Je ne regrette rien de rien

Posted on 1 julho 2009

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Edith já dizia que não se deve arrepender de nada, João Arthur (grande amigo meu) vive dizendo que tudo na vida deve ser feito de tal maneira para que depois não haja lugar para arrependimento, e alguém famoso cujo nome não lembro vivia pregando que não se arrependia de nada do que tinha feito, mas sim do que não fizera.

Eu sim me arrependo de algumas coisas que fiz. Sei que, se almejasse a perfeição, isso deveria ser a última coisa a dizer, mas digo e confesso: há coisas das quais me arrependo ter feito. Às vezes, sinceridade é mais importante que perfeição.

Digo isso porque esses dias me arrependi profundamente de uma coisa que fiz, a qual não não vou revelar. Dizem as más línguas que só se pode revelar algo se esse algo não pode mais te afetar, quando muito.

Há particularmente quatro coisas de que me arrependo mais:

1. Ter dito uma coisa a (…) num momento de discussão, que acabou culminando numa briga homérica que tivemos e, por conseguinte, no fim do nosso relacionamento. Por mais que hoje em dia eu ache que não éramos feitos um para o outro, eu gostava muito daquela menina…

2. Ter voltado da França. Não me arrependo de ter agido como agi, mas sim de não ter ficado por lá, procurado um emprego e ter dado a cara à tapa.

3. Não ter ido encontrar a cubana, a seu convite, na casa dos seus amigos nos arredores de Amsterdam quando estive por lá.

4. Ter voltado da Argentina. Mais uma vez, não me arrependo de não ter terminado o curso de cinema, mas sim de ter deixado a cidade que dentre todas eu tinha escolhido para morar e viver, que foi onde mais me senti em casa e à vontade.

Algumas pessoas que me conhecem podem se perguntar:

Você não se arrepende de ter largado filosofia faltando pouco para terminar? Não.

Você não se arrepende então de ter começado filosofia? Não.

Não se arrepende de não ter ido morar em Nancy com a S.? Também não.

Não se arrepende de não ter aceitado aquele emprego de revisor-chefe de um jornal do interior de Santa Catarina? Não.

Não me arrependo porque ou não era o momento de fazer ou eu não estava preparado ou o fruto da decisão acabou me trazendo muitas coisas boas. Mas me arrependo sim dessas quatro coisas que elenquei acima, porque sei que são coisas que levei tempo para construir e que demandaram muito esforço e dedicação. À exceção, é claro, do caso da cubana, do qual me arrependo porque foi uma oportunidade única na vida, à qual não dei ouvidos e que provavelmente nunca mais vai se repetir. Eu tenho certeza que teria rolado uma história marcante entre nós.

De qualquer forma, arrepender-se é algo com que aprendi a lidar, até mesmo porque não tem volta. Concordo que a filosofia por detrás de “je ne regrette rien” é acertada, mas infelizmente eu ainda não cheguei a esse nível de sabedoria…

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