O filho pródigo à casa torna

Posted on 26 agosto 2009

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Depois de quase dois anos distante, eu e meu querido Bons Ares retornamos a Buenos Aires.

Mas não retornamos só para a cidade. Voltamos para o lugar onde um grande sonho teve começo, meio e fim. Onde um pouco da minha pessoa foi se tornado o que é hoje.

Foi em BsAs que constatei e corroborei o meu gosto por viajar e morar fora. Sim, eu gosto de viajar, gosto muito, mas gosto mais ainda de morar fora, de desfrutar da sensação de liberdade que só o desenraizamento e o estrangeirismo te proporcionam.

Foi em BsAs que retomei minha relação com a leitura (vínhamos brigados de uns tempos para lá). Foi em BsAs que retomei os escritos, que também vinham esquecidos.

Foi em BsAs que muito da minha vida aconteceu e amadureceu. E eu devo isso à cidade.

Depois de 21 meses volto à nostágilca e saudosa Baires. Volto por estar de férias. Volto porque precisava rever tudo antes de fechar mais uma vez essa fase e abrir uma nova, maior, mais complexa, mais aventuresca. Uma fase que provavelmente trará novos frutos, quem sabe definitivos…

Em suma, volto porque é em casa que se analisa o mundo. E a minha casa de predileção é Buenos Aires. É lá que escolhi para sentar, tomar um café e pensar na vida.

Não acho, porém, que sofrerei o deslumbre do turista desavisado. Conheço as ruas como a palma da minha mão. Tampouco acho que vou voltar de lá querendo retomar a vida que eu tinha há dois anos. Imagino eu que vou voltar pensando com nostalgia os tempos vividos na Argentina, mas sabendo também que eles ficaram no passado. E o passado é algo que não se vive de novo. Uno tiene que saberlo en la vida.

Sei que preciso reviver esse avultamento de memórias. É preciso viver isso na pele, para, como dizia Platão, sentir com a barriga as mudanças (vindouras). E mudanças hão de vir.

É por isso que vou. É por isso que volto.

El regreso del hijo

Posted in: Pensação