16h45 (2ª parte)

Posted on 16 junho 2009

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16h45 era o meu horário de descanso, quando descia para comer alguma coisa, sentar-me em uma escadaria de rua e pensar na vida. Não é mais. Troquei de trabalho. Agora 16h45 é mais ou menos a hora em que eu vou embora para casa. Sair do trabalho ainda com luz do dia não tem preço.

Mudei de emprego, mudei de bairro, mudei de horário. Mudei muitas coisas, mas não me privei de me dar um descanso em algum momento do dia. Para poder sair às 16h45, tenho chegado às 7h45 e feito somente uma hora de almoço, e é nessa hora que eu dou vazão ao meu “16h45” versão 2. Depois do almoço, cujas opções para comer vão desde “Casa Tosca”, “Bife Sujo”, “Casa do Super” e “No 2º andar”, saio por aí dando uma volta no bairro do Bacacheri.

Tenho descoberto inúmeras ruas, casas e lugares de que nunca tinha me dado conta por fazer muitos anos que não caminhava por aqui e sempre estar de carro quando passo. Sem preocupação, vou errando pelas ruas da antiga Vila América, região de imigração argelina. Sem pompa, as casas têm o básico: quintais, estacionamento para um carro (só um carro), varais e um banquinho para se sentar ao sol em dias de frio. Enquanto vou vagueando, vejo os velhinhos das casas tomando sol e brincando com seus cachorros, ou então agachados cuidado de suas roseiras, caramanchões e hortas, quando não parados no portão de casa descascando uma laranja para chupar. Se eu não prezasse tanto a solidão e o silêncio, talvez parasse para prosear.

Tendo perambulado uns 20 minutos, tomo o caminho de volta fugindo das sombras e me aqueço com o calor do sol. Chego sempre no trabalho com a certeza de que o segredo da vida está na simplicidade.

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