Paquita em Punta del Este

Posted on 24 agosto 2009

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Camilo (também conhecido como Paquita) está praticamente morando no Uruguai nos últimos tempos, por conta de seu trabalho. Na semana passada mandou um mail para os amigos contando suas desventuras e dando suas impressões de viajante. Com sua autorização, recrio seu post na íntegra (sem nem correções de português, porque faço questão que ele seja sempre visto como o chatonildo que escreve com minúsculas).

NOTA: ESSE MAIL FOI ESBOÇADO HÁ UMA SEMANA E PEDRADINHA.
POR FALTA DE TEMPO E EXCESSO DE PREGUIÇA SÓ FOI TERMINADO AGORA.
PRA QUEM CHEGAR ATÉ O FINAL, ANTECIPO DIZENDO QUE CHRIS NAMÚS REAPARECEU, DISSE QUE TEVE UNA MALA NOCHE E QUE VAI VOLTAR! PREPAREM-SE

Queridos botijas

para aqueles que não sabem, estou no Uruguay há umas tres semanas
Fazem, alías, uns dois meses que passo mais tempo nas terras charruas do que na das araucarias tupiniquins. E, suspeito, tenho ainda outros dois pela frente. Enfim, bastante tempo para aqueles que tiverem previsto vir para o país aproveitarem para fazer uma visita.

Passo a maior parte dos dias no departamento de Maldonado que, pese a ser desconhecido pela maioria, abriga a famosa Punta de Este e seus menos famosos, porém mais bonitos, balneários – como Punta Ballena, Punta Colorada y Playa Verde, entre outras.

A Paquita está virando uruguaia

A Paquita está virando uruguaia

Punta del Este no inverno é beeeemm tranquila. Totalmente diferente do verão. A excessao de um par de comercios na internacional calle Gorlero, nada mais esta aberto. Da para dormir uma siesta no meio da rua ao meio dia e as casas ja vão criando algumas teias de aranha de tão fechadas – o que não deixa de ser uma boa noticia na hora de colocar um conteiner de lixo na frente de uma residencia qualquer (parte das minhas atividades). Se Punta que é Punta fica desse jeito, os balnearios da regiao parecem cidades fantasmas. Nem cachorro abandonado circula por ali.

Perto da costa tem uma cidade chamada Maldonado (capital do departamento e não-litorânea). Lá tem vida. Pessoal no ponto de onibus indo pro trabalho de manha, quatro e as vezes cinco carros em fila num sinal fechado, crianças e sentadas nas praças com seus laptops verdes (há um projeto de inclusão digital nas escolas fantastico) e, eventualmente, até umas filas nos Abitabs (especie de pague-tudo).
Mesmo assim, considernado as pujantes temporadas de cada ano, a impressão é que o pessoal tá meio de férias. E mesmo em Maldonado é comum ver hoteis, restaurantes, lojas e (mais) casas fechadas. Em sintese, a região vive para e graças ao verão – apesar de ser uma das regiões que mais atraem uruguayos para viver.

O hotel que fico é um bom exemplo. Na verdade ele deveria estar fechado. Mas como nós (o grupo de trabalho) estamos e estaremos durante quase toda a não-temporada, fez-se um acordo e eles resolveram abrir. É um hotelzinho familia simpatico, com a vantagem de estar a uns 50m do mar e que, pelo baixo movimento, temos quartos fixos (ou seja, mesmo quando estamos uns dias fora, dá pra deixar as coisas numa boa). De vez em quando algum outro hospede aparece, mas é raro.

Geralmente somos dez os habitantes: Marcelo, Raul, eventualmente algum técnico chileno e frequentemente este que vos escreve (hóspedes), e seguinte time local (staff permanente): a gallega (dona), seus dois filhos, um cubano sobrinho dela (que ta tentando visto pros EUA, dá uma mão com a manutenção dos canos e é particularmente chato), uma ajudante da limpeza (que vai nas segundas, quartas e sextas até onde entendi e, mesmo quando eu deixo o banheiro meio molhado, sempre da bom dia) e Gladys, uma Sra de uns 60 encarregada das ajudantes de limpeza no verão (quando há mais do que uma) e que adora esportes, especialmente futebol – ela sabia até que o glorioso Milan Brasileiro (Atlético/PR) jogou quatro vezes contra o Nacional, ganhando tres.

A conversa com eles e a propria vida no hotel ajudam a confirmar essa impressão de que o movimento fora de temporada é beeeem pouco. Um dos filhos da gallega disse a seguinte frase que resume bem a situação e a vida da galera: “acá, en invierno, no tenemos nada que hacer. Entonces la gente hace pavadas”. Depois seguiu um ejemplo ilustrativo do amigo do frentista que arrebentou a cebeça tentando andar de motoca nova em cima de um murinho.

Os jornais televisivos ajudam a aumentar a sencação de tranquilidade e monotonia. As noticias referentes ao país se dividem basicamente em dois blocos: politico e esportivo. O primeiro vive dias um pouco mais agitados desde que cheguei, antes pelas previas partidarias para eleição e agora pelos comícios dos candidatos favoritos: Pepe Mujica, do governista e popular Frente Amplio (conhecido como FÁ!) e Antonio LaCalle, ex-presidente privatista do partido Blanco.

Já nos esportes…. nos esportes a coisa é brava.
Nos ultimos cinco dias as noticias, imagens, reporgagens e debates giram em torno de dois fatos. Primeiro da pancadaria que aconteceu no amistoso Peñarol x Newell´sOld Boys, da Argentina (tambem conhecido como Ñuls). O embate dos times da capital e de Rosario transcorria tranquilamente no estadio de Maldonado! (vejam voces) quando a muchacha se esquentou e tudo virou piñas (pancadaria). Agora, passado quase uma semana, com o Ñuls de volta na argentina, o Peñarol treinando em Montevideo e o jogador que levou a primeira bofetada sem nenhuma marca, ainda se fala nisso….

A outra metade é dedicada a Chris Namus. Todo mundo quer saber “qué le pasó a Chris Namús”. A historia resumida e por itens é a seguinte: a) a muchacha é uma popular boxeadora uruguaya, campeã mundial superligero juvenil e conhecida pelo simpatico apelido de bombom asesino (hehe); b) foi disputar a final do campeonato mundial super ligero interino em Montevideo e convocou o pais inteiro para ver.
A luta aconteceu e, depois disso, o bombom asesino sumiu do mapa. Desapareceu.
Já entrevistaram amigos, amigas, treinador, representante, namorado, pais, comentaristas, espectadores, …. Todo mundo tem alguma coisa a dizer sobre a fatidica luta. A Gladys, por exemplo, acha que a muchacha se lleno la camisa de viento.
Enfim, todo mundo opina algo. Menos, claro, a propria Chris Namus.
E todo mundo quer saber qué (diabos) le pasó a Chris Namús

Vendo de fora e sem muitos sentimentos patrioticos de por medio, não é muito dificil entender a situação. É mais ou menos assim: c) o país inteiro atendeu a convocatoria, ligou as televisoes e lotou o estadio; d) a muchacha entrou no ring saltitante e feliz da vida, dando sorrisinhos e mandando bjs p galera. e) a adversaria colombiana não tava num dia muito legal e, sem muita consideração por ela, pelo publico presente e por todos os uruguayos que tomando mate viam o duelo pela telinha, desceu o braço e em menos de 2min acabou a brincadeira.
Resultado: bombom asesino levou um cacete sensacional e saiu pela porta dos fundos meio bamba direto p hospital fazer uns exames. Felizmente o resultado foi positivo e ela poderá voltar a lutar sem problemas (ufa!). Só que, enquanto isso, ta sumidaça e os uruguayos tão loucos da vida com essa bomba (ou bombom) mediática.
(pra quem quiser ver os socos da morena e o tombo da branquela:

Se por acaso não conseguir visualizar o vídeo aqui pelo blog, clique AQUI

Enfim… esseá um resumo dos dias em Punta del Este e região, trabalho aparte – que, acreditem, de monotonia e tranquilidade nao tem nada (serve pra contrabalançar).

Pra terminar, compartilho com voces alguns dichos populares uruguayos que escuto diariamente de um compañero de laburo e resolvi começar a anotar. Muito boa gente que sou, pensando em evitar que voces os mal usem e se coloquem em uma situação delicada (como já fiz), dividi eles em duas “categorias”

1. politicamente corretos

se peló como un ajo (foi rápido)
sucio como toalla de cantina (lugar sujo)
caen pinguinos de punta (chove muito)
a papa mono con banana de goma…. (algo como não tente me enganar ou não diga coisas obvias)
más desubicado que Adán en dia de la madre (fulano perdido)
el que nace para pito nunca llega a corneta (sobre o conflito entre as capacidades e aspirações de um cidadão)

2. não tão politicamente corretos
le arde la cara de fea (sabe aquela amiga simpatica?)
dá mas vueltas que pedo de caracol (neste caso, pedo = peido)
se va para arriba como pedo de buzo (o pedo continua com o mesmo significado, buzo = mergulhador)
se te cae el culo de bueno (referente a comida, seria algo como: cai a bunda de tão bom – ainda não imagino como isso pode acontecer)
más blanca que teta de monja (autoexplicativo)
más caliente que tu novia conmigo (usado para dizer que a comida esta quente)
caen soretes de punta (relativo a chuva, mas com outro objeto ilustrativo – cuidado com esse, não confundir com o anterior)

Praqueles que pensam aplicar in situ os dichos e o fizerem nos proximos meses, fica meu convite para uma tipica uruguayan food como a da foto!

É por isso que a Paquita está engordando a olhos vistos...

É por isso que a Paquita está engordando a olhos vistos...

Bjs

Camilo

ps. quem quiser ter uma opinião sobre Punta e o Uruguay n´outra época do ano, vá em https://bonsares.wordpress.com/bsasuytrip/