O prazer da leitura

Posted on 21 setembro 2009

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Desde moleque que gosto de ler. Embalagens de papel higiênico, bulas de remédio, sugestões do chef nos rótulos de molho de tomate.

Letras postas em sequência sempre foi uma coisa que me chamou a atenção. Curiosidade de saber o que “diziam”.

Mas não só curiosidade. Amiúde encontrava prazer no fato de ler. Ler por ler. Juntar as letras, agrupá-las em sílabas e “ouvir” como soavam. Sem maiores pretenções, sem segundas intenções ou filosofias escondidas. Lia porque gostava.

À medida que fui ficando mais velho, continuei lendo os manuais de uso e mensagens escritas nos chaveiros e parti também para os livros. Afinal de contas, além de letras agrupadas, eles contavam histórias interessantes.

As leituras foram se sucedendo.

Não sei mais quanto terei lido nem qual teria sido o primeiro livro que li na vida. Dizem que a gente nunca esquece as primeiras coisas (beijos, amores, etc.). Pois eu esqueci o primeiro livro que li (o beijo e os amores ainda lembro).

Já ao me aproximar dos 30 (que peso é dizer isso!), vou só reiterando e corroborando o meu prazer pela leitura. Poucas coisas na vida podem ser tão prazerosas. Um dos pequenos prazeres que mais aprecio é acordar e poder ler na cama antes mesmo de tomar café da manhã. Simplesmente abrir as cortinas, pegar o livro e se deixar levar pelas palavras.

A leitura me ajuda a concentrar, me ajuda a pensar com mais acuidade. Também, e talvez o mais importante, me ensina. O que quer que seja, quando quer que seja. Mas ensina. E eu sou uma das pessoas que perde o interesse no que estou fazendo no exato minuto em que sinto que não estou mais aprendendo.

É uma amálgama de ensinamentos: meu pai sempre me disse que ninguém aprende pela gente; ele também dizia que conhecimento não ocupa espaço; os sábios dizem que nós só temos uma vida; e o sambista já dizia que o que a gente leva da vida é a vida que a gente leva. Ou seja, por que não aprender?

A leitura é um dos meios que encontrei para aprender constantemente. O simples fato de pensar que alguém se dedicou durante meses a escrever aquilo que tenho entre as mãos já me leva a pensar, de antemão, que algo ele tem a dizer. Pode até não saber dizê-lo, mas algo a dar tem.

Chegando aos 30 vou sentindo que a leitura vai fazendo cada vez mais parte da minha vida. Vejo-me organizando minha vida para ter tempo de ler. Vejo-me de mau humor se não consigo ler.

Pôr-se a ler, seja sentado, deitado, de pé ou como for (eu gosto de ler deitado) é dar-se tempo para paz e reflexão em meio à loucura do mundo. É quase impossível ler algo sem pensar, e pensar, muitas vezes, é algo que precisa de paz. Nisso a leitura é incrível. Junta todo o certo no momento correto.

Ler pode parecer a ação mais passiva de todas, a mais monótona, a mais chata. Talvez para o corpo, que se encontra meio imóvel, mas não para a mente. Enquanto o corpo descansa, a mente está a mil. A leitura traz à tona lembranças e engendra reflexões. Faz pensar, e pensar é, na minha opinião, outro dos grandes prazeres da vida.

Se o cara que inventou o trabalho é um idiota, o que inventou o livro é um gênio!

Se o cara que inventou o trabalho é um idiota, o que inventou o livro é um gênio!

Posted in: Pensação, Texto