do cambio. Ou seja, não se sabe! Se voce nao trocou os dalores pessoalmente, como no meu caso, fica por conta da imaginação.

Enfim, o que vi da Venezuela até agora é, em bom argentines, um quilombo, che! Más é divertidissimo! 
Por ultimo, e pra fazer inveja em vocês, to escrevendo do restaurante do hotel olhando para uma piscina muito massa, acompanhado de um suco de melão com abacaxi (que é do kct!!!). Amanha, se as atividades permitirem, vou colocar os pés no mar do caribe, que até agora só vi da janela do quarto. 

Escreverei contando sobre

Bjs e Abraços

 

 

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