A estranha sensação de estar perto de estranhos

Posted on 26 maio 2009

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Viver é, dentre muitas outras coisas, conviver com pessoas estranhas. Você nasce e talvez a única pessoa que você conheça mal e mal é a sua mãe. Quando muito. O pai, ele sempre vai ser um dos primeiros estranhos que você conhece durante os seus primeiros minutos de vida. Sendo assim, conhecer e conviver com estranhos é coisa que se faz desdeque se é um pequeno ser com cara de joelho, e muito provavelmente é algo que você fará até a velhice.

No trabalho, como não poderia deixar de ser, a regra se aplica. A cada vez que muda de emprego você se vê diante de inúmeros estranhos cujos nomes e história desconhece. E mais uma vez é preciso procurar conhecê-los para conviver com eles.  

Mesmo sabendo que as coisas são assim, me choco. E me choco porque é sempre estranho dividir por mais de dez minutos o ambiente com alguém desconhecido e saber que essas mesmas quatro paredes serão a referência de convivência que teremos.

Na última semana eu mudei de trabalho, de forma que estou passando por essa estranha sensação mais uma vez. As paredes mudaram, bem como as pessoas que as dividiam. Enquanto no antigo emprego eu sentava em uma sala com outras 20 pessoas, aqui compartilho o espaço com seis. Uma diferença e tanto. Enquanto lá podia-se passar por alto sem ser incomodado, aqui o tom é outro. Lá eu podia chegar e não dar bom-dia a ninguém que não iriam estranhar. Aqui, se fizer isso, tenho certeza que vão me tomar por antipático…

Foi quando lembrei da letra de uma música: Estranhos se tornam melhores amigos, e melhores amigos se tornam estranhos. 

 


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