Ponte aérea Buenos Aires-Brusque!

Posted on 17 abril 2009

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Numa bela noite de quarta-feira, Camilo chega em casa com duas amigas que tinha feito no mestrado: Parça Baga e Milena. As duas, então mestrandas da Unicamp, estavam passando uns meses em Buenos Aires estudando e fazendo umas entrevistas para suas respectivas teses.

Foram elas que nos apresentaram o Gibraltar, em San Telmo, pub o qual virou a segunda casa dos tupiniquins de Caballito.

Dias depois, fomos todos ao bar beber e comemorar que estamos vivos. Era uma quinta-feira, melhor dia daquele pub, que enche de gringos dispostos a conhecer gente diferente. Oportunidade perfeita para conversar com estranhos (contradizendo os eternos conselhos da minha mãe), coisa tão rara em Buenos Aires.

Chegamos lá pelas 19h, nos sentamos no balcão e fomos pedindo um pint atrás do outro. Antes das 21h30 já estávamos os quatro bêbados gritando e atazanando todas as pessoas do bar. Nesse mesmo dia, em meio à bebedeira e gritaria, Parça e eu descobrimos que os dois já tínhamos morado em Brusque-SC, bem como descobrimos que Brusque era o centro do mundo. Tentamos porque tentamos fazer a Milena e o Camilo entenderem o que isso significa, mas a cabeça limitada deles não alcançou pensamentos tão altivos.

Começamos a bradar, Parça e eu, na melhor maneira brazuca, e a contar para todos nossa sabedoria de boteco. Muitos não nos entenderam.

A dupla campineira voltou para o Brasil. Meses depois, Camilo Pacotilla e eu regressamos. Um ano e meio depois do meu retorno, eis que, na quinta-feira de Páscoa, recebo um mail coletivo da Parça contando que tinha capotado o carro indo para Brusque, de onde escrevia, mas que estava bem. Já na hora respondi, sugerindo um encontro.

É então, no sábado de Páscoa, às 18h, na praça central de Brusque, em frente ao coreto, que por sua vez está diante da igreja principal, orgulho arquitetônico da cidade, que nos reencontramos depois de um ano e meio.

Sentamos em um café meio europeu (coisa de brusquense) e ficamos papeando. Tivemos que ir embora porque já estavam fechando o café. Demos uma volta a pé pelo imenso centro da cidade, visitamos os sítios de mais interesse turístico, etc. Até que nos demos conta: nosso último encontro tinha sido em Buenos Aires. De lá, só em Brusque, o centro do mundo, como brindamos e bradamos no Gibraltar, sem muita comoção popular.

Pensei: de Buenos Aires para Brusque é um avanço incrível! De uma cidade fantástica para o centro do mundo. Qual será a próxima paragem em que nos encontraremos?

Fica a incógnita. Mas não a dúvida, mais uma vez corroborada, de que Brusque continua sendo o centro do universo…

 

 

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