Blog é que nem filho

Posted on 22 julho 2009

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O título já diz tudo. Nesses dias em que fiquei sem atualizar, vi que a visitação ao Bons Ares, mesmo constante e sempre presente, caiu quase 50%, o que mostra como a um blog precisa ser dado atenção. Quem é falado não é esquecido, assim como quem atualiza é lido.

Manter/escrever um blog não é uma tarefa árdua, qual a de Sísifo levando a pedra nas suas costas montanha acima, mas demanda certa dedicação. Não necessariamente para escrever, pois faço isso com relativa rapidez, mas porque encontrar temas requer um estado de espírito de busca, de manter-se aberto ao que possa ser interessante. Essa “atenção” é salutar. Acho que estar sempre atento ao mundo e ao que acontece com ele e com você inserido nele é primordial. Me mantém, digamos, desperto. Me força a ficar de olho nas coisas, a me gerar interesse.

Blog também é, para mim, uma ferramenta de escrita. Gosto de escrever, e o formato rápido dos blogs (posts muito longos são enfadonhos) faz bem para praticar a escrita. Embora muitas vezes não exija a preparação e complexidade que textos maiores requerem, ainda assim há essa atitude por detrás, de a pessoa procurar e caçar os assuntos.

Esses dias, conversando com uma amiga, ouvi o seguinte comentário: “Ah, eu não gosto dessa coisa de ficar expondo a minha vida. Eu não tenho blog, não tenho Twitter nem mantenho fotos no Orkut ou Facebook. Entendo que você (eu, este que vos fala) possa gostar, mas não é para mim”. Ouvi o que ela disse com atenção, já que tenho me interessado pelas opiniões que as pessoas têm tido de mim e dos meus textos. Digo isso porque não me considero uma pessoa que goste de se expor na net. Sim, tenho blog(s), Twitter, Orkut e Facebook, mas não acho que todo mundo que tem isso o faz para se expor. São ferramentas que te permitem fazer muitas outras coisas que não só a exposição pessoal. Por exemplo, embora use pouquíssimo, mantenho o meu perfil no Orkut e no Facebook tão-somente para manter contato com pessoas distantes que vou conhecendo pelas viagens e afins. Tenho o Twitter para tentar gerar visitação nos blogs, sobretudo no Bons Ares, e também porque queria usar esse widget do WordPress. Não twitto minhas coisas particulares. Por fim, ainda mantenho os blogs porque gosto de escrever e acho que isso pode me ser útil de outras inúmeras maneiras.

Ou seja, não acho que eu exponha a minha vida. Exponho o mínimo. Acredito que ninguém consegue fazer o que quer que seja em que não ponha um pouco de si naquilo. Aliás, se não for para pôr sua cara, me pergunto até que ponto às vezes vale a pena fazer…

Os blogs são, pois, filhos. Você os cria, cuida deles, tenta educá-los à sua maneira, mas isso não significa que eles sejam você. Chega uma hora em que meio que criam uma personalidade própria, independente da do seu criador. É importante os textos (blogs) terem essa independência. É ela que gera o mistério em volta da escrita…

Posted in: Pensação