Bons Ares

Tem dia que só amanhã!

Condutor conduz 8 Julho 2009

Arquivado em: Pensação, Texto — Maikon Augusto Delgado @ 10:09
Tags:

Inspirado por todos os esquemas que consegui para amigos nos últimos tempos e pensando na minha grande capacidade de manter a rede de amigos, conhecidos e contatos sempre viva (coisa que o Piper admira na minha pessoa), fiquei matutando com os meus botões em como eu podia dar mais utilidade e agilidade a isso. Matutei, matutei e cheguei à conclusão de que eu podia aliar a minha constante vontade de escrever (uma das poucas coisas que não tem sido efêmera na minha vida) com a capacidade de ligar pessoas e coisas.

A imagem que me veio no momento foi a de um roteador (espécie de modem de computador que distribui o sinal para vários computadores ao mesmo tempo). E caiu a ficha: um blog com coisas que eu ache realmente legais, que sejam diferentes e de rápida leitura. Eu escrevo, passo o que quero passar e ainda posso levar/abrir caminhos para pessoas/coisas.

Achei interessante e criei o Condutor, sem dúvida inspirado um pouco no Obvious, mas com uma pegada mais de internet. Matutei mais um pouco e pensei que eu podia matar dois coelhos com uma cajadada só. Montar o blog conforme esses preceitos e ainda escrevê-lo a quatro mãos com uma amiga e blogueira que admiro muito.

Conheci a Carmem num café, há mais de um ano, e já fui, só porque ela estava contando como tinha conseguido um trabalho fantástico, perguntando quanto ela ganhava. Cara de pau total. Para minha surpresa, ela titubeou pouco e já foi respondendo. Gostei da atitude. Sem medo nem preconceitos. A partir daí, o papo fluiu e nos tornamos bons amigos. E é com ela que o Condutor está sendo lançado.

Já tem uns 3 posts, mas ainda há uns outros tantos na minha cabeça, e com certeza na da Carmem, que só faltam ser escritos.

Assim sendo, convido a todos para visitar o Condutor e deixar que ele os conduza até algum lugar. Ou não! Como diria Caetano.

Bons Ares conduz ao Condutor: http://condutor.wordpress.com/

Condutor

Condutor

 

Je ne regrette rien de rien 1 Julho 2009

Arquivado em: Pensação, Texto — Maikon Augusto Delgado @ 19:58
Tags: , , ,

Edith já dizia que não se deve arrepender de nada, João Arthur (grande amigo meu) vive dizendo que tudo na vida deve ser feito de tal maneira para que depois não haja lugar para arrependimento, e alguém famoso cujo nome não lembro vivia pregando que não se arrependia de nada do que tinha feito, mas sim do que não fizera.

Eu sim me arrependo de algumas coisas que fiz. Sei que, se almejasse a perfeição, isso deveria ser a última coisa a dizer, mas digo e confesso: há coisas das quais me arrependo ter feito. Às vezes, sinceridade é mais importante que perfeição.

Digo isso porque esses dias me arrependi profundamente de uma coisa que fiz, a qual não não vou revelar. Dizem as más línguas que só se pode revelar algo se esse algo não pode mais te afetar, quando muito.

Há particularmente quatro coisas de que me arrependo mais:

1. Ter dito uma coisa a (…) num momento de discussão, que acabou culminando numa briga homérica que tivemos e, por conseguinte, no fim do nosso relacionamento. Por mais que hoje em dia eu ache que não éramos feitos um para o outro, eu gostava muito daquela menina…

2. Ter voltado da França. Não me arrependo de ter agido como agi, mas sim de não ter ficado por lá, procurado um emprego e ter dado a cara à tapa.

3. Não ter ido encontrar a cubana, a seu convite, na casa dos seus amigos nos arredores de Amsterdam quando estive por lá.

4. Ter voltado da Argentina. Mais uma vez, não me arrependo de não ter terminado o curso de cinema, mas sim de ter deixado a cidade que dentre todas eu tinha escolhido para morar e viver, que foi onde mais me senti em casa e à vontade.

Algumas pessoas que me conhecem podem se perguntar:

Você não se arrepende de ter largado filosofia faltando pouco para terminar? Não.

Você não se arrepende então de ter começado filosofia? Não.

Não se arrepende de não ter ido morar em Nancy com a S.? Também não.

Não se arrepende de não ter aceitado aquele emprego de revisor-chefe de um jornal do interior de Santa Catarina? Não.

Não me arrependo porque ou não era o momento de fazer ou eu não estava preparado ou o fruto da decisão acabou me trazendo muitas coisas boas. Mas me arrependo sim dessas quatro coisas que elenquei acima, porque sei que são coisas que levei tempo para construir e que demandaram muito esforço e dedicação. À exceção, é claro, do caso da cubana, do qual me arrependo porque foi uma oportunidade única na vida, à qual não dei ouvidos e que provavelmente nunca mais vai se repetir. Eu tenho certeza que teria rolado uma história marcante entre nós.

De qualquer forma, arrepender-se é algo com que aprendi a lidar, até mesmo porque não tem volta. Concordo que a filosofia por detrás de “je ne regrette rien” é acertada, mas infelizmente eu ainda não cheguei a esse nível de sabedoria…

 

Quando a sua vida se resume a um papel… ou não! 29 Junho 2009

Arquivado em: Pensação — Maikon Augusto Delgado @ 17:03
Tags: , ,

Nesses dias fiz um levantamento de quantos currículos eu mandei desde que voltei de Buenos Aires. O número é assustador: cerca de 1000. Desses, 900 foram para lugares fora do país, cuja lista inclui, sem exceção, todos os países das três Américas, Europa, alguns países da África (os lusófonos, os francófonos e África do Sul, Tanzânia, Etiópia), China e Japão.

De todas essas 1000 tentativas, umas 20 surtiram algum efeito, de modo que fui entrevistado por Skype pelos respectivos responsáveis. Na China, país cujas empresas mais me responderam, me ofereceram trabalho de tradutor, redator de manuais e classificador de spams (não estou mentindo). Eram trabalhos em Pequim, Shangai e Dalian.

No Japão, também de tradutor em Tóquio.

Na África, recebi resposta e fiz uma entrevista escrita por mail somente para a Argélia.

Nas Américas, por incrível que pareça, o país que mais respondeu às minhas tentativas foram os Estados Unidos. Pleiteei uma vaga de tradutor de francês numa gigante dos jogos. Em outra, como testador de videogame.

Na Europa, por fim, fiz entrevista, sempre por Skype, com empresas tchecas, polonesas e sobretudo irlandesas. Os cargos iam de atendente multilíngue a telemarketing.

Em quase todas consegui conquistar meu entrevistador, inculcando em sua cabeça que eu era uma boa escolha para o emprego. No entanto, como é fácil de ver por eu não estar morando em nenhum desses países, não fui contratado, e o motivo foi, em 100% dos casos, o fato de não ter o visto de trabalho. Ou seja, se eu já morasse no país e tivesse o visto de trabalho outorgado, teriam me dado qualquer um desses empregos. Mas como não tenho, fiquei a ver navios em todos os casos.

E por que eu fiquei procurando emprego fora do Brasil? Não foi pelo dinheiro. Não foi pela qualidade de vida do país-alvo. No começo desse ano eu pleiteei algumas vagas de professor em países completamente desconhecidos. Um deles, por exemplo, é o Benin, e a qualidade de vida lá não é superior à do Brasil. Tentei em todos esses países única e simplesmente porque tenho a certeza e convicção de que de que é preciso fazer algo da vida enquanto se está vivo, e esse algo, para mim, inclui lançar-me ao desconhecido e conhecer o mundo. Sempre me lembro desses versos do Eliot quando falo disso:

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar.

É pensando neles que baseio muito da minha vida. Será que um CV consegue carregar isso mundo afora?

 

O Wally dentro de cada um 22 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 19:27
Tags:

Para lá do fato básico de que todo mundo é diferente de todo mundo, há uma linha-mestra comum que guia a vida das pessoas. A cada conversa que tenho isso fica mais claro: sim, ela existe; e não, ela não me serve!

Levei tempos para começar a aceitar que o meu caminho era diferente. Não é que eu queira ser diferente (seria muito melhor, aliás, se o meu caminho fosse o mesmo) ou que me ache melhor ou pior que os outros. O fato é, tão-somente, que o meu trilhar é outro.

Muito disso pode ser visto em algumas escolhas da vida, pequenas ou não. Enquanto muitos preferem ir comer em um restaurante melhor, eu prefiro ir no Pé Sujo da esquina e comer um bom PF com arroz, feijão, macarrão e bife. Enquanto alguns deixam de falar com pessoas mais simples porque elas parecem não ter muito o que dizer, eu as ouço porque as vejo sorrindo (alguma sabedoria elas hão de ter em viver na simplicidade). Enquanto muitos sonham em ir para a Europa, eu gostaria de morar na África. Enquanto o sonho de todos é ter um bom emprego em uma empresa estável ou ser concursado, eu quero poder trabalhar para mim mesmo em casa quatro horas por dia de pijama (e se pudesse, juro que não trabalhava).

Essa linha-mestra comum engendra por si só uma atitude de vida, que acaba balizando as escolhas. Por não me servir, acabo tendo uma atitude diferente, que, por conseguinte, gera escolhas diferentes e faz com que eu baseie minha vida em outros preceitos. Se são bons ou ruins, pouco importa. Importa é que deles não posso escapar.

Assim sendo, vou notando aos poucos que os meus paradigmas e as minhas referências não se enquadram ao mainstream e que, algumas vezes, tampouco têm muito espaço. Mas isso não há de ser nada, diria qualquer sábio da montanha, o importante é saber para onde se vai. E de uns tempos para cá o meu “onde” tem ficado cada vez mais claro…

Apesar de todos procurarem o Wally, ele sabe onde está e para onde vai...

Apesar de todos procurarem o Wally, ele sabe onde está e para onde vai...

 

16h45 (2ª parte) 16 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 15:45
Tags: , , ,

16h45 era o meu horário de descanso, quando descia para comer alguma coisa, sentar-me em uma escadaria de rua e pensar na vida. Não é mais. Troquei de trabalho. Agora 16h45 é mais ou menos a hora em que eu vou embora para casa. Sair do trabalho ainda com luz do dia não tem preço.

Mudei de emprego, mudei de bairro, mudei de horário. Mudei muitas coisas, mas não me privei de me dar um descanso em algum momento do dia. Para poder sair às 16h45, tenho chegado às 7h45 e feito somente uma hora de almoço, e é nessa hora que eu dou vazão ao meu “16h45″ versão 2. Depois do almoço, cujas opções para comer vão desde “Casa Tosca”, “Bife Sujo”, “Casa do Super” e “No 2º andar”, saio por aí dando uma volta no bairro do Bacacheri.

Tenho descoberto inúmeras ruas, casas e lugares de que nunca tinha me dado conta por fazer muitos anos que não caminhava por aqui e sempre estar de carro quando passo. Sem preocupação, vou errando pelas ruas da antiga Vila América, região de imigração argelina. Sem pompa, as casas têm o básico: quintais, estacionamento para um carro (só um carro), varais e um banquinho para se sentar ao sol em dias de frio. Enquanto vou vagueando, vejo os velhinhos das casas tomando sol e brincando com seus cachorros, ou então agachados cuidado de suas roseiras, caramanchões e hortas, quando não parados no portão de casa descascando uma laranja para chupar. Se eu não prezasse tanto a solidão e o silêncio, talvez parasse para prosear.

Tendo perambulado uns 20 minutos, tomo o caminho de volta fugindo das sombras e me aqueço com o calor do sol. Chego sempre no trabalho com a certeza de que o segredo da vida está na simplicidade.

 

Bons Ares II 12 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 12:00
Tags: , , , ,

Por motivos óbvios (facilmente visíveis), recuperei o Bons Ares do Blogspot. A ideia é fazer de lá um funil de compilados de escritos meus espalhados por diversos locais da net (que estão no Histoires de Voyageurs/Amsud, no BeGoogler, no Fianco e em alguns outros lugares esparsos que não me pertencem) e quem sabe assim ajudar quem precisa e quer ser ajudado.

Por trás desse renascimento está um desejo maior: o de virar um blogueiro profissional. Por trás desse desejo, por sua vez, está uma série de pensamentos que venho tendo a respeito de satisfação no trabalho, envolvendo o ato de escrever e minhas metas pessoais.

Ainda é muito cedo para falar algo sobre isso, até mesmo porque ainda estou amadurecendo os conceitos na cabeça (eu sou que nem uma vaca, rumino muito tempo antes de decidir exteriorizar qualquer coisa). Isso não significa, porém, que não possa dar um dica desde já:

Stay hungry, stay foolish!


 

O nome delas 8 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 21:06

Sim, eu sei, isso é ridículo.
Eu aqui, de novo,
dando “google” no seu nome.

Para saber o que você tem feito,
por onde tem andado,
como anda o seu trabalho,
se continua casado
e se ela está grávida
(ou será que já nasceu?
passaram nove meses?
eu sinto que vai ser menina
e por isso tenho mais inveja ainda).

Acho que estou ficando doente,
obcecada, obsessiva,
remoendo dia e noite
essa história,
fingindo que o quase nada que tivemos
- aquele fiapo de relacionamento -
era bom,
me fazia bem.

Quando eu te mandei embora
eu joguei tudo fora,
dei até aquela blusinha nova
que você me deu na última vez.


Outro dia,
enquanto eu dormia,
senti o peso do seu corpo
sobre meu braço adormecido.

Escuto a sua voz
dizendo bobagens,
discutindo comigo
as coisas mais triviais.

Morro de saudades
até das noites ruins.

(Analu Andrigueti)


Lendo esse poema n’A matadora de orquídeas, fiquei pensando em quantas vezes eu não pus o nome de algum ex-amor ou ex-affaire no Google à procura de notícias suas. Uma. Duas. Algumas…

Sim, reconheço, digitei os nomes delas para saber algo de suas vidas, se tinham casado, onde estavam morando, o que andavam fazendo, com quem estavam. Exatamente como nos versos. Em menos de um segundo o Google listava mais de uma dezena de links relacionados. E mais de uma vez cheguei até a encontrar fotos. Descobri que uma tinha se mudado para fazer mestrado. Que outra tinha casado, tido um filho e que ele era bochechudo. Que outra tinha ido para o exterior. Que outra tinha ido a trabalho para tal e tal lugar. Que outra tinha juntado tralhas com um cara, etc. Fuçando (e eu, por algum motivo que desconheço, sou bom nisso sem fazer esforço), pode-se descobrir desde o novo número de telefone, endereço para correspondência ou até o nome namorado/fiancé/marido. É claro que nunca lhes telefonei nem mandei cartas…

Quanta coisa já não descobri assim?! Me pergunto, porém: para quê eu ficava procurando notícias suas, ao invés de lhes escrever e perguntar pessoalmente. Porque, em muitos casos, pelo menos com a maioria delas, a questão não era querer falar com elas, mas alimentar as boas lembranças do que foi, e não do que poderia ser. Quando eu googleava o nome de uma delas, não é porque ainda estava gostando dela, estava com saudades ou tinha mantido um sentimento de posse. Não. Eu procurava o nome delas porque queria reviver de uma maneira atual as lembranças que elas tinham deixado no passado. É como se as visse na rua: vejo-as caminhando, sei que já nos curtimos um monte, mas não é o caso de cruzar a rua para dar oi. Prefiro simplesmente saber que estão bem, porque estando vivas, mesmo que já não mais comigo, elas conseguem manter minhas lembranças. Se por acaso não estivessem mais aí, é como se as recordações se anuviassem e perdessem forma.

Elas e eu podemos ter nos traído, nos machucado ou nos amaldiçoado, mas o que elas me deixaram de melhor é o que eu consegui guardar de bom, e eventualmente procurá-las no Google é uma maneira de manter vivas algumas lembranças que prezo, ainda que eu procure não viver do passado…

 

O tempo passa quando a gente conversa… literalmente! 1 Junho 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 15:49

Além do fato de eu ir encontrando cabelos brancos esparsos, alguns pequenos detalhes do quotidiano têm me feito dar conta de que estou envelhecendo.

  1. Durmo e fico com sono: cada vez mais vejo que ando precisando dormir um pouco mais e na mesma hora. Como tenho acordado às 6h15-6h30, lá pelas 23h vou sentindo o cansaço e o sono me derrubando.
  2. Como e bebo: já não posso mais me entregar a orgias enozimugastronômicas como antigamente. Se antes podia passar o dia em um churrasco comendo e bebendo ad infinitum, hoje em dia sinto que tenho um limite, e esse limite tem se estreitado. Confesso que gosto disso, pois gosto de tudo que ruma em direção à boa medida socrática. Nada de excessos, mas também nada de economias desnecessárias.
  3. Encontros e conversas: modificaram-se e estão se modificando aos poucos. Quando me encontro com os amigos, a conversa gira quase invariavelmente em torno de alguns assuntos recorrentes: trabalho (cada um conta como está indo seu trabalho e, frequentemente, conta causos engraçados que visam a amenizar o fato de não gostar do trabalho) e passado (rememorando passagens, momentos e episódios marcantes das nossas vidas em comum).

Essas conversas e encontros têm me feito ver muito claramente o passar do tempo. As conversas vão sendo determinadas pela inserção minha e de meus amigos no mercado de trabalho e posterior consolidação (quase todos já estão muito bem empregados, felizmente).

Não acho, contudo, que o fato de conversarmos sobre tudo isso seja unicamente bom ou ruim. Tem seu lado bom no sentido de todos se sentirem suficientemente à vontade para contarem suas coisas, o que é uma atestação de que a amizade não se corroeu. Mas tem também o seu lado ruim, já que nos vejo nos tornando aquelas pessoas que não invejávamos. Não é nada alarmante ainda, mas me preocupo com a minha saúde filosófica. É importante ter sonhos e ter metas atingíveis, metas as quais te tragam não só satisfação financeira (blérgh – odeio ter que fazer coisas só por dinheiro), mas também satisfação pessoal. Nada como conversar com um amigo que curte pra caralho fazer o que faz, que se empolga com seu trabalho. E é isso o que mais me toca em uma pessoa: que ela tem um fascínio real e crescente pela escolha que fez. Burocratas, executivos, corporativistas e afins me dão ojeriza, a não ser que tenham um projeto pessoal que levam nas horas vagas e que seja o seu combustível pessoal. Nada mais tedioso que conversar com alguém que espera a vida passar.

Não estou dizendo que meus amigos estejam tediosos. Eles estão, assim como eu (infelizmente), entrando na dinâmica moderna de trabalhar, pensar em estabilidade (nessa parte eu ainda não me incluo). E é isso que me preocupa, porque o desejo pela estabilidade a qualquer preço leva as pessoas a querer aquilo que as estabiliza, e esse aquilo tende a moldá-las à base dos modelos tediosos citados acima. Eis então o receio e, por que não, o medo.

Apesar de ser ateu, que Deus me livre e guarde.

Amém.

 

 

 

Jovem atrasado ou velho adiantado? 29 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 09:42

Sou declaradamente um fã de tecnologias. Gosto de todos os aparatos tecnológicos que possa existir, desde funcionalidades on-line de um blog ou e-mail até novas canetas espaciais com tinta marciana, passando, é claro, por iPods, laptops e qualquer outra coisinha com botões e funções não-imprescindíveis para a vida. 

O meu único problema é que não tenho dinheiro para comprar nenhum desses aparatos de que tanto gosto, motivo pelo qual sou, a bem dizer, um fanático de tecnologias ultrapassadas. 

Enquanto o mundo lançava computadores portáteis de com tecnologia da NASA, eu convencia o meu pai a nos comprar um 386. Eu lhe dizia: “Pai, compra que computador é uma coisa útil. Você vai ver!”. Naquela época, os 386 eram o máximo de sonho de consumo tecnológico que podíamos nos permitir. 

Anos atrás, depois que a febre dos laptops já tinha consumido o mundo e os governos e empresas lançavam notebooks a preços acessíveis para a classe média (até então luxo de classe alta ou de executivos), por força de necessidade maior, comprei um laptop na Argentina. Era bom, mas não era nem de perto de última geração. Era (não é mais) um bom computador para mexer com imagens e vídeos em geral. Hoje, esse mesmo laptop, com o qual ainda estou até hoje, não consegue mais abrir diversos (mais de 5) programas ao mesmo tempo. Os programas de hoje em dia estão cada vez mais pesados e, por conseguinte, cada vez mais lentos no meu lap. 

Atualmente, quando a febre dos iPods já passou há muito e a do iPhone e iPod Touch está passando (qual será o próximo aparato inovador?), começo a pensar em comprar um tocador de música portátil. Ando pensando num iPod não por ser um iPod, de marca ou por ter a maçãzinha atrás, mas simplesmente porque tenho tanta música guardada (muito mais que os 160GB disponíveis pelo maior dos iPods) que seria mais fácil armanezar os melhores em um só lugar e ao alcance dos ouvidos. iPod entrou, então, como uma opção de compra. 

Como não tenho condições de comprar um novo nem tenho quem me manda um zerinho dos EUA, estou investigando uns usados. E é aí que entra mais uma vez os modelos ultrapassados. Sempre na après-garde da tecnologia, vou me contentando com os modelos mais velhinhos, e mesmo assim vou achando-os legais na sua ultrapassadidade. Me divirto horrores com descobertas de coisas que já estão praticamente na Era Jurássica, mas que para mim são superinovadoras.

Que conclusão, pois, posso tirar disso tudo? Que sou um jovem atrasado ou que sou um velho tentando atualizar-se?

De qualquer forma, ainda não comprei um iPod e penso seriamente em adquirir um daqueles MP3 chineses que se encontra em qualquer ambulante de esquina…

 

 

 

A estranha sensação de estar perto de estranhos 26 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 14:20

Viver é, dentre muitas outras coisas, conviver com pessoas estranhas. Você nasce e talvez a única pessoa que você conheça mal e mal é a sua mãe. Quando muito. O pai, ele sempre vai ser um dos primeiros estranhos que você conhece durante os seus primeiros minutos de vida. Sendo assim, conhecer e conviver com estranhos é coisa que se faz desdeque se é um pequeno ser com cara de joelho, e muito provavelmente é algo que você fará até a velhice.

No trabalho, como não poderia deixar de ser, a regra se aplica. A cada vez que muda de emprego você se vê diante de inúmeros estranhos cujos nomes e história desconhece. E mais uma vez é preciso procurar conhecê-los para conviver com eles.  

Mesmo sabendo que as coisas são assim, me choco. E me choco porque é sempre estranho dividir por mais de dez minutos o ambiente com alguém desconhecido e saber que essas mesmas quatro paredes serão a referência de convivência que teremos.

Na última semana eu mudei de trabalho, de forma que estou passando por essa estranha sensação mais uma vez. As paredes mudaram, bem como as pessoas que as dividiam. Enquanto no antigo emprego eu sentava em uma sala com outras 20 pessoas, aqui compartilho o espaço com seis. Uma diferença e tanto. Enquanto lá podia-se passar por alto sem ser incomodado, aqui o tom é outro. Lá eu podia chegar e não dar bom-dia a ninguém que não iriam estranhar. Aqui, se fizer isso, tenho certeza que vão me tomar por antipático…

Foi quando lembrei da letra de uma música: Estranhos se tornam melhores amigos, e melhores amigos se tornam estranhos. 

 


 

16h45 13 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 17:07

A princípio e à primeira vista, o horário 16h45 não tem nada de especial nem se difere de 16h44, 17h22 ou 22h01. Em sua essência, 16h45 tem o mesmo valor que qualquer outro horário.

Não para mim.

É às 16h45 que eu faço o meu intervalo diário da tarde. Separo algumas moedinhas para comprar uma barra de cereal e algo de beber, bloqueio o meu computador, pego o meu cartão magnético e desço. Cumprimento as mocinhas da recepção do prédio, atravesso a rua, me dirijo até o mercadinho ou a padaria da esquina e compro meu lanche. Sem a preocupação do que os moradores chiques do bairro possam pensar, sento-me em um degrau de entrada de uma casa, recosto-me na grade e estico as pernas, qual um viajante descansando à sombra de uma árvore em um país desconhecido. 

Enquanto abro a minha barra de cereais e tomo o que comprei, costumo dedicar alguns momentos ao mundo, para falar de uma maneira mais filosófica. Não aos carros, caminhões e motos ou aos pensamentos que povoam minha cabeça, mas sim às coisas que normalmente uma pessoa que passa o dia dentro de um escritório não escuta e não vê. Ouço os funcionários do mercadinho levando o carrinho para cima e para baixo, escuto uma conversa na rua, vejo alguém na sacada, um porteiro recebendo as correspondências, etc. Como se tudo fosse sumamente inusitado.

Esses 10 minutos que me dou no meio da tarde, durante o expediente vespertino, não são só um momento para descansar a vista, o corpo e a mente, mas também para espairecer o espírito, que atrofia depois de muito tempo fechado em um ambiente fechado (o meu, pelo menos, enrijece). É por isso, imagino eu imerso na minha ignorância profunda, que as pessoas que trabalham em ambientes abertos ou em casa (que representa a maior de todas as liberdades) sejam mais leves. Quem trabalha em casa só tem a necessidade de trabalhar. Quem vai a um escritório precisa atuar. 

Durando ou não 10 minutos (às vezes me prolongo e dou uma volta na quadra, às vezes antecipo porque tenho coisas para fazer), o fato é que mantenho esse hábito e acredito que ele me faz bem, ainda mais porque é durante ele que eu me permito ficar sem pensar, avaliar e analisar, momentos os quais justamente costumo ter muitas ideias…  como a de escrever este post.

 

 

 

Depois daquela esquina 11 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 00:17

Durante aquela “conversa” ocorrida nesses dias, que relatei num post anterior, tive, como já disse, diversas epifanias a respeito desta minha parca vida. Uma delas diz respeito à minha inquietude e curiosidade para com o mundo. Descrevendo minha experiência de morar na França, contei a minha chegada:

Imagina você chegar a um país em que não conhece ninguém, nada e não tem a menor ideia do que vai encontrar quando subir a escada do metrô ou quando dobrar na esquina. Você não sabe se vai dar de cara com uma padaria, com uma oficina mecânica, com um mercadinho ou com uma velha passeando o seu cachorro. É isso que me fascina em viajar.

Dessa fala, entendi um pouco melhor por que gosto tanto de morar fora (que é a maneira que mais curto de viajar). Gosto de desconhecer tudo, não conhecer ninguém e não saber o que esperar, o que me força a todo momento a ir além de mim mesmo. Uma situação como tal permite você se reinventar, e é reinventando-se que você entende o caráter mutável da vida. Porque, afinal de contas, a única coisa que se leva dessa vida é o que se guarda consigo.

 

 

 

Os visitantes de Bons Ares 7 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 11:24

Depois que instalei o Feedjit e o ClustrMaps, descobri que o blog tem visitantes estrangeiros, e que eles são muitos. Acabei desenvolvendo uma curiosidade a respeito de quem são, já que alguns parecem (repito: parecem) ser reincidentes nas visitas.

Até o dia de ontem e desde que instalei esses dois gadgets, Bons Ares já recebeu 1345 visitas, sendo 950 advindas do Brasil. O resto é de outros países, que listo aqui por ordem de maior visitação: Portugal, Argentina, Estados Unidos, Noruega e Peru. Os outros, que vão desde a Colômbia até Taiwan, tem menos de 10 visitas cada. Atenhamo-nos, porém, aos anunciados.

Consigo entender perfeitamente, embora não os conheça, como alguém de Portugal cai no Bons Ares. O idioma português nos une. Também compreendo as entradas argentinas. Abuelita e todos os amigos da época de cinema moram lá. Agora, Estados Unidos, Noruega e Peru?

Para os Estados Unidos, imagino que “sejam alguéns” da imensa colônia brasileira lá, que foram tentar a vida e acabaram entrando no blog à procura de outra coisa. A única pulga atrás da orelha que resta é uma determinada pessoa de Mountain View, Califórnia, que já entrou mais de uma vez e possivelmente acompanhe esporadicamente o blog. Me pergunto quem seria… Os motores das minhas elocubrações foram acionados e desejaram que fosse alguém do Google, para onde tantas vezes já mandei o meu currículo. Mas depois penso que não deve ser. Se fosse, já tinham respondido uns dos meus tantos mails.

Quanto à Noruega, minhas dúvidas são as maiores possíveis. A pessoa que entra, se é que é uma só, sempre entra de Oslo. Não conheço ninguém lá, de forma que a única conexão que posso fazer é com a Paty Girl, que andou indo para o Kongeriket Norge nesses dias e talvez tenha passado o link para algum amigo. Vai saber…

Peru. As poucas pessoas que conheço no Peru estão em Buenos Aires. Não consigo imaginar como um peruano qualquer teria caído no blog, já que não é tão fácil achá-lo. Ou se digita “bons ares wordpress” ou se digita o meu nome. Caso contrário, tem que procurar um tanto para achar.

Por fim, e foi o que me levou a escrever esse post, Bons Ares recebeu uma visita de Turku, na Finlândia. Finlândia? As poucas coisas que me ligam ao país, além da imensa curiosidade e vontade de ir para lá, é o fato de meu digníssimo herói Eruk Zjarm Fanalau ter sido parcialmente ambientado lá, na “fictícia” Suomalansaari. Fico pensando cá com os meus botões no que a pessoa de Turku teria digitado para cair no Bons Ares. Será que foi navegando e acabou caindo ou será que há alguma palavra-chave do blog que seja similar em finlandês e português, a qual acabou trazendo-a até este humilde tupiniquim que vos fala?

Descobrindo ou não como nosso compadre finlandês veio parar aqui, desejo a ele e a todos um Hyvät Ilmaa.

 

 

 

Conversas 5 Maio 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 23:30

Há muitos tipos de conversa. Conversa comunicativa, em que se passam informações. Conversa-venda/cantada, na qual se tenta convencer alguém de alguma coisa. Conversa descompromissada, quando o simples deixar as palavras saírem é a maior preocupação. Conversa séria, meio pelo qual coisas importantes são discutidas e decididas.

São inúmeros os tipos de conversa que existem. E eu não seria louco de elencá-las uma a uma aqui. No entanto, há um tipo específico de conversa que me agrada muito mas que acontece só de vez em quando. Conversa-sabedoria, em que coisas sábias da vida são ditas e te fazem pensar.

Conversar, no entanto, não é algo simples. Muitas vezes as partes precisam se confrontar, bem como avaliar e analisar constantemente tudo o que for dito. Faz-se uso, portanto, de uma arte da conversa, na qual poucos são bons (eu, por exemplo, sempre deixei claro que um pré-requisito imprescindível para minhas companheiras é o de ser boa de papo). De qualquer forma, sendo eu bom ou não nessa arte (sempre tive as minhas dúvidas), possuo uma característica que contribui no fato de eu volta e meia ter boas conversas: por algum motivo do mundo, as pessoas se sentem à vontade para falar comigo, e eu lhes retribuo a sensação ouvindo-as.

Pois ontem tive uma dessas conversas sábias com uma pessoa inusitada. Não vem ao caso dizer quem é, de forma que vou chamá-la simplesmente de Y.

Y. e eu nos sentamos em um café e deixamos o papo rolar. O que começou como uma conversa séria acabou como uma conversa-sabedoria. O que começou com entraves acabou com reflexão. O assunto principal versou a respeito das decisões que se toma na vida e da maneira como se leva ela. Y. me contou sua vida e como a veio levando até ontem. Ouvi Y. com atenção. Em seguida, contei-lhe eu algumas coisas e fomos conversando. Cheguei até a contar-lhe mais do que tinha planejado. Terminamos a conversa depois de alguns cafés, com Y. me incentivando a fazer o que eu pretendia fazer. Fiquei satisfeito. Ainda mais porque tive um lampejo (pessoal e intransferível) de certeza de que não só estou no caminho certo como também o estou trilhando como devia (segundo as minhas crenças, sempre discutíveis).

 

 

 

Os letrólogos? 27 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 22:57

Fato nº 1: sou formado em Letras.

Pergunta nº 1: em tese, qual é a área de trabalho de um graduado em Letras?

Resposta nº 1: teoricamente, educação (aulas de literatura e língua) e área de textos em geral.

Realidade única: ou você dá aulas de português e do idioma que estudou ou você é revisor. Ponto final. Com muita sorte, fará traduções, mas não é especialmente habilitado para isso, já que saber o idioma não é fator determinante. Conhecer a área de conhecimento o é tanto quanto.

Muitos vão querer me execrar por dizer isso, mas mesmo assim direi: o curso de Letras não serve para nada. Está certo que, frente à grande massa brasileira de não privilegiados que não têm estudo superior, o título de graduado em Letras me dá algumas vantagens durante julgamento de crimes (oxalá não sucedam), mas nenhuma se for julgado culpado. Uma pessoa graduada, depois de julgada, perde as questionáveis vantagens que tinha (que, a meu ver, não deveria ter).

No entanto, o fato de uma grande parte da população brasileira não ter estudo superior não me obriga a me sentir ingrato por falar mal de algo que possuo. Fosse assim, ninguém poderia reclamar da situação em que está por sempre haver alguém pior. Sem reclamação, não há análise nem revolta. Sem revolta e análise, não há melhoria, etc.

Dou-me, pois, o direito de refletir sobre o fantástico diploma de Letras que tenho à minha frente. 

O meu é bem bonito e todo colorido. Se as vantagens que ele me traz fossem diretamente proporcionais à quantidade de cores e qualidade do papel, eu estarei feito. Mas não são. Aliás, parece que até são inversamente proporcionais. 

A resposta nº 1, acima, diz, pelo menos é o que consta em todos os manuais de profissão das universidades do Brasil afora, que egressados em Letras terão chances como professores de idiomas (inclusive o português) e oportunidades na área editorial. A resposta única, a qual me sinto habilitado a dar por estar inserido no mercado de trabalho há tempos, corrobora mais ou menos a primeira parte dos manuais (professores de língua), mas desatesta a segunda (área editorial). Questionemo-nos e pensemos.

Quantos de vocês já viram ou ouviram falar de professores de português do ensino médio e fundamental que não eram formados em Letras, mas sim em História, Geografia ou até em Matemática? Resposta: inúmeros.

Quantos professores de inglês, espanhol, francês, alemão ou qualquer outro puta idioma deste mundo vocês conhecem? E quantos deles têm formação em Letras? Resposta: quase nenhum. Aliás, pré-requisito básico em escolas de idiomas é que você tenha vivência no exterior. Ou seja, qualquer um que tenha morado nos Estados Unidos e saiba falar inglês pode dar aulas de inglês.

Quantos de vocês já viram jornalistas, publicitários, sociólogos ou qualquer outra pessoa de Humanas ocupando cargos de revisores? Talvez muitos de vocês não conheçam muitos revisores, mas eu sim. Logo, a resposta é: muitos.

Continuando a pensação…

Se pessoas formadas em História, Geografia, Matemática, Jornalismo, Ciências Sociais e afins ou qualquer outro caboclo que saiba um idioma pode trabalhar nas áreas em tese destinadas aos egressados de Letras, por que cargas d’água os estudantes de Letras não podem trabalhar como professores de História, Geografia, ou como jornalistas, sociólogos ou o que for? Resposta: cri-cri-cri… (silêncios dos inocentes)

Realidade na qual os formados em Letras vivem: o seu curso não serve para nada, já que ele não te habilita, exclusivamente, a fazer nenhuma coisa especializada. Reflexão: o curso de Letras, mais que nada, é um curso de conhecimentos gerais um pouco mais específicos, os quais qualquer pessoa com um pouco de leitura pode adquirir sem maiores problemas. 

E por que é que não me disseram isso antes? Vai saber!

De qualquer forma, dos males o menor: descobri isso relativamente cedo, e sozinho, o que me dá um bônus de autodidata.

Contexto da realidade: algumas profissões, como os jornalistas e sociólogos, têm sindicatos fortes, que conseguiram se fazer presentes legalmente no Brasil. Isto é, só pessoas formadas em jornalismo podem ser jornalistas, assim como só pessoas formadas em Ciências Sociais podem ser sociólogas e afins. Ou, em exemplos mais de peso, só as pessoas com OAB podem advogar. Eu, se quiser, não posso. Até são capazes de me prender por tamanho crime. Injúria, calúnia, desacato!

E, me pergunto, o que tem de exclusivo e secreto no curso deles que eu não possa ter aprendido estudando? Por que os quatro anos de estudo deles são mais importantes que os meus quatro anos de estudo por outras vias que não a faculdade? Resposta: porque ou 1) estudaram coisas específicas e de certa forma herméticas, não conhecimento geral facilmente acessível em banquinhas de revista; ou 2) conseguiram dar respaldo politicamente para a profissão; 3) por conta dos dois motivos anteriores.

Minha solução para esses problemas? Resposta: que nas profissões não técnicas (as técnicas seriam: os da área de saúde, os da área de engenharia, os advogados – por terem sido competentes para dominar o mundo e criar um retórica tão hermética que só eles conseguem entender -, etc.) valesse o conhecimento, pouco importando como ele foi adquirido. Oras, se alguém domina tudo de computadores e os faz sonhar, por que se importar se aprendeu tudo sozinho com um 486 ou se fez uma puta faculdade de Ciência da Computação? Se sei escrever bem e aprendi o métier de um jornalista só lendo jornais, por que não posso ser jornalista? Afinal de contas, se não pode se aprender o que eles fazem com o que escrevem (que é, em suma, o que fazem), a única conclusão a que posso chegar é que eles não fazem bem o seu serviço. 

Não quero dizer, porém, que devem ser fechadas as faculdades. Muito pelo contrário. Deve abrir mais. Milhões. Todo mundo tem que ter direito de estudar, e de graça. O que quero dizer, por outro lado, é que o mercado não deveria se fechar a títulos. Um papel, em última análise, não diz nada. Só significa que uma árvore foi morta.

Aonde quero chegar com tudo isso? 1. Expressar a minha indignação. 2. Arranjar um trampo que me pague para escrever, que é o que gosto de fazer. 3. Dar algo de ler para meus vorazes e inúmeros 10 leitores! 

 

 

 

Aqui x lá – ou o Heródoto polonês 22 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 14:30

Sempre me preocupei com uma característica minha, que muitos sempre disseram ser daninha à minha pessoa: uma inquietude e uma sede pelo novo, pelo diferente.

 Durante muito tempo, atormentei-me e fui atormentado pelos outros por causa dessa característica, sempre presente em mim e reflexo de muitas atitudes “reprováveis” que tomei: larguei o curso de filosofia no 4º ano; me demiti do meu emprego na França antes do término do contrato; abandonei cinema em Buenos Aires; comecei inúmeros cursos; deixei-me levar pelo interesse pelas mais diferentes línguas (grego antigo, latim, sânscrito, hebraico, alemão, francês, italiano, espanhol, inglês, sueco, esperanto); me cansei de estudar isso e aquilo (voltando depois, muitas vezes, a estudar o mesmo assunto anos depois); mudei de vida, e de ares (Bons Ares) inúmeras vezes por cansar da que tinha ou por achar que não estava exatamente no meu caminho; etc.

 Perdi a conta das vezes em que tive “aquela conversa” com amigos, que insistiam que eu devia tentar me aquietar, que eu devia começar a me satisfazer com o que tinha. Minha vida virou (e de certa forma ainda é) uma grande questão filosófica sobre o instável x estável, a insatisfação x contentamento, o aqui x lá. De anos para cá, simplesmente parei de filosofar com os amigos a esse respeito. Não porque eles, muitas vezes, tentassem me fazer entender que essa minha característica podia ser daninha (papel fundamental dos amigos, que se preocupam com você, em tentar te ajudar naquilo que eles julgam necessário), mas porque me dei conta, mais que nada, que eles nunca poderiam entender o meu caminho e as razões que o perfazem. O que é de cada um só é compreensível por si mesmo. De lá para cá, mantive meus pensamentos sobre si dentro da minha cabeça.

 Tempos depois, levado por percalços da vida, me dei conta de algo importante: que essa minha característica não precisava ser necessariamente uma fraqueza, mas sim um apoio, uma ferramenta, um motor incansável. Minha função seria fazer tal característica, sempre presente em mim e cada vez mais intrínseca, jogar a meu favor, e não contra. Nesse momento, dei um passo a mais em direção ao autocontentamento, usando da insatisfação como degrau. Aproximei o lá do aqui e instabilizei o estável, assim como estabilizei o instável.

 Sempre achei que, embora fosse algo de que muitos padecessem, fosse algo quase incompartilhável. Nunca encontrara escrito nada que parecesse se encaixar perfeitamente naquilo que sou. Até ontem, quando li as páginas 297 e 298 de Minhas viagens com Heródoto, de Ryszard Kapuscinski. O livro já tinha me conquistado desde a primeira página, mas foi ao final, bem no final, que se deu a identificação total. Lendo-o, é como se estivesse divagando nos meus próprios pensamentos ou relendo algo que poderia ter escrito (não quero, com isso, me comparar a ele; pudera pudesse).

 Deixo-os, então, com o trecho.

 

[...]

 Na certa, ele [Heródoto] era aquele tipo de pessoa que adora falar em público, sempre à caça de ouvintes, sem os quais não consegue sobreviver. Mediadores incansáveis, em estado permanente de excitação, têm a necessidade, assim que vêem e ouvem alguma coisa, de transmitir isso aos outros – são incapazes de reter as novas para si, nem por um momento. Toda a energia, toda a sua paixão são investidas nisso que consideram sua missão. Viajar a pé, a cavalo, num navio, fazer descobertas e, imediatamente, trombeteá-las para o resto do mundo.

 No entanto, homens assim entusiasmados não nascem aos montes. Um homem mediano não está particularmente interessado no mundo. O simples fato de estar vivo já pesa bastante sobre ele, e quanto menos esforço tiver que fazer, tanto melhor. O ato de conhecer o mundo requer uma mobilização de forças, tanto físicas como intelectuais, que consomem o ser humano. A maioria das pessoas desenvolve competências inversas, notadamente aquele que consiste em olhar sem ver, em escutar sem ouvir. Portanto, o surgimento de alguém como Heródoto – um homem possuído por um desejo, até por uma obsessão de observar e ouvir e, ainda por cima, dotado de inteligência e aptidão para escrever – constitui um fato que passa imediatamente para a história do mundo!

 Indivíduos assim se caracterizam por uma capacidade de assimilação incrível, como se tudo pudessem absorver e, com a mesma facilidade, despojar-se daquilo que foi absorvido. Eles não mantêm para si as coisas por muito tempo, e, como a natureza não suporta o vácuo, precisam sempre se renovar, precisam incessantemente absorver, preencher, multiplicar, aumentar seu saber. A mente de Heródoto é incapaz de se deter num acontecimento ou país. Existe nela algo que o faz seguir em frente, apressando-o com a inquietação. A descoberta feita hoje já não o interessa mais amanhã; ele precisa viajar para outro lugar, para ainda mais longe.

 Indivíduos assim, tão úteis aos outros, são, no fundo, infelizes e solitários. Embora procurem o outro e cheguem mesmo a ter a impressão de que um determinado país abriga conhecidos seus, pessoas que lhe são próximas e que compreendem tudo a respeito, eles acordam um dia e descobrem que nada os liga a esses seres, que podem partir repentinamente, após sentir que há algo novo a chamar por sua atenção – outro país ou outros povos –, e que a sensação tão encantadora do dia anterior já empalideceu e perdeu o sentido.

 Não se prendem a ninguém, não aprofundam raízes. Sua empatia é sincera, mas superficial. Quando solicitados a indicar o país que acharam mais interessante, não sabem o que responder. Qual? De alguma foram, todos, pois em cada um há algo de interessante. A qual país gostariam de regressar? Novo embaraço – nunca se questionaram a esse respeito. De uma coisa eles têm certeza: gostariam de estar novamente na estrada. Estar novamente na estrada – eis o que eles sonham.

 

 

 

Os piores seres do mundo: os pedreiros? 20 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 16:08

Não tenho nada contra a profissão, afinal de contas são eles que levantam, seja como for, nossas amadas residências. Tenho sim contra as pessoas que trabalham com isso.

No apartamento em que estou morando agora, no bairro São Francisco, eu e meus homemates estamos passando pela infeliz situação de ter duas reformas nos rodeando: uma no apartamento de cima, sobre nossas cabeças; e outra na nossa frente, diante da nossa porta de entrada.

Os pedreiros, esses seres dos quais tenho criado ojeriza, estão no encargo das obras. Para azar meu e de meus confrades domésticos. Com muito orgulho, talvez para mostrar mais serviço ou simplesmente porque os fdp… gostam de madrugar, chegam às 7h30, começam a falar alto na garagem, corredores e jardim do prédio (que dá diretamente no nosso apartamento) e já logo em seguida se põem a martelar nossas pobres cabeças. Inferno. À exceção dos domingos e alguns feriados (eles trabalham nos sábados e não é todo feriado que nos dão descanso), não tem um dia, nos últimos dois meses, em que eu não tenha acordado com o barulho deles. É martelada, é serra elétrica, é gritaria, é sei lá o quê. Fato é que me acordam, assim como aos outros moradores da casa.

7h30, senhores, 7h30 da manhã num sábado, depois de fazer hora extra quase todos os dias, é de lascar. Meus sais.

Sem dizer quando os filhos de um dos pedreiros não ficam brincando com o portão durante a tarde, abrindo-o e fechando ao bel-prazer… Certo dia, numa tarde de sábado em que eu estava tentando trabalhar em casa, contei: eles abriram e fecharam o portão da garagem do prédio 37 vezes em 20 minutos. Me dei o trabalho de contar para ter certeza que aquilo não era delírio meu.

Até que, às 7h30 de um belo domingo (em que até Deus descansa), começou a bateção. Camilo e eu, os dois ao mesmo tempo, abrimos as portas dos nossos quartos, nos olhamos e nos dissemos: porra, hoje não. Ligamos para o síndico e pedimos que ele interviesse. Ainda mais porque já tínhamos enlouquecido em dois feriados em meio à barulheira. Camilo diz que já está adquirindo poderes zen que o fazem meio que esquecer o barulho. Camila, quando não está de TPM, concorda. Já o Oz e eu, bah, ainda não iluminamos tanto nossa mente a ponto de chegar nesse ponto. Infelizmente.

Reclamações à parte, quem devo culpar por tudo isso? Quem paga os serviços do pedreiro ou o próprio pedreiro, que é o responsável direto por tudo aquilo que me incomoda?

Minha resposta, talvez não muito brilhante, é “não sei”. Pouco me importa, na verdade, porque a única coisa que eu queria era poder dormir até as 9h um dia desses!

 

 

 

Ponte aérea Buenos Aires-Brusque! 17 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 15:31

Numa bela noite de quarta-feira, Camilo chega em casa com duas amigas que tinha feito no mestrado: Parça Baga e Milena. As duas, então mestrandas da Unicamp, estavam passando uns meses em Buenos Aires estudando e fazendo umas entrevistas para suas respectivas teses.

Foram elas que nos apresentaram o Gibraltar, em San Telmo, pub o qual virou a segunda casa dos tupiniquins de Caballito.

Dias depois, fomos todos ao bar beber e comemorar que estamos vivos. Era uma quinta-feira, melhor dia daquele pub, que enche de gringos dispostos a conhecer gente diferente. Oportunidade perfeita para conversar com estranhos (contradizendo os eternos conselhos da minha mãe), coisa tão rara em Buenos Aires.

Chegamos lá pelas 19h, nos sentamos no balcão e fomos pedindo um pint atrás do outro. Antes das 21h30 já estávamos os quatro bêbados gritando e atazanando todas as pessoas do bar. Nesse mesmo dia, em meio à bebedeira e gritaria, Parça e eu descobrimos que os dois já tínhamos morado em Brusque-SC, bem como descobrimos que Brusque era o centro do mundo. Tentamos porque tentamos fazer a Milena e o Camilo entenderem o que isso significa, mas a cabeça limitada deles não alcançou pensamentos tão altivos.

Começamos a bradar, Parça e eu, na melhor maneira brazuca, e a contar para todos nossa sabedoria de boteco. Muitos não nos entenderam.

A dupla campineira voltou para o Brasil. Meses depois, Camilo Pacotilla e eu regressamos. Um ano e meio depois do meu retorno, eis que, na quinta-feira de Páscoa, recebo um mail coletivo da Parça contando que tinha capotado o carro indo para Brusque, de onde escrevia, mas que estava bem. Já na hora respondi, sugerindo um encontro.

É então, no sábado de Páscoa, às 18h, na praça central de Brusque, em frente ao coreto, que por sua vez está diante da igreja principal, orgulho arquitetônico da cidade, que nos reencontramos depois de um ano e meio.

Sentamos em um café meio europeu (coisa de brusquense) e ficamos papeando. Tivemos que ir embora porque já estavam fechando o café. Demos uma volta a pé pelo imenso centro da cidade, visitamos os sítios de mais interesse turístico, etc. Até que nos demos conta: nosso último encontro tinha sido em Buenos Aires. De lá, só em Brusque, o centro do mundo, como brindamos e bradamos no Gibraltar, sem muita comoção popular.

Pensei: de Buenos Aires para Brusque é um avanço incrível! De uma cidade fantástica para o centro do mundo. Qual será a próxima paragem em que nos encontraremos?

Fica a incógnita. Mas não a dúvida, mais uma vez corroborada, de que Brusque continua sendo o centro do universo…

 

 

 

Sumpáulis (domingueira) 15 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 09:55

No dia seguinte, fomos almoçar no Govanda, aproveitando a semana de gastronomia de São Paulo. A decoração do restaurante e a entrada estavam demais, mas os pratos principais, na minha modesta opinião, deixaram a desejar. 

De lá seguimos para a Pinacoteca. Não entramos porque eu sou um chatinho e não curto fazer mais de um museu por dia. Museus me cansam, confesso. Preferimos ir no da Língua Portuguesa. Demais. Interativo, cheio de imagens e fugindo do clichê de ficar só apresentando textos clássicos da literatura em língua portuguesa. Além de oferecer um clima com ar-condicionado, fundamental numa tarde de 33° malditos graus. 

Sol mais ameno, saímos à rua e fomos dar uma volta de carro por alguns bairros da cidade. Recorremos o tradicional bairro italiano do Bexiga, o bairro do Pacaembú, Higienópolis, Perdizes, Consolação, Santa Cecília, Liberdade. Chegamos em casa os três quase dormindo.

Tomamos café e lá pelas 20h nos despedimos. Eu ia me encontrar com o Rafa no metrô Ana Rosa e esperar com ele o meu ônibus. Por falta de tempo, acabamos indo diretamente até o Tietê. Ficamos por lá conversando sobre a vida. Às 22h15, embarquei para Curitiba, chegando em casa às 4h50. 

Por mais que eu já tenha viajado um pouco por aí, nunca tinha ido expressamente a São Paulo. Todas as minhas idas eram mais de passagem. A primeira vez, há muitos anos, fui com meu pai e minha mãe visitar o Morumbi e o CT do São Paulo. Nessa época eu era são-paulino roxo. E segunda vez foi quando voltei da França. Minha mala tinha sido extraviada e eu não tinha uma roupa sequer. Resolvi então ficar no Rafa e passar o fim de semana com ele. A terceira, foi essa agora. As outras foram mais de passagem ainda, de forma que não conto.

Gostei bastante de São Paulo. É uma cidade onde tem tudo a toda hora. Ao contrário do que pensava, é bem mais bonita do que eu lembrava, cheio de lugares pitorescos para ir. A região da Linha Verde do metrô é muito legal. Dá para transitar só por lá.

Mas a ida a São Paulo me fez pensar também em Curitiba, por incrível que pareça. Eu, que sempre detestei do fundo do meu coração Curitiba, tenho começado a gostar no último ano. E confesso que tenho reconhecido várias coisas boas dela: limpeza, trânsito plausível de ser suportado, clima ameno e agradável (apesar de sempre nublado e com suas mudanças de temperatura constantes). Muito contribuiu para esse sentimento o fato de saber que eu estava voltando para casa, para a minha casa (meu apartamento novo, para onde mudei em fevereiro). A sensação de ter uma casa para onde se volta, onde você tem as tuas coisas como você quer é fantástica. Desde Buenos Aires eu não sentia isso. 

Ir a São Paulo me fez lembrar como é estar numa cidade grande (desde BsAs eu não me lembrava), mas também me fez recordar que eu gosto de cidades grandes com ar de cidade mediana, como Buenos Aires, Santiago e por que não Paris. Pode-se atravessá-las em uma hora. São Paulo não se atravessa nem em duas. Essa sensação de ter a cidade ao alcance das mãos me agrada.

São Paulo é muito legal, mas desconfio que ela é bem melhor no fim de semana.

 

 

 

Sumpáulis (sabadão) 8 Abril 2009

Arquivado em: Texto — Maikon Augusto Delgado @ 11:41

Num dia desses fui passar o fim de semana em São Paulo. Queria visitar o casal anos 2008 Bia e Manu, alguns outros da comunidade curitibana na capital e de quebra ver o maior de todos os putains, o Rafa. Mandei mails tipo uma semana antes e, na sexta 9 de março, peguei o busão da 0h08 da madrugada de sexta para sábado e me deixei embalar pelos sacolejos do ônibus. 

Como em toda viagem, fico nervoso antes de embarcar. Nervosismo típico que me faz até pensar em não ir, por pressentimentos ruins mil. Até hoje, por sorte, nenhum deles estava certo. Aliado ao nervosismo o receio de ir para São Paulo, a capital que tudo engole e da qual poucos sobrevivem comme il faut. Os lugares-comuns gerados pela mídia, nessa hora, têm lugar: cidade de concreto, violência gratuita, pobreza, etc.

Mesmo assim, fui.

Cheguei na rodoviária do Tietê às 6h30 e, na hora de comprar o bilhete de metrô (que está pela bagatela de R$2,55!), já me deparei com uma recepção tipicamente paulistana: uma fila de pelo menos 100 pessoas. Devo ter ficado uns 20 minutos esperando a vez para comprar o ticket do subte

Linha Azul, estação Portuguesa-Tietê. Treze estações para frente desço na Praça da Árvore, no bairro da Saúde, onde mora o Rafa. Tinha combinado de chegar de manhãzinha cedo para tomarmos café, conversarmos e depois preseparmos pela cidade. Às 7h30 bati na porta da sua casa. Ele me esperava com cara de sono e a mesa posta. 

Tomamos café-da-manhã, ele me mostrou umas fotos da França (acabou de voltar de lá). Pelas 11h, fomos de metrô para a Avenida Paulista. Queríamos dar uma caminhada por lá e também comprar umas coisas. No meio da Paulista, paramos no Café das Rosas. Um cantinho calmo perdido no meio da algaçarra do centro comercial do país.

Seguimos pela Paulista até o Cemitério do Araçá. De lá descemos para Pinheiros até o Cemitério São Paulo. Íamos almoçar uma feijoada com roda de samba ao vivo no Ó do Borogodó, na rua Horácio Lane, quase esquina com a Cardeal Arcoverde. 

Fomos os primeiros a chegar no restaurante, às 13h. E ficamos até às 17h, comendo, ouvindo samba e tomando Serramalte. 

Já empapuçados, descemos mais um pouco e pegamos à direita para a Livraria da Vila, onde paramos para tomar um café. Lá, juntou-se a nós uma amiga de São Paulo, a Gabi. Ficamos conversando, rindo e lendo o livro da ovelinha Selma.

À noite, segui para a casa do Manu e da Bia, onde ia dormir. A Gabi me deu uma carona, mas antes me levou para conhecer a Vila Madalena e todas as suas ruazinhas. Me mostrou um monte de bares, restaurantes e praças. Já posso até dizer que a Rodésia está perto da Purpurina e da Fradique Coutinho. 

Pelas 22h e pouco, Manu, Bia e eu fomos jantar na pizzaria Galpão, onde comemos uma pizza de linguiça de javali. Aprovadíssima. Voltamos para casa, a pé, por volta da 1h. Eu já estava mais que exausto, mas, depois de um café e de uma jogada de água no rosto, fomos à Mercearia, na Rodésia, tomar cerveja com uns amigos de Curitiba. Estavam Mari, Homer, Rei, Leandro e Rita. Chegamos nós. Em seguido veio também a Gabi. Ficamos tomando cerveja e contando histórias de viagem.

Convidados a nos retirarmos para fecharem o bar, emendamos na casa do Leandro e do Rei. E mais cerveja. Manu e eu chegamos em casa às 5h.