São Paulo

Posted on 13 janeiro 2011

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Não vou mentir: tenho receio toda vez que vou a São Paulo.

De todas as cidades do mundo a que já fui, São Paulo é a única que me dá medo. Talvez seja complexo de jeca-tatu indo para metrópole. Vai saber…

Haviam-me dito: Buenos Aires, Santiago, Bogotá, Medellín. Nenhuma dessas me deu medo quando pisei pela primeira vez.

Disseram-me ainda: Cidade do México. Seria impossível não se sentir acuado lá. Também não. Talvez por já estar na estrada há tempos, a Cidade do México não me impressionou. Seu tamanho, afirmavam. Nem o tamanho, porque na Cidade do México quase não há prédios; arranha-céus muito menos. A capital mexicana é uma grande, larga, imensa cidade de bairros com casinhas de no máximo dois andares.

Moscou? Também não. É grande, é incompreensível, mas não me deu medo. Quem sabe porque o perigo fala russo e de russo eu não entendo patavinas.

São Paulo já não. Os prédios estão por todos os lados, quase nada de árvores e parques.

Eu digo que São Paulo é a cidade do torcicolo. A todo momento ou se está olhando para cima, para as imensidades, ou se está olhando preocupado para os lados e atrás, à espreita de ladrões. Não há pescoço que aguente.

Não foi a primeira vez que fui para São Paulo e me senti um jeca-tatu. Não foi a primeira vez que voltei de São Paulo com a sensação de que gosto de ser um jeca-tatu.

Em Temuco, sul do Chile, conheci uma pessoa que me disse uma coisa sobre cidades que marcou minha vida e me fez pensar muito: “Eu moro em Temuco porque é uma cidade de dimensões humanas”. Pode-se abarcar a cidade sem recortá-la.

Se você for recortar São Paulo, restará ainda uma capital qualquer do Brasil, e isso é demais.

 

 

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