O tempo passa quando a gente conversa… literalmente!

Posted on 1 junho 2009

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Além do fato de eu ir encontrando cabelos brancos esparsos, alguns pequenos detalhes do quotidiano têm me feito dar conta de que estou envelhecendo.

  1. Durmo e fico com sono: cada vez mais vejo que ando precisando dormir um pouco mais e na mesma hora. Como tenho acordado às 6h15-6h30, lá pelas 23h vou sentindo o cansaço e o sono me derrubando.
  2. Como e bebo: já não posso mais me entregar a orgias enozimugastronômicas como antigamente. Se antes podia passar o dia em um churrasco comendo e bebendo ad infinitum, hoje em dia sinto que tenho um limite, e esse limite tem se estreitado. Confesso que gosto disso, pois gosto de tudo que ruma em direção à boa medida socrática. Nada de excessos, mas também nada de economias desnecessárias.
  3. Encontros e conversas: modificaram-se e estão se modificando aos poucos. Quando me encontro com os amigos, a conversa gira quase invariavelmente em torno de alguns assuntos recorrentes: trabalho (cada um conta como está indo seu trabalho e, frequentemente, conta causos engraçados que visam a amenizar o fato de não gostar do trabalho) e passado (rememorando passagens, momentos e episódios marcantes das nossas vidas em comum).

Essas conversas e encontros têm me feito ver muito claramente o passar do tempo. As conversas vão sendo determinadas pela inserção minha e de meus amigos no mercado de trabalho e posterior consolidação (quase todos já estão muito bem empregados, felizmente).

Não acho, contudo, que o fato de conversarmos sobre tudo isso seja unicamente bom ou ruim. Tem seu lado bom no sentido de todos se sentirem suficientemente à vontade para contarem suas coisas, o que é uma atestação de que a amizade não se corroeu. Mas tem também o seu lado ruim, já que nos vejo nos tornando aquelas pessoas que não invejávamos. Não é nada alarmante ainda, mas me preocupo com a minha saúde filosófica. É importante ter sonhos e ter metas atingíveis, metas as quais te tragam não só satisfação financeira (blérgh – odeio ter que fazer coisas só por dinheiro), mas também satisfação pessoal. Nada como conversar com um amigo que curte pra caralho fazer o que faz, que se empolga com seu trabalho. E é isso o que mais me toca em uma pessoa: que ela tem um fascínio real e crescente pela escolha que fez. Burocratas, executivos, corporativistas e afins me dão ojeriza, a não ser que tenham um projeto pessoal que levam nas horas vagas e que seja o seu combustível pessoal. Nada mais tedioso que conversar com alguém que espera a vida passar.

Não estou dizendo que meus amigos estejam tediosos. Eles estão, assim como eu (infelizmente), entrando na dinâmica moderna de trabalhar, pensar em estabilidade (nessa parte eu ainda não me incluo). E é isso que me preocupa, porque o desejo pela estabilidade a qualquer preço leva as pessoas a querer aquilo que as estabiliza, e esse aquilo tende a moldá-las à base dos modelos tediosos citados acima. Eis então o receio e, por que não, o medo.

Apesar de ser ateu, que Deus me livre e guarde.

Amém.

 

 

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