Davi x Golias | o monstro de concreto chamado São Paulo

Posted on 29 outubro 2009

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Cair nos mesmos clichês de sempre para descrever São Paulo é chover no molhado.

Cidade grande. Enorme. Monstruosidade de concreto.

Trânsito caótico. Buzinaços. Carros e mais carros, a perder de vista. Congestionamentos às 22h30.

Aglomerações intermináveis. Gente de tudo quanto é jeito saindo pela culatra por todos os cantos, qual formigas.

Povo simpático.

Pizza boa.

Muitos japoneses.

O problema de São Paulo, no entanto, é que a cidade é exatamente assim: grande, caótica, atulhada, cheia de japoneses e com ótima pizza. Aí fica difícil falar de outra coisa.

Nos dois dias que passei lá, experienciei tudo isso. É a primeira coisa que se vê. É também o que fica gravado.

O monstro de concreto

O monstro de concreto

Quando se é de outra cidade, algumas impressões e sentimentos são comuns aos estrangeiros. Imagino eu, pelo menos. É o pequeno Davi, retraído e oprimido pela fama devoradora do gigante Golias, que, vociferando contra os inimigos, ultraja-os e humilha-os por sua covardia.

Ver-se rodeado pelos arranha-céus de São Paulo é como ver-se perdido em uma floresta imbricada em si mesma. Tudo parece selvagem. Todos parecem vorazes.

A imensidão assusta e cansa. É Golias urrando. O perigo sempre rondando à solta.

Os inúmeros pequenos Davis que visitam diariamente São Paulo veem-se perdidos.

Embora seja citadino, sempre que vou a São Paulo sinto-me um jeca do mato na cidade. Tudo é tão grande, tão longe, tão distante da minha realidade.

Difícil abarcar com um só olhar.

Difícil resumir tudo com um só pensamento.

Não obstante, o mundo consubstancia-se um pouco em São Paulo. Os opostos se atraem. Os contrastes combinam. Os inversos se completam.

São Paulo converge as coisas. As pessoas convergem-se em São Paulo.

De grão em grão a galinha enche o papo. Toda viagem começa com o primeiro passo, e o primeiro passo da minha grande viagem foi esse monstro de concreto…

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……

Golias sempre acaba sucumbindo em um momento...